UM BREVE CONTO DE TERROR POLÍTICO.




Essa noite tive um pesadelo horrível. O mundo havia sido invadido por zumbis candidatos a vereador, seguidos por uma horda de eleitores sem cabeça. Eles me perseguiam pedindo o meu voto e me obrigavam a ouvir os seus planos mirabolantes.


Fugi, mas era quase impossível! Eles me perseguiam em carros funerários, e para aumentar ainda mais o meu desespero, sobre os carros estavam instaladas potentíssimas cornetas de som que tocavam sem parar uma cacofonia monstruosa de jingles políticos, quase todos paródias ridículas de músicas popularescas de quinta categoria.


Então, no auge do meu desespero, ergui as mãos para os céus e pedi socorro. Nessa hora o céu se abriu e apareceu uma figura enorme pairando entre as núvens. Parecia o Zé do Caixão, mas falava com a língua presa e tinha numa das mãos apenas quatro dedos, adornados por unhas enormes. Ele me disse: Fique calmo companheiro. E começou a fazer estranhas metáforas entre o que eu estava passando e uma partida de futebol. Lá fui eu novamente, fugindo em desabalada carreira.


Ao dobrar uma esquina levei mais um susto! Dei de cara com um ser estranho, com olheiras profundas, uma cara desanimada e uma serra elétrica nas mãos. Esse, além de pedir meu voto, queria arrancar meu maço de cigarros!!! com um resto de coragem que eu ainda tinha, respondi que não daria. Ao ouvir a minha negativa, ele me disse, com um tom ameaçador: Já que você quer fumar, então eu te levarei para a área de fumantes, o vácuo frio do espaço sideral! Dito isso, ele se transformou num enorme tucano negro que voava em minha direção gritando: Quer fumar? Nunca mais, nunca mais...


Nova correria! Depois de algum tempo consegui finalmente encontrar um lugar seguro, ou pelo menos me parecia seguro. Com a minha fé abalada, eu gritei: Pai, por que você me abandonou! Nessa hora apareceu um raio de luz de onde saiu um homem com longas barbas brancas. Pensei que agora eu seria salvo, mas assim que ele se aproximou de mim, pude ler nas suas vestes brancas a seguinte frase: Para Deus, vote Jeová.


Nova correria! Dessa vez parei sobre uma ponte. Eu estava ofegante e cansado, tanto física quanto moral e espiritualmente. Não aguentando mais, resolvi partir para um ato extremo, o suicídio. Pulei da ponte, mas a minha queda foi amortecida por um mar de panfletos políticos. Eram bilhões de papeis com rostos estampados e frases de efeito. Apanhei um daqueles papeis o olhei para ele, inacreditavelmente, a foto crio vida e me disse: Vote em mim!

Acordei gritando!
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