REFLEXÕES DO MESTRE SOBRE SI MESMO.

Certa vez o grande sábio estava sentado sobre uma pedra, nos jardins suspensos do seu instituto, que ele mandou rebaixar porque a altura lhe causa vertigens. Estava ele meditando profundamente, com o olhar perdido em algum ponto indefinido do horizonte. Enquanto o mestre meditava, passou por ali um dos seus inúmeros discípulo, que ao vê-lo resolveu ir falar com ele, na esperança de que pudesse aprender alguma coisa com o seu mestre. Os seus discípulos têm essa desagradável mania, não podem ver o grande sábio e logo vão até ele, na esperança de que algum mistério do universo lhes seja revelado.

Chegando perto do sábio Niestévisky, o seu discípulo pergunta:
_ Mestre, o que o senhor faz aí sozinho?
O mestre responde:
_Estava aqui meditando sobre algo que me tem incomodado muito.
_Oh grande sábio, mas o que pode estar lhe causando esse incômodo? Deve ser algo muito importante e complicado, já que o senhor, com a sua mente brilhante, consegue resolver facilmente os mais intrincados problemas.

_ Pois é, mas esse é realmente um problema de difícil entendimento, até mesmo para mim. – Respondeu Niestévisky.

Curioso, o discípulo quis saber qual era o tal problema. Mesmo sabendo que aquele jovem rapaz não teria capacidade suficiente para entender, o mestre expôs o que lhe afligia:

Niestévisky: Sabe, meu caro pupilo, eu já escalei as montanhas mais altas do mundo, já subi, nu e descalço, o Himalaia. Passei meses meditando nos mais inóspitos desertos da terra. Visitei o interior de vulcões ativos. Explorei cavernas que se estendiam por quilômetros e quilômetros pelo interior do planeta. Atravessei florestas virgens, onde nenhum homem jamais havia pisado antes. Já atravessei a nado todos os mares e mergulhei, sem equipamento, nos oceanos mais profundos. Até mesmo em outros planetas eu já estive.

Discípulo: Sim mestre, todos esses feitos fabulosos são de conhecimento de toda a humanidade. Mas ainda não entendo que relação isso tem com o fato do senhor estar aqui meditando.

Niestévisky: É que enquanto eu pensava sobre todas essas minha aventuras, eu percebi uma coisa que me deixou incomodado. Percebi em todos os lugares onde eu já fui, invariavelmente, lá estava eu.

Discípulo: Mas mestre, em que isso lhe aflige?

Nistévisky: Ora, desejo saber o que eu quero comigo mesmo, para que eu fique me perseguindo tanto assim!

Sem entender nada, o discípulo inventou uma desculpa qualquer e foi embora. Definitivamente ele ainda não estava preparado para compreender o intrincado raciocínio do grande sábio Niestévisky.
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