DIÁLOGO SOBRE A SOLIDARIEDADE.


Vendo que o mestre olhava com tristeza para a foto de um velho recorte de jornal, um dos seus discípulos perguntou:


Discípulo: O que aconteceu Mestre, recordações tristes?


Niestévisky: Sim. Estou vendo a foto de um amigo falecido.


Discípulo: Perder amigos é muito triste. Faz tempo que ele morreu?


Niestévisky: Sim, já faz mais de 40 anos.


Discípulo: Que bonita amizade, tanto tempo depois e o senhor ainda se lembra dele com tanta ternura. De que ele morreu?


Niestévisky: Executado na cadeira elétrica. Este jornal deu a notícia da execução.

Discípulo: Sério?!?!


Niestévisky: Sim, mas ele, apesar de haver cometido alguns erros, ainda assim era um bom compars... Quer dizer, companheiro. Eu fui ver a execução, ele quis que eu fosse. Foi muito triste. Aquilo me deixou traumatizado. Até hoje, toda vez que vou a uma churrascaria, o cheiro me faz lembrar dele. Mas sabe, o pior é que carrego comigo um certo remorso. Eu me neguei a realizar o seu último pedido.


Discípulo: Puxa mestre, isso é uma coisa que não se faz a um homem que vai morrer. O último pedido é algo quase sagrado. Mas o que foi que ele pediu?


Niestévisky: Bem, ele me disse que estava com muito medo e por isso me pediu que eu segurasse a sua mão enquanto fosse eletrocutado.
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