O DIÁRIO SEMANAL





Niestévisky certa vez, por estar Insatisfeito com a imprensa nacional, resolveu lançar uma publicação como alternativa ao que estava circulando por aí. Apesar de possuir poucos recursos financeiros e uma equipe de funcionários bem reduzida, que se limitava basicamente a ele mesmo, e às vezes nem mesmo isso, já que quase sempre ele faltava ao trabalho, em pouco tempo saiu o primeiro número do “Diário Semanal”, o mundialmente desconhecido periódico, que circulava semana sim, semana não, isso quando o mimeógrafo funcionava.

Pouco tempo depois o jornal acabou falindo, mas mesmo assim, apesar de sua breve existência, o Diário Semanal passou para a história como o criador de um novo estilo de jornalismo, o “jornalismo criativo” Esse novo e revolucionário método de abordar as notícias consiste em basicamente deixar que o jornalista de asas à sua criatividade e com isso torne a notícia mais espetacular e atraente para o leitor, afinal, segundo palavras do próprio Niestévisky:

O público não tem culpa se nada interessante aconteceu ou se a notícia é chata, por isso, por profundo amor ao público, não custa nada dar uma pequena melhoradinha no fato relatado. Não existe notícia desinteressante, o que existe é jornalista sem criatividade.

Para os curiosos, segue abaixo a reprodução de uma matéria do jornal para que todos possam conhecer um pouco de como era o estilo do “Diário Semanal"

Ontem pela manhã, o senhor José da silva, durante uma possível desavença, acabou vitimando com disparos de arma de fogo, o senhor José da silva.

A polícia investiga o crime com extremo cuidado, já que o fato de o assassino e do assassinado serem homônimos dificulta grandemente o bom andamento do inquérito.

O delegado que originalmente investigava o caso foi destituído por se deixar perder na confusão dos nomes. Segundo o que pudemos apurar, o problema já começou com a chegada da polícia no local, que teve dificuldades para saber qual José era a vítima e qual era o homicida. Dizem testemunhas, que o delegado chegou a dar voz de prisão ao falecido.

Logo a discussão começou e se estendeu por vários minutos. O silêncio só voltou ao local quando todos perceberam, perplexos, que no meio da confusão de vozes que reclamavam da ineficiência da polícia, o delegado havia prendido, algemado e trancado no camburão, a si mesmo. É que por um desses acasos do destino, seu nome também era José da Silva.

Assim que notaram o engano, o delegado foi solto e mandado para casa, já que estava visivelmente irritado com o ocorrido. Em entrevista dada ao nosso repórter, o delegado José da Silva nos disse que pretende processar o estado por ter sido submetido a uma prisão arbitrária e aviltante, afinal, ele foi preso mesmo sendo inocente e tendo um excelente álibi. Na hora do crime ele estava na delegacia trabalhando.

Sobre os envolvidos diretamente no crime, nem o assassino nem a vítima quiseram falar com a reportagem e se reservaram ao direito de apenas falarem na frente do Juiz, e mesmo assim, apenas se o Juiz perguntar alguma coisa.

Apesar disso, testemunhas oculares que chegaram no local algumas horas depois do triste ocorrido, afirmam que tudo não passou de um lamentável engado. Segundo o que disseram, o senhor José da Silva, o assassino, queria mesmo era cometer suicídio, mas estava sem coragem para executar tal ato desesperado e por isso bebeu um pouco para criar coragem. O problema é que como a coragem demorava para aparecer, e a bebida estava boa, ele acabou bebendo demais e assim, com o raciocínio comprometido pelo álcool, na hora de se suicidar-se a si mesmo dando cabo da própria vida, acabou se confundindo e suicidando o outro José da Silva, crente que o outro se tratava dele mesmo.

As investigações continuam e assim que obtivermos mais detalhes faremos nova reportagem sobre o crime.

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