O VENDEDOR


Voltando da cidade, para onde Niestévisky o havia mandado numa missão, o discípulo vai ao encontro do Mestre, lhe entrega um pequeno pacote e diz:


Discípulo: Oh Grande Niestévisky, comprei o relógio que o senhor me pediu. (era um relógio daqueles de bolso, com uma corrente presa nele) É exatamente igual ao outro que o senhor tem, comprei no mesmo camelô. Mas sabe Mestre, não entendi uma coisa, por que o senhor mandou comprar esse relógio se já possui um exatamente igual?

Niestévisky: É que eu vendi o outro, e como você sabe, preciso de um relógio assim para as sessões terapêuticas. Eu não estava muito interessado em vender, mas o preço que o homem pagou por ele foi irresistível.

Discípulo: Desculpe a curiosidade, mas foi vendido por quanto?

Niestévisky: 100 mil reais.

Discípulo: 100 mil!!! 100 mil reais por um relógio que nem funcionava direito?!?! Mas esse relógio não vale nem 100 reais. Para ser mais preciso, um novo vale 17, 50.

Niestévisky: Eu sei. Mas ele me disse que achou o relógio muito bonito e perguntou onde poderia comprar um igual. Então eu disse que se ele quisesse, eu poderia vender aquele mesmo.
Discípulo: E ele aceitou esse preço absurdo?

Niestévisky: Bem, no começo ele teve uma atitude parecia com a sua, de espanto. Em seguida ele riu e disse que eu deveria estar louco. Mas eu lhe falei das qualidade do relógio, da sua beleza etc

Discípulo: Ah, o senhor me desculpe, mas ele caiu nessa?

Niestévisky: Bem, eu usei bons argumentos, mas confesso que talvez o fato de eu ficar balançando o relógio na sua frente enquanto eu falava, possa ter influenciado um pouquinho.


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