DESOBEDIÊNCIA E SOBREVIVÊNCIA





Em determinadas circunstâncias, desobedecer os pais pode salvar a vida de um filho, e eu sou a prova viva disso. Durante a minha infância, minha mãe, como toda boa mãe, me mandava escovar os dentes. Mas eu, como criança prodígio que era, estava sempre muito atarefado com coisas mais importantes. Eu tinha que estudar textos sagrados, levitar, meditar, conversar com gnomos, dominar todas as ciências do universo, e coisas desse tipo.


Por isso, unicamente por falta de tempo, eu não escovava meu dentes com muita regularidade. Sim, às vezes é preciso fazer alguns sacrifícios para atingir um objetivo maior e mais nobre. Afinal, não é fácil ser um gênio! Salvar a humanidade sempre foi o meu objetivo, e até mais que isso, posso dizer que salvar a humanidade é o meu destino! Ora, com o destino de bilhões de almas em minhas mãos, o meu hálito, definitivamente, não era uma prioridade.


Pois bem, um dia, quando eu tinha 10 anos, resolvi fazer um avião. Para isso eu usei uma geladeira velha, um despertador estragado e mais algumas coisas que encontrei na garagem da minha casa. Deu algum trabalho, demorei quase um dia inteiro, mas consegui. Com meu avião concluído, agora era preciso testá-lo para me certificar de que ele estava realmente funcionando. Por isso eu o levei até um campo de futebol perto de casa, e dei a partida no motor. Funcionou, e eu sai voando através da imensidão do céu azul.


Claro que sendo eu apenas uma criança, portanto sem as habilidades intelectuais plenamente desenvolvidas ainda, cometi alguns erros no meu projeto e por isso o meu aeroplano acabou tendo alguns problemas e eu acabei caindo no meio da floresta amazônica, depois de 17 horas de voo.


Bem, imagino que agora você esteja se perguntando, cheio de preocupação e angústia: “Meu Deus, será que Niestévisky sobreviveu ao desastre?!” Sim, eu sobrevivi. Apesar da gravidade do acidente, eu sai ileso. Meu corpo estava intacto, sem nenhum arranhão sequer, apenas o incômodo sentimento de frustração por ter falhado me causou algum desconforto mental.

E lá estava eu, completamente perdido no meio da floresta, sem nenhum equipamento de sobrevivência e sem comida. Fique vagando perdido no meio da mata por 2 meses, sem avistar nenhum ser humano, e só não morri de fome antes de ser resgatado, porque durante esse tempo eu me alimentei dos restos de comida que havia entre meus dentes.
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