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12 de dez de 2008

DIÁLOGO SOBRE ENERGIAS ALTERNATIVAS.





Discípulo: Mestre, o que o senhor acha do uso de energias alternativas e renováveis?

Niestévisky: Sou completamente a favor, inclusive já fiz muitas pesquisas científicas sobre o assunto.

Discípulo: Que interessante. E o senhor conseguiu bons resultados?

Niestévisky: Mas é claro que sim!

Discípulo: Então me diga, oh Grande Sábio, sobre o quê foram as suas pesquisas e a quais resultados elas chegaram.

Niestévisky: Bem, no começo eu estava fazendo alguns estudos sobre ecologia. Foi durante essas pesquisas que eu descobri que o gás metano, gerado pela digestão dos animais e eliminado através da flatulência, fenômeno vulgarmente conhecido como pum, contribuía enormemente para o aquecimento global. Essa descoberta me deixou muito preocupado com o futuro do planeta, por isso resolvi fazer algo a respeito.

Prosseguindo nas minhas pesquisas, descobri que esse biogás era uma ótima fonte de energia, e o melhor de tudo, altamente renovável e barata, ou seja, uma ótima alternativa para os combustíveis fósseis. Assim, depois de coletar todos os dados científicos sobre o assunto, comecei a desenvolver um motor que funcionasse com esse gás.

Discípulo: E o senhor conseguiu?

Niestévisky: Ora, mas é claro que sim! Depois de alguns anos de tentativa eu finalmente consegui criar um automóvel movido a gás metano.

Discípulo: E o resultado foi bom?

Niestévisky: Foi ótimo. Eu, pessoalmente, fiz o teste. Guiei um carro equipado com esse motor por 100, 000 km, sem parar nem uma vez se quer, e constatei que ele era potente, resistente e muito econômico. Enfim, os meus anos de pesquisa e dedicação valeram à pena.

Discípulo: Oh, Grande Mestre, estou impressionado! Mas me diga, foi muito difícil chegar a esse resultado espetacular?

Niestévisky: Que nada, criar o motor foi fácil, difícil mesmo foi guiar 100,000 km com uma mangueira de combustível enfiada no traseiro!

Discípulo: ...

3 de dez de 2008

ALGUMAS HISTÓRIAS SOBRE A INFÂNCIA DO MESTRE, CUJA VERACIDADE AINDA CARECE DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.



Dizem que Niestévisky foi uma criança extremamente precoce. Segundo o que afirma a crença popular, o Sábio começou a exibir as suas incríveis habilidades ainda no ventre de sua mãe, ao auxiliar o médico durante o seu próprio parto.

Alguns ainda afirmam que Niestévisky já saiu andando de dentro da sua progenitora e dirigiu-se à sala de cirurgia do hospital, onde executou um transplante cardíaco mediúnico, sem nenhuma ajuda, e tendo como equipamento apenas um simples canivete suíço e uma colher de pedreiro.

Ainda há quem afirme que depois de nascer, o Grande Mestre, ao levar uma palmada nas nádegas, amaldiçoou o médico por ele ter ousado agredir o seu corpo intocável. Parece que dias depois da maldição ter sido conjurada, o braço do médico secou e caiu.
O doutor, arrependido do seu ato, pediu perdão ao Mestre, e este, comovido com as súplicas daquele homem, restituiu o seu membro perdido. Infelizmente, talvez por ainda não dominar direito os seus poderes, o novo braço nasceu do lado errado.
Mas no final tudo acabou dando certo. Hoje o médico ganha a vida se apresentando num show de aberrações como o único homem do mundo a ter os dois braços do lado esquerdo do corpo.

É normal que as crianças tenham amigos invisíveis, e o mestre também teve um. Mas como Niestévisky não era uma criança qualquer, o seu amigo era um pouco diferente dos demais. O amigo invisível do Mestre podia ser visto por todos, exceto pelo próprio Niestévisky.

Também corre na boca do povo a história de que o pequeno Niestévisky odiava tomar banho. Segundo o que ouvi, para banhar o filho a mãe do Mestre demorava horas, pois toda vez em que ela tentava colocar o bebê Niestévisky na banheira, ele, tal como fez Moisés, dividia a água ao meio, evitando com isso que ela tocasse o seu corpo.

Dizem que depois do falecimento da mãe do Sábio, o seu cadáver foi submetido a uma autópsia minuciosa, pois a comunidade científica internacional queria compreender como foi possível que um corpo humano comum pudesse gerar tal prodígio.
Os cientistas não encontraram nada de diferente no corpo da falecida, ou melhor, quase nada. Parece que ao examinar o útero da mulher foi encontrada a seguinte inscrição: Niestévisky esteve aqui.

20 de nov de 2008

DIÁLOGO SOBRE UMA DAS MUITAS TÉCNICAS SEXUAIS DO MESTRE.

Discípulo: Oh Grande entre os grandes, é verdade que o senhor foi amante de muitas mulheres lindíssimas, atrizes de cinema, princesas, rainhas, cantoras, renomadas cortesãs etc etc etc?

Niestévisky: Sim meu jovem curioso, e indiscreto, discípulo, muitas mulheres de renome internacional e que foram desejadas pelos mais importantes homens do mundo já estiveram em meu leito e compartilharam comigo de noites inesquecíveis de ardente paixão. E devo dizer, deixando a modéstia de lado, que todas elas, depois de se deitarem comigo, nunca mais me esqueceram e jamais desejaram outro homem, tamanho foi o desejo e o amor que passaram a sentir por mim.

Discípulo: Mestre, e como foi que o senhor conseguiu esse feito extraordinário? O que essas mulheres viram no senhor para que se apaixonassem assim, tão perdidamente, pelo Mestre?

Niestévisky: Bem, todos sabem que eu sou um homem de muitos encantos mas, dentre eles, o que mais fazia sucesso era a meu desempenho sexual.

Discípulo: E o que o senhor fazia com elas, sexo tântrico, poções afrodisíacas, ou quem sabe alguma técnica secreta que o senhor aprendeu através da sua peregrinação pelos cantos mais longínquos do mundo?

Niestévisky: Ah, o que eu fazia de especial, e que as levava ao êxtase, era lamber os seus umbigos.

Discípulo: Lamber o umbigo??!!! Mas Mestre, isso qualquer um faz!!!

Niestévisky: Eu sei, mas não por dentro!

6 de ago de 2008

DIÁLOGO SOBRE A VIDA SEXUAL DO MESTRE.




Discípulo: Oh grande sábio, desculpe a curiosidade, mas eu gostaria de saber como era a sua vida sexual antes do senhor se tornar celibatário.

Niestévisky: Ah, uma loucura, realmente muito movimentada. Para você ter uma idéia de como eu era, saiba que um dia, quando eu já estava entrando na velhice e prestes a adotar o celibato, enquanto eu estava deitado no meu quarto esperando o sono chegar, comecei a fazer uns cálculos e descobri que eu havia feito sexo com 54 mulheres.

Discípulo: Mestre, o senhor vai me desculpar, mas eu achei esse número muito modesto. Está cheio de homens por aí que afirmam terem feito sexo com 400, 500 e até mesmo 1000 mulheres.

Nistévisky: Impossível! Se eu, com todos os meus poderes afrodisíacos, já sofri bastante para levar essas 54 para a cama, não vejo como um homem normal possa transar com mais de 1000 mulheres num mesmo dia.

Discípulo: Num mesmo dia?!!! Mestre, foram 1000 durante a vida toda!!!

Niestévisky: A vida toda? Ora, faça-me o favor! Saia já daqui e vá se ajoelhar no milho! Vai cumprir penitência para aprender a nunca mais fazer comparações esdrúxulas entre o seu mestre e esse bando de impotentes!
(Informação adicional: Dizem que a China era o pais menos populoso do mundo, isso até que Niestévisky resolveu passar uma temporada por lá.)

28 de jul de 2008

DIÁLOGO DAS PERGUNTAS IMPORTANTES.




Discípulo: Oh grande mestre, posso lhe fazer uma pergunta, aliás, para ser mais preciso, quatro perguntas?

Niestévisky: Pode perguntar, afinal, é para isso que eu sou pago.

Discípulo: Então mestre, por favor, me responda: Quem eu sou, de onde vim, o que estou fazendo aqui e para onde vou?

Niestévisky: Mas de novo essas perguntas?!!!

Discípulo: Desculpe mestre, se te importuno com perguntas repetidas, mas eu realmente preciso saber...

Niestévisky: (impaciente) Tudo bem, chega de falar tanto, eu respondo! Então vamos lá:
Quem é você? O meu discípulo.
De onde veio? Veio do meu instituto.
O que está fazendo aqui? Está aqui comigo, nesta esquina, esperando o ônibus.
Para onde vai? Está indo me acompanhar num estudo que estou indo fazer.

Discípulo: Sim mestre, é verdade, agora me lembro! Muito obrigado.

Niestévisky: Sabe, meu pupilo esquecido, você precisa dar um jeito nessa memória. Tem tomado a infusão de ervas que eu te dei para melhorar a sua memória?

Discípulo: Não mestre.

Niestévisky: Mas e porque não?

Discípulo: Porque sempre me esqueço de tomá-la...

(Ao ouvir isso, o mestre resolve calar-se, antes que perca completamente a paciência e dê uma bengalada no rapaz. Mas, depois de alguns minutos de silêncio constrangedor, o discípulo resolve quebrar o silêncio com mais uma pergunta).

Discípulo: Oh grande sábio, posso fazer mais uma pergunta?

Niestévisky: (ríspido) Vai, fale de uma vez!

Discípulo: O que nós estamos indo estudar?

Niestévisky: Vamos estudar o caso de um rapaz que está sendo possuído por uma estranha mania que o tem incomodado muito.

Discípulo: E que mania é essa?

Niestévisky: Todos os dias, antes de dormir, esse rapaz se ajoelha e reza.

Discípulo: Mas mestre, o que há de errado nisso? Não vejo nada de mal em rezar, é apenas uma questão de fé. Não sei por que esse jovem se sente incomodado. Eu mesmo, todas as noites, rezo antes de dormir.

Niestévisky: Sim, eu sei, mas no caso dele isso é mesmo uma mania estranha e ele realmente tem razão em se sentir incomodado.

Discípulo: Por que, mestre?

Niestévisky: Porque ele é ateu!
Discípulo: Bem, nesse caso... Mestre, posso fazer mais uma perguntinha?
(Nesse momento Niestévisky perde completamente a paciência e finalmente dá uma bengalado no discípulo.)

21 de jul de 2008

DIÁLOGO SOBRE ENGENHARIA.


Discípulo: Oh Grande Sábio, é verdade o que o senhor projetou e pretende construir em breve, um prédio com 1000 andares?

Niestévisky: sim, é verdade.

Discípulo: mas isso será um feito notável! Hoje em dia os prédios mais altos do mundo têm pouco mais de 100 andares, ou seja, quase um décimo do que o que o senhor fará. Realmente impressionante.
Mas eu imagino que o senhor tenha criado uma nova técnica para executar tal obra, pois me parece que a engenharia atual não possui tecnologia suficiente para um feito dessa envergadura.

Niestévisky: Sim, eu de fato, desenvolvi uma nova técnica, relativamente simples, para que um prédio dessa altura não desabe.

Discípulo: Mas e afinal de contas, como fazer que um prédio de 1000 andares não caia?

Niestévisky: Simples, vou construí-lo na horizontal.

Discípulo: ...

14 de jul de 2008

NIESTÉVISKY E O ADULTÉRIO.

Certa vez o Grande Sábio fez uma profunda pesquisa sobre o pecado, pois, como ele sempre diz, é necessário conhecer o inimigo para melhor poder vencê-lo. Para ter uma real dimensão do que é o pecado, o Sábio Niestévisky resolveu experimentar cada um deles, empiricamente, mesmo que isso fosse contra os seus rígidos princípios religiosos e morais. Da enorme lista de pecados existentes, Niestévisky escolheu o adultério, aleatoriamente, como o primeiro a ser pesquisado.

Com todo o charme e apelo sexual que emanam da sua aura multicolorida, não foi nada difícil para ele encontrar e seduzir uma mulher casada. Bastaram algumas poucas frases e um pouco de feromônio para que a jovem e belíssima esposa ficasse completamente apaixonada por ele. Como já atingira o seu objetivo de seduzi-la, o Mestre deu o flerte por encerrado e partiu para a pesquisa de fato. Foram para a cama. É claro que durante o ato pecaminoso, a alma do mestre sentiu-se terrivelmente torturada, mas como o próprio mestre diz, tudo é válido quando é para se atingir um objetivo maior.

Tudo corria dentro do esperado e o Mestre estava muito satisfeito com tudo o que ele estava descobrindo sobre aquela modalidade de pecado. Mas eis que de repente entra no quarto, de maneira extremamente violenta, o marido da tal jovem adultera. Ao ver aquele marido ciumento, ali na sua frente, o Mestre não deixou de pensar sobre o que está escrito na bíblia, em Romanos 6:23: O salário do pecado é a morte. Num gesto instintivo, o Grande Sábio escondeu-se embaixo do lençol, pois ele teve medo de que o marido o matasse e assim, tornando-se um assassino, fosse parar no Inferno. Com esse gesto pode-se perceber que mesmo diante do perigo, o Mestre jamais deixa de pensar no bem do seu próximo.

O marido então se aproxima da cama e puxa o lençol para ver o rosto daquele que ele estava prestes a matar. Porém, ao puxar o lençol, o homem exclama: Meu Deus, não creio! É o Grande Sábio Niestévisky!

Rapidamente o marido foi até o guarda-roupa e preparou as malas da sua esposa. No mesmo dia ele mandou-a para um spa. Voltando do spa, ela foi para uma clínica de estética, depois comprou roupas novas e consultou-se com um cirurgião plástico para arrumar as poucas, e quase imperceptíveis, imperfeições físicas que ela possuía.

Segundo o que eu ouvi do próprio marido, ele tomou essa atitude porque um grande homem como Niestévisky merece sempre o melhor.

10 de jul de 2008

DIÁLOGO SOBRE O SEXO E A DIVINDADE.

Discípulo: Oh Grande entre os grandes, eu resolvi abandonar o sexo para sempre.

Niestévisky: Mas por quê?

Discípulo: Porque o sexo é pecado.

Niestévisky: E posso saber quem disse essa bobagem?

Discípulo: Ora Mestre, a bíblia.

Niestévisky: Meu pobre discípulo confuso, deixe de ser ignorante! Na verdade esse negócio de céu, religião etc. não é assim tão casto como se acredita. A bíblia está cheia de sexo. É esse o problema da humanidade, querem interpretar os textos sagrados sem conhecimento suficiente para fazê-lo.

Discípulo: Mestre, então ilumine a minha ignorância com a luz da sua eterna sabedoria.

Niestévisky: Certo, então vejamos: Andaram espalhando por aí que Deus não tem sexo. Mentira!Pois saiba que Ele tem sexo sim, e digo mais, Deus não só tem sexo como não perdoa ninguém. Tanto isso é verdade, que Ele chegou a engravidar uma jovem, chamada Maria, e que, para piorar ainda mais a situação, era comprometida. Hoje em dia isso não causaria muito escândalo, mas naquela época as coisas eram diferentes. Tanto isso é verdade, que Ele teve que montar um espetáculo, com aparição de anjo e tudo mais, para convencer o noivo de que a moça ainda era virgem. Por mais incrível que pareça, deu certo e o pessoal acreditou. Aliás, deu tão certo que disso até surgiu uma nova religião.

Mais um exemplo: Basta se lembrar do cajado de Abraão, que nada mais é do que um símbolo fálico.

Discípulo: Mas que coisa Mestre, então o sexo, ao contrário do que eu pensava, é algo divino! Pelo que vejo, tirando o homossexualismo, nada mais sobre o sexo é pecado.

Niestévisky: Pois mais uma vez você se engana. Nem o homossexualismo é pecado, pois se fosse pecado Deus não permitiria que se colocasse na bíblia um salmo homoerótico.

Discípulo: Mas que salmo é esse?!

Niestévisky: "A tua VARA e o teu CAJADO me consolam."(Salmos 23:4).

Discípulo: Mestre, só mais uma pergunta. Se o sexo não é pecado, por que o senhor é celibatário.

Niestévisky: Porque com a idade avançada que eu tenho, não me resta outra opção.

9 de jul de 2008

UMA PEQUENA NOTA BIOGRÁFICA SOBRE O MESTRE.


Quando era jovem Niestévisky trabalhou num circo. Ele fazia o número do globo da morte. O problema é que o circo era pobre, mas tão pobre, que o Mestre tinha que fazer o globo da morte a pé. Vários traumatismos cranianos depois, ele desistiu e resolveu mudar de profissão, virou o Homem-Bala.

Tudo ia bem, até que um dia o seu assistente exagerou na bebida e colocou pólvora demais no canhão. Quando o canhão foi disparado, Niestévisky foi para num outro continente e nunca mais encontrou o circo onde trabalhava.

Mas como há males que vem para bem, ele aterrissou no Tibet, onde pode estudar os mistérios mais misteriosos e os segredos mais secretos do universo, tão secretos, aliás, que ninguém os conhecia, nem mesmo o mestre que os ensinou para ele. Assim Niestévisky pode iniciar a sua afamada, e mundialmente reconhecida, carreira de Mestre.

Do circo ainda resta uma saudade. Niestévisky deixou lá o grande amor da sua vida, uma malabarista que manipulava os malabares com os pés. Ela era obrigada a fazer isso porque havia perdido os braços num acidente durante a guerra do Paraguai.

Como o Mestre já estava lá por perto mesmo, e sem nada melhor para fazer, entre uma levitação e outra, ele resolveu escalar o Himalaia. Foi meio frustrante, pois ele não encontrou nenhuma dificuldade para chegar ao cume da montanha. É que assim que o Mestre chegou perto do monte, reconhecendo a sua superioridade, o Himalaia se curvou para saudá-lo e reverenciá-lo. Daí foi só dar um passinho e o Grande Sábio já estava lá no topo.

5 de jun de 2008

Niestévisky, o consolador.

Vendo que seu discípulo estava com um aspecto de quem está muito preocupado com algo, o mestre foi até ele perguntou o que o incomodava. O discípulo disse que havia ido ao médico e que o doutor identificou algo que poderia ser um câncer. O pobre discípulo estava preocupado com o resultado da biópsia a que deveria ser submetido nos próximos dias.

O mestre, percebendo o tamanho do desespero do rapaz, pensou em dizer algo para confortá-lo. Depois de pensar muito, e sem conseguir encontrar algo melhor para dizer, soltou a seguinte frase: “Ora, eu sei que é desagradável passar por isso, mas pense bem, é melhor uma biopsia do que uma autópsia!”

O discípulo olhou para o mestre, sem entender exatamente que diabo de consolo era aquele. Pensou em dizer algo, mas achou melhor se calar.

REFLEXÕES DO MESTRE SOBRE SI MESMO.

Certa vez o grande sábio estava sentado sobre uma pedra, nos jardins suspensos do seu instituto, que ele mandou rebaixar porque a altura lhe causa vertigens. Estava ele meditando profundamente, com o olhar perdido em algum ponto indefinido do horizonte. Enquanto o mestre meditava, passou por ali um dos seus inúmeros discípulo, que ao vê-lo resolveu ir falar com ele, na esperança de que pudesse aprender alguma coisa com o seu mestre. Os seus discípulos têm essa desagradável mania, não podem ver o grande sábio e logo vão até ele, na esperança de que algum mistério do universo lhes seja revelado.

Chegando perto do sábio Niestévisky, o seu discípulo pergunta:
_ Mestre, o que o senhor faz aí sozinho?
O mestre responde:
_Estava aqui meditando sobre algo que me tem incomodado muito.
_Oh grande sábio, mas o que pode estar lhe causando esse incômodo? Deve ser algo muito importante e complicado, já que o senhor, com a sua mente brilhante, consegue resolver facilmente os mais intrincados problemas.

_ Pois é, mas esse é realmente um problema de difícil entendimento, até mesmo para mim. – Respondeu Niestévisky.

Curioso, o discípulo quis saber qual era o tal problema. Mesmo sabendo que aquele jovem rapaz não teria capacidade suficiente para entender, o mestre expôs o que lhe afligia:

Niestévisky: Sabe, meu caro pupilo, eu já escalei as montanhas mais altas do mundo, já subi, nu e descalço, o Himalaia. Passei meses meditando nos mais inóspitos desertos da terra. Visitei o interior de vulcões ativos. Explorei cavernas que se estendiam por quilômetros e quilômetros pelo interior do planeta. Atravessei florestas virgens, onde nenhum homem jamais havia pisado antes. Já atravessei a nado todos os mares e mergulhei, sem equipamento, nos oceanos mais profundos. Até mesmo em outros planetas eu já estive.

Discípulo: Sim mestre, todos esses feitos fabulosos são de conhecimento de toda a humanidade. Mas ainda não entendo que relação isso tem com o fato do senhor estar aqui meditando.

Niestévisky: É que enquanto eu pensava sobre todas essas minha aventuras, eu percebi uma coisa que me deixou incomodado. Percebi em todos os lugares onde eu já fui, invariavelmente, lá estava eu.

Discípulo: Mas mestre, em que isso lhe aflige?

Nistévisky: Ora, desejo saber o que eu quero comigo mesmo, para que eu fique me perseguindo tanto assim!

Sem entender nada, o discípulo inventou uma desculpa qualquer e foi embora. Definitivamente ele ainda não estava preparado para compreender o intrincado raciocínio do grande sábio Niestévisky.

DIÁLOGO SOBRE A GERAÇÃO A PARTIR DO NADA.

Discípulo: Mestre, é verdade que uma coisa sempre surge a partir de outra coisa?

Niestévisky: Sim, é verdade.

Discípulo: Pois é, mas se é assim, como foi que Deus surgiu?

Niestévisky: Ora, Deus, ao contrário de todo o resto, surgiu do nada.

Discípulo: Mas então isso é possível?! É realmente possível que algo surja do nada?

Nistévisky: Claro que é.

Discípulo: E há uma explicação para isso?

Niestévisky: Existe sim, e digo mais, a explicação é extremamente simples, tão simples que qualquer um pode entender, até você.

Discípulo: Então o senhor conhece o modo pelo qual Deus surgiu?

Nistévisky: Mas é claro que conheço! Eu conheço todas as coisas!

Discípulo: Oh mestre, então eu te peço, me diga como foi que Deus surgiu a partir do nada.

Niestévisky: Ah, mas isso eu não revelo de jeito nenhum!

Discípulo: Mas por que não mestre?

Niestévisky: Porque se eu revelar esse segredo para a humanidade, as pessoas vão ficar fazendo deuses novos a todo momento e o universo acaba virando uma bagunça!

10 de mai de 2008

O GRANDE SÁBIO E A SUA RELAÇÃO COM O ATEÍSMO.

Poucas pessoas sabem disso, mas Niestévisky já foi ateu. E como não poderia deixar de ser, com a mente brilhante que possui, ele não era apenas mais um ateu qualquer. Niestévisky era o que ele mesmo batizou de: Ateu Praticante. O Mestre tinha, nessa época, como única meta de vida, espalhar a mensagem do ateísmo pelos quatro cantos do mundo. Onde houvesse fé, ele levava a dúvida.

E não eram apenas os cristão, judeus ou muçulmanos que ele enfrentava. Qualquer religião servia, não importava o tamanho. Bastava crer em um ser superior, que lá estava o jovem Niestévisky, na sua eterna cruzada contra o ser eterno. E o Mestre era tão bom nisso, que certa vez ele foi a um culto de adoradores do sol e, depois de meia hora de conversa, todos os crentes não só deixaram de acreditar que o sol era um deus, como Niestévisky conseguiu até convencê-los de que o sol não existia. Isso é que é poder de convencimento!

Mas então, eis que um dia o Grande Sábio foi assolado pela dúvida! Sentado sobre uma pedra, num bosque verdejante, numa linda tarde ensolarada, ele pensou: Como farei para jantar hoje à noite, se estou sem nenhum centavo no bolso?

Assim, morrendo de fome, ele chegou à conclusão de que o seu ateísmo praticante não o estava levando a lugar nenhum. Então, depois de pesar os prós e contras da fé e do ateísmo, eis que ele se decidiu pela religião. Afinal, é como o mestre sempre diz: Na dúvida, é mais prudente ficar do lado onde está o dinheiro.

DIÁLOGO SOBRE QUAL SERIA A MAIOR CRIAÇÃO HUMANA.

Discípulo: Oh Grande Sábio, qual é a maior criação da humanidade? O domínio do fogo? A roda?

O mestre, com o seu raciocínio já um pouco comprometido pela idade avançada, sem refletir direito sobre o que dizia, respondeu o seguinte:

Nistévisky: Nenhuma dessas coisas, a maior criação da humanidade foi Deus.

Discípulo: Deus? Como assim?

Niestévisky: Ora, simples, o homem criou Deus e depois disso Deus criou tudo o que existe, inclusive o fogo, a roda e a própria humanidade.

Discípulo: Sinto muito Mestre, mas não entendi nada!

Niestévisky: Tudo bem, porque, para ser franco, essa nem eu entendi.

Percebendo que o seu discípulo estava disposto a continuar aquela conversa, e sem ter como arrumar o absurdo que dissera, Niestévisky resolveu encerrar ali mesmo a discussão, fingiu um desmaio.

6 de mai de 2008

O Q.I DO MESTRE.

O Grande Niestévisky foi submetido a um teste de Q.I, pela faculdade de odonto-psiquiatria (é um ramo novo das ciências), do estado do Piauí. O resultado do teste foi incrível, atingiu 20 pontos na escala richter, que vai até 9.

Durante esse teste também foi medida a velocidade do pensamento do Mestre. O resultado foi igualmente incrível. O seu pensamento vai de 0 a 100 em 1,2 segundo.

DIÁLOGO SOBRE CIRURGIAS MEDIÚNICAS.

Discípulo: Mestre, o senhor é a favor das cirurgias mediúnicas?

Niestévisky: Depende.

Discípulo: Dependo do quê, oh Grande Sábio?

Niestévisky: Depende se eu serei o paciente ou o cirurgião.

OS MITOS SOBRE O GRANDE SÁBIO NIESTÉVISKY.

Sendo o Grande Mestre uma figura muito popular, é inevitável que surja no meio do povo uma porção de “histórias” a seu respeito, todas elas desprovidas de qualquer prova material. Ao ser questionado sobre a veracidade dessas lendas, ou mitos, ou mentiras, o Mestre não confirma nem nega nenhuma delas. Segundo ele, é bom que o povo dê asas a imaginação, desde que não denigram a sua imagem, porque se fizerem isso ele processa e ainda joga uma praga.

Vamos a algumas dessas lendas:

Dizem que quando era criança, Niestévisky foi submetido a uma operação de fimose. Segundo o que muitos afirmam, os bancos do seu automóvel são encapados com a pele que foi retirada do seu prepúcio.

Dizem que Niestévisky é um alquimista original, pois ele foi o primeiro, e possivelmente o único, homem do mundo a conseguir a incrível façanha de transformar ouro em chumbo. Dizem também que ele conseguiu fabricar o elixir da vida eterna, mas que com o passar do tempo a sua validade venceu, o elixir estragou-se e teve que ser jogado fora.

Dizem que Niestévisky fez uma tatuagem em si mesmo. Ele desenhou uma águia nas próprias costas. Parece que o resultado ficou tão perfeito que, assim que foi terminada, a águia bateu as asas e fugiu.

Dizem que certa vez, Niestévisky disfarçou-se de mulher, para fins de pesquisa antropológica, sociológica, e psicológica. Ele viveu como mulher durante três anos. Dizem que o disfarce ficou tão perfeito que ninguém percebeu a verdade, nem mesmo o seu ginecologista. Há também quem afirme que durante esse tempo, ele chegou a se casar com um estivador e que tiveram dois filhos.

Dizem que Niestévisky conseguiu a incrível façanha de ressuscitar, mesmo sem haver morrido. Encontrei quatro pessoas que afirmaram terem presenciado o milagre. É claro que não pude deixar de perguntar como foi possível alguém ressuscitar enquanto ainda estava vivo. Nenhum deles soube me explicar, apenas disseram que foi assim que aconteceu e pronto.

Dizem que nas férias o Mestre se retira para uma torre enorme que ele mandou construir no interior do estado de Minas Gerais. A torre, em quase a sua totalidade, abriga a vastíssima biblioteca particular do Mestre. Lá, segundo dizem, podem ser encontrados os manuscritos originais de todos os grandes clássicos da humanidade, como, por exemplo: A Divina Comédia, os quatro evangelhos, a Odisséia etc. Todos eles em perfeito estado de conservação, e devidamente autografados e com dedicatórias dos seus autores para o Grande Sábio Niestévisky.
Dizem que na cobertura dessa torre o Mestre mandou construir um apartamento, onde ele descansa e estuda. Dizem que é um apartamento muito bonito, espaçoso e com vista para o mar.
Quando ouvi isso, não pude deixar de perguntar para a pessoa que me contava sobre a tal torre, como era possível que o apartamento tivesse vista para o mar, se em Minas Gerais não tem mar. O sujeito me olhou nos olhos e disse: Pois então, eu não disse que a torre é bem alta!

Não sei se esses relator são verídicos ou não, mas em todo caso, fica o registro.



A REINTEGRAÇÃO DE POSSE.

Certa vez, trouxeram ao Mestre Niestévisky, um jovem rapaz que estava possuído pelo Demônio. O sujeito estava realmente incontrolável, babava, xingava, arranhava, cuspia, expelia fumaça pelos ouvidos, lançava fogo pelos olhos, soltava gazes flatulentos que tinham o cheiro do enxofre do inferno. E, como se não bastasse tudo isso, ainda havia um som misterioso de uma harpa paraguaia, que vinha sabe-se lá de onde. Enfim, para resumir, era uma situação insuportável.

O Mestre, depois de tomar ciência sobre o que se passava, resolveu ajudar aquela pobre criatura. Depois de um breve alongamento no seu corpo astral e de fazer alguns polichinelos para aquecer, o Grande Sábio pôs-se na frente do rapaz e disse:

Nistévisky: Demônio, saia já desse corpo, pois ele não te pertence!

Demônio: Não saio!

Niestévisky: Demônio! Saia já daí, em nome de Cristo!

Demônio: Não saio!

Niestévisky: Demônio! Pois então saia daí, em nome de Deus!

Demônio: Não saio!

Niestévisky: pois então, seu Demônio teimoso, saia desse corpo, em nome de Pedro!

Ao ouvir isso, o Demônio começou a rir e disse:

Demônio: pois se eu não saí ao ouvir o nome do filho e não saí ao ouvir o nome do pai, não será o nome de um simples apóstolo que me causará medo!

Então Niestévisky chamou Pedro, o segurança do templo. Um homem de 2 metros de altura, 150 quilos de músculos e com cara de assassino psicopata, o que, aliás, ele era realmente, antes de ser recuperado pelo Grande Sábio Niestévisky.

Bastaram 2 minutos de pancada para que o Demônio voltasse correndo para o inferno. O rapaz estava completamente livre. O jovem ficou tão agradecido, que assim que saiu da U.T.I, fez questão de agradecer pessoalmente ao Grande Niestévisky.

28 de abr de 2008

O Mestre, sempre disposto a ajudar.

Um dia, Niestévisky passeava pelos jardins suspensos do seu instituto, quando viu um dos seus discípulos sentado na grama e lendo um livro. Sempre preocupado com o desenvolvimento dos seus discípulos, o Mestre se aproxima dele, dá bom dia e pergunta o que ele está lendo.

O discípulo responde:

Discípulo: Tratado Teológico-Politico, de Espinosa.

Niestévisky: Sim, livro interessante. E o que está achando dele?

Discípulo: Infelizmente não estou conseguindo entender absolutamente nada.

Niestévisky: Se você quiser, eu posso te ajudar. Conheço um método que facilitará, e muito, a compreensão desse texto.

Discípulo: Oh Mestre, por favor, me diga o que devo fazer e eu lhe serei muito grato. Qual é esse método? É muito complicado?

Niestévisky: Que nada, facílimo! É só você desvirar o livro, ele está de ponta cabeça!

O mestre disse isso e depois continuou a sua caminhada, mas por dentro, ele amaldiçoava o sujeito que faz a pré-seleção de discípulos.

Niestévisky, o conselheiro sentimental.

Certa vez, o Grande Sábio Niestévisky estava num baile, acompanhado de um dos seus muitos discípulos. O mestre estava lá apenas para fazer uma pesquisa sociológica, pois ele abomina a dança. Para Niestévisky, a dança é um ato sexual, com a única diferença de que se faz vestido e em pé. Niestévisky resolveu adotar o celibato quando completou 85 anos de idade, afinal, segundo ele mesmo disse, é melhor ser reconhecido como celibatário do que como broxa.

Mas enfim, continuando, ele estava parado num canto do salão, observador, com o seu olhar aguçado, a tudo o que se passava, enquanto tomava a sua bebida preferida, criada por ele mesmo, o São Cowboy. Para os curiosos, essa bebida consiste numa dose dupla de whisky e um cubo de gelo, mas o gelo deve ser feito de água benta, para rebater os possíveis malefícios demoníacos do álcool. De repente o seu discípulo se aproxima, aparentando estar perturbado com algo. O mestre então pergunta o que há de errado e o seu discípulo responde:

Discípulo: Mestre, uma mulher está dando em cima de mim!

Niestévisky: Mas e daí? Converse com ela. Afinal de copntas, o celibatário aqui sou eu.

Discípulo: Mas mestre, eu não posso...
Niestévisky: Não me diga que você é uma bixona... (a bebida havia deixado a língua do mestre um pouco solta demais)

Discípulo: Não, oh Grande Sábio, é que ela é muito feia.

Ao ouvir isso, o mestre se achou na obrigação de conduzir aquela pobre alma ignorante, pelos caminhos da sabedoria. Colocando a mão sobre o ombro do seu discípulo, para não cair, disse o mestre:

Meu pobre e confuso pupilo, aprenda com o seu mestre, enquanto eu ainda estou caminhando entre os vivos, não existe mulher muito feia. Depois de anos de estudo, eu descobri que Deus vigia de perto todas as gestações, assim, quando Ele identifica que um feto do sexo feminino está descambando para a feiúra estrema, o Grande Arquiteto do Universo altera as características físicas da criança e lhe acrescenta um pênis. Portanto aprenda, mulher muito feia nasce homem!

É claro que nem todas as mulheres do mundo são um exemplo de beleza, mas todas elas possuem algum encanto escondido, ela pode saber fritar um ovo, ou passar um café gosto, sei lá, são infinitos os talentos femininos que podem estar ocultos por trás de uma fachada meio derrubada. Além do mais, sejamos francos, se ela fosse bonita não iria querer ficar com você, não tem espelho em casa não?!

Ao ouvir isso, o discípulo abaixou a cabeça, num gesto de reverência diante de tamanha sabedoria, e foi conversar com a tal mulher. Depois ele me confidenciou que aquela noite foi uma loucura. Os dois fizeram amor no banco de trás do carro do mestre, enquanto isso, Niestévisky, sentado num barranco, cantava La Cucaracha e vomitava fluídos cósmicos pelo chão.

29 de fev de 2008

DIÁLOGO SOBRE A PRIMEIRA PAIXÃO DO MESTRE.

Discípulo: Mestre, desculpe-me a curiosidade, mas eu gostaria de saber um pouco sobre a sua vida.

Niestévisky: Pode perguntar o que quiser.

Discípulo: Eu gostaria de saber sobre a sua juventude. Como foi a sua primeira paixão?

Nistévisky: Ah sim, lembro-me muito bem dela. Parecia uma Vênus.

Discípulo: A deusa da beleza e do sexo?!

Niestévisky: Não, parecia a Vênus de Milo. É que ela não tinha os braços.

10 de fev de 2008

DIÁLOGO SOBRE O TEMPO.

Discípulo: Oh grande sábio, tenho passado dias angustiantes refletindo sobre o tempo. Passo noites insones, na vã tentativa de compreender o que é o passado, o presente e o futuro. Ponho-me a pensar se o tempo é um fluxo contínuo ou se ele é cíclico, tento compreender o que é o infinito, me pergunto se haveria o tempo num universo completamente vazio, enfim, sou constantemente atormentado por questões desse tipo. É por isso que eu te peço, oh grande mestre, revele-me algo sobre o tempo!

Niestévisky: Tudo bem, mas o que você quer saber?

Discípulo: Qualquer coisa que o senhor me revelar já me deixará eternamente grato. Eu só peço uma coisa, que o senhor me diga algo que a minha limitada compreensão consiga entender, pois eu sei que a sua mente poderosa deve conhecer segredos que não poderão jamais ser compreendidos por um mero cérebro humano. Oh mestre, eu te imploro, revele-me algo sobre o tempo!

Niestévisky: Está bem, então se prepare, pois agora eu te revelarei algo sobre o tempo.

Discípulo: Sim mestre, estou preparado, o que o senhor me revelará?
(Nesse momento o sábio Niestévisky olha para o seu antigo relógio de bolso, guarda-o novamente, e em seguida dirige a palavra ao seu discípulo.)

Niestévisky: Meu caro discípulo, a única coisa que você está apto para compreender sobre o tempo é que agora são exatamente 3 h e 15 m.

FRAGMENTO DE UMA PALESTRA DO GRANDE MESTRE.

Este é um pequeno trecho extraído de uma palestra conferida pelo grande mestre Niestévisky, a respeito da verdade última do universo. O trecho aqui publicado é apenas um curto fragmento de uma palestra que durou um pouco mais de três horas e meia.

Estas poucas linhas são a única coisa que ficou registrada das suas palavras naquele dia, pois o gravador utilizado para registrar a sua voz deu defeito e apagou todo o restante da gravação.

Tentei encontrar alguém que se lembrasse do que ele disse, mas foi em vão, porque, hipnotizados pela figura marcante do mestre, ninguém conseguiu prestar atenção no que ele dizia. Infelizmente, por causa da sua idade avançada, nem mesmo o próprio mestre se lembra do que disse. Sendo assim, ficou impossível reconstituir o seu discurso.

Segue-se abaixo, a titulo de registro, as maravilhosas palavras que encerraram a sua palestra:

“... é por isso que eu afirmo, embasado nas provas irrefutáveis que acabei de expor, que está é a verdade última e absoluta do universo.”

7 de fev de 2008

DIÁLOGO SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA.

Discípulo: Oh grande mestre, aquele que até quando mente diz a verdade, conte-me como foi a sua experiência de entrar em contato direto com a divindade.

Nistévisky: Sim meu pupilo, aquele foi um dia memorável, não só para mim, mas também para toda a raça humana. Estava eu meditando tranquilamente no cume de uma montanha, quando de repente começou a soprar um vento forte que vinha do oriente. Esse fenômeno fez com que o meu corpo astral retornasse ao meu corpo físico. Com a minha alma novamente presa à matéria, eu despertei.
Assim que abri os meus olhos, percebi que havia um enorme clarão brilhando no céu, logo acima da minha cabeça. Era um gigantesco círculo de fogo que trazia no seu centro uma gigantesca boca que me revelou o seguinte:

“Oh grande Niestévisky, o único dos humanos que eu posso chamar de meu igual, ouça as minhas palavras, pois eu cruzei todo o infinito, a pé, apenas para dizê-las a você.”

Discípulo: Mestre, desculpe-me a interrupção, mas qual era o nome desse deus?

Niestévisky: Não sei, ele não estava usando crachá. Mas em fim, deixe-me terminar o meu relato! Então o grande deus disse para mim as suas palavras cheias de sabedoria e luz divina:

“Ouça com atenção o que eu te direi agora, oh grande sábio: Quando as diáfanas elipses das incongruências do infinito próximo, se depararem com os opúsculos benfazejos dos miasmas episcopais da grande Vagina Mater, cairão do céu, na razão inversa da proporção de ouro, as magníficas chuvas deletérias dos abismos edificantes de todos os ortodontofrutigranjeiros. E assim, nesse dia, que está próximo, o universo piscará feito a parte traseira de um gigantesco vaga-lume astral.”
Niestévisky: Então, depois de me dizer essas palavras, o círculo de fogo apagou-se e o grande deus desapareceu completamente.
Discípulo: Mestre, estou impressionado com o que acabei de ouvir da sua boca! Eu daria todos os dias que ainda me restam de vida, para poder passar por uma experiência dessas. Mas, oh grande sábio, confesso que me escapou completamente o significado do que o grande deus disse ao senhor. Afinal, o que significavam tais palavras?
Niestévisky: Eu não faço a menor idéia!

31 de jan de 2008

UMA BREVE ESPECULAÇÃO TEOLÓGICO-TRABALHISTA.

No início dos tempos, Deus criou um anjo chamado Lúcifer, mais um dia esse anjo acabou se rebelando contra o seu próprio criador. Como Deus não aceita insubordinação, e tampouco é dado a diálogos e argumentações, Ele achou por bem expulsar do céu, sumariamente, o anjo rebelado. Mas Lúcifer não foi embora sozinho, pois carregou com ele mais um monte de outros anjos igualmente insatisfeitos com o antigo Chefe.

Lúcifer e os outros anjos caídos foram parar no inferno, para sofrerem o tormento do fogo eterno. Lá, o Demônio (Lúcifer teve que mudar de nome por questões de direito autoral) comanda os demais anjos rebelados. Pois bem, aqui cabe uma pergunta: Se os outros anjos caídos se rebelaram contra Deus, que é um bom sujeito, por que eles não se rebelam contra o Demônio, que é um mau caráter?
Com toda a certeza não é pelo fato de que o Demônio pudesse fazer algo ruim contra eles, pois se fosse esse o caso, os anjos caídos teriam medo de se rebelar contra Deus, porque esse sim é especialista em castigar. Portando, o motivo só pode ser outro.

Refletindo a respeito, eu só posso chegar a seguinte conclusão: Deus pode ser melhor que o Demônio em todas as outras coisas, mas pelo menos em coisa uma Ele perde, o Demônio é um patrão muito melhor.

21 de jan de 2008

DIÁLOGO SOBRE TORNAR-SE DEUS

Discípulo: Oh grande mestre, é possível que um simples mortal se torne um deus?

Niestévisky: Claro que sim.

Discípulo: Mas e como se pode conseguir isso? Através da meditação, jejum, autoflagelação, sucessivas reencarnações?

Niestévisky: Nada disso, é preciso apenas uma caneta e um papel.

Discípulo: Mas como isso é possível, mestre?!

Nistévisky: Simples, pegue a caneta e trace uma reta sobre uma folha de papel. Como uma reta é constituída de infinitos pontos, você estará criando o infinito, e quem pode criar o infinito senão um deus?

8 de jan de 2008

A VERDADE ÚLTIMA DE TODAS AS COISAS.

Discípulo: Oh grande sábio, diga-me mestre dos mestres, o senhor já descobriu a verdade última de todas as coisas?

Nistévisky: Claro que sim!

Discípulo: E o senhor poderia me dizer qual é?

Nistévisky: Infelizmente eu não posso, meu caro pupilo.

Discípulo: Mas por que, oh grande entre os grandes, será que é porque eu ainda não estou preparado para tal revelação?

Niestévisky: Não, é que a verdade que eu descobri só dá pra um.

2 de jan de 2008

!!!!!!DIÁLOGO SOBRE O MESTRE NUM DIA DE FÚRIA!!!!!!

Discípulo: Mestre, oh gigante entre os grandes, e maior ainda entre os anões, diga-me, o que o senhor acha do racismo?

Niestévisky: Sou a favor!

Discípulo: Mas contra quais raças?

Niestévisky: Sou contra apenas uma, a raça humana!

Discípulo: mas mestre, eu nunca imaginei que o senhor fosse um misantropo!

Niestévisky: Ma non troppo. Na verdade, eu normalmente não sou nem racista nem misantropo, mas é que hoje eu acordei de mau humor!

UM DOS MELHORE NEGÓCIOS DO MUNDO.

Com toda a certeza absoluta, coisa que, aliás, apenas a minha enorme sabedoria pode garantir, um dos melhores negócios que alguém pode fazer neste planeta é o seguro de vida. Pensando rapidamente a respeito, até que ele pode dar a impressão de não ser tão grande coisa assim, mas é. Para descobrir a verdade, basta seguir o meu raciocínio:

Pensando friamente, você faz um seguro de vida para garantir o sustento da sua família, ou seja, para assegurar o padrão de consumo dos seus entes queridos, enquanto eles não encontram alguém para substituí-lo, o que é um ato louvável da sua parte. Mas quem faz um seguro de vida dificilmente leva em consideração a questão subjetiva e subconsciente de tal ato.

Na verdade a assinatura de um seguro de vida nada mais é do que o seguinte: Você vai até a seguradora e diz para o corretor que você acha que vai morrer num prazo menor do que um ano, e que está tão certo disso que está até mesmo disposto a apostar.
Ele, num gesto de incrível amor ao próximo e de fé no ser humano, afirma não acreditar que você morrerá tão logo, afinal de contas, você ainda é muito jovem e parece tão saudável e cheio de vida. E ainda diz mais, afirma que a fé que ele tem em você é tão grande que até está disposto a aceitar a aposta.

Sendo da vontade das duas partes, a aposta é feita através de um documento chamado apólice de seguro, que terá a duração de uno. Durante este tempo, você terá a reconfortante certeza de que existe alguém no mundo, ao menos uma pessoa, que se importa de verdade com a sua vida e espera, de todo o coração, que você continue vivo.
Ora, quem não ficaria feliz com uma coisa dessas? Imagine a alegria que pode te proporcionar o fato de que todas as manhãs você acordará com a certeza de que alguém está desejando que nada de mal, ao menos nada mortal, te aconteça!

Só isso já seria suficiente para justificar a minha afirmação sobre as vantagens de fazer um seguro de vida, mas não é só isso, ainda tem mais.

O seguro de vida é uma das poucas coisas no mundo, senão a única, na qual, aconteça o que acontecer, você sempre sairá ganhando.
Pois veja, se você morrer, terá uma dupla alegria, receberá o dinheiro da aposta e ao mesmo tempo terá provado para o corretor que você estava certo, e ter razão, mesmo numa desgraça, sempre faz bem ao ego.
Por outro lado, se você não morrer, terá um tristeza, é verdade, a de ter perdido a aposta, mas ao mesmo tempo terá a indescritível alegria de ainda continuar vivo.
Além disso, se o fato de perder uma aposta te deixa muito chateado, não se preocupe, basta continuar apostando que um dia você ganha.



(este artigo foi gentilmente patrocinado por: N & Mr Tom Seguradora)