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28 de jun de 2011

O DIÁRIO SEMANAL





Niestévisky certa vez, por estar Insatisfeito com a imprensa nacional, resolveu lançar uma publicação como alternativa ao que estava circulando por aí. Apesar de possuir poucos recursos financeiros e uma equipe de funcionários bem reduzida, que se limitava basicamente a ele mesmo, e às vezes nem mesmo isso, já que quase sempre ele faltava ao trabalho, em pouco tempo saiu o primeiro número do “Diário Semanal”, o mundialmente desconhecido periódico, que circulava semana sim, semana não, isso quando o mimeógrafo funcionava.

Pouco tempo depois o jornal acabou falindo, mas mesmo assim, apesar de sua breve existência, o Diário Semanal passou para a história como o criador de um novo estilo de jornalismo, o “jornalismo criativo” Esse novo e revolucionário método de abordar as notícias consiste em basicamente deixar que o jornalista de asas à sua criatividade e com isso torne a notícia mais espetacular e atraente para o leitor, afinal, segundo palavras do próprio Niestévisky:

O público não tem culpa se nada interessante aconteceu ou se a notícia é chata, por isso, por profundo amor ao público, não custa nada dar uma pequena melhoradinha no fato relatado. Não existe notícia desinteressante, o que existe é jornalista sem criatividade.

Para os curiosos, segue abaixo a reprodução de uma matéria do jornal para que todos possam conhecer um pouco de como era o estilo do “Diário Semanal"

Ontem pela manhã, o senhor José da silva, durante uma possível desavença, acabou vitimando com disparos de arma de fogo, o senhor José da silva.

A polícia investiga o crime com extremo cuidado, já que o fato de o assassino e do assassinado serem homônimos dificulta grandemente o bom andamento do inquérito.

O delegado que originalmente investigava o caso foi destituído por se deixar perder na confusão dos nomes. Segundo o que pudemos apurar, o problema já começou com a chegada da polícia no local, que teve dificuldades para saber qual José era a vítima e qual era o homicida. Dizem testemunhas, que o delegado chegou a dar voz de prisão ao falecido.

Logo a discussão começou e se estendeu por vários minutos. O silêncio só voltou ao local quando todos perceberam, perplexos, que no meio da confusão de vozes que reclamavam da ineficiência da polícia, o delegado havia prendido, algemado e trancado no camburão, a si mesmo. É que por um desses acasos do destino, seu nome também era José da Silva.

Assim que notaram o engano, o delegado foi solto e mandado para casa, já que estava visivelmente irritado com o ocorrido. Em entrevista dada ao nosso repórter, o delegado José da Silva nos disse que pretende processar o estado por ter sido submetido a uma prisão arbitrária e aviltante, afinal, ele foi preso mesmo sendo inocente e tendo um excelente álibi. Na hora do crime ele estava na delegacia trabalhando.

Sobre os envolvidos diretamente no crime, nem o assassino nem a vítima quiseram falar com a reportagem e se reservaram ao direito de apenas falarem na frente do Juiz, e mesmo assim, apenas se o Juiz perguntar alguma coisa.

Apesar disso, testemunhas oculares que chegaram no local algumas horas depois do triste ocorrido, afirmam que tudo não passou de um lamentável engado. Segundo o que disseram, o senhor José da Silva, o assassino, queria mesmo era cometer suicídio, mas estava sem coragem para executar tal ato desesperado e por isso bebeu um pouco para criar coragem. O problema é que como a coragem demorava para aparecer, e a bebida estava boa, ele acabou bebendo demais e assim, com o raciocínio comprometido pelo álcool, na hora de se suicidar-se a si mesmo dando cabo da própria vida, acabou se confundindo e suicidando o outro José da Silva, crente que o outro se tratava dele mesmo.

As investigações continuam e assim que obtivermos mais detalhes faremos nova reportagem sobre o crime.

21 de jun de 2011

NIESTÉVISKY, O MÉDIO.


Há males que vêm para bem e, embora seja raro, às vezes algo ruim pode surpreendentemente se converter em algo bom. O que contarei em seguida é um ótimo exemplo disso:

Certa vez uma jovem estava insatisfeita com seu aspecto físico. No conjunto a garota até que não era feia, muito embora também não fosse o contrário. Era de uma beleza média, ou talvez um pouco abaixo da média, mas nada muito comprometedor. Na verdade, o maior problema com ela é que não havia nada em seu corpo que se destacasse, nenhum atributo físico que chamasse a atenção dos rapazes. Foi pensando sobre isso que a garota resolveu se submeter a uma cirurgia plástica.

Não possuindo dinheiro suficiente para fazer uma mudança completa, ela optou por fazer uma plástica nos seios. Aumentar o tamanho, aperfeiçoar o formato etc. No começo ela procurou médicos renomados e experientes, mas estes cobravam muito mais do que a garota poderia pagar, por isso ela foi obrigada a ir baixando cada vez mais o seu padrão de exigência até que finalmente encontrou um cirurgião cujo preço fosse compatível com o que ela poderia gastar.

O escolhido foi um jovem médico, que na época era ainda tão jovem que nem mesmo diploma de medicina possuía. Seu nome, Doutor Niestévisky, "o Médio" (naquela época ainda não era conhecido como o Grande).

Bem, na verdade Niestévisky já era formado, e com louvor, na escolinha primária Reino Encantado Da Vovó Dorotéia, mas isso não era suficiente para que ele pudesse clinicar livremente por aí. Por isso seu consultório ficava, digamos “oculto” nos fundos de um açougue, onde nas horas vagas ele treinava a nobre arte da cirurgia, extraindo picanhas, alcatras e filés, dos corpos inertes de bois e vacas que haviam partido desta vida e que naquela hora já deveriam estar felizes e satisfeitos, pastando no grande e verdejante pasto do além. Apesar de um açougue, com toda a atmosfera de morte que envolve o lugar, não parecer um espaço muito adequado para um homem iluminado como Niestévisky, devo dizer que aquele não era um açougue como os outros. Toda carne vendida lá não era obtida através do abate de animais. Claro que a carne vinha de animais falecidos, mas eram todos vítimas de morte natural, velhice, alguma doença não diagnosticada em tempo, ou no máximo, atropelados quando atravessavam sem olhar, a rodovia que ficava ali por perto. Como essa prática talvez não fosse vista com bons olhos pela secretaria de saúde, o açougue ficava, digamos “oculto” nos fundos de um bar. O bar, como não possuía nenhum tipo de licença, ficava, digamos, “oculto” nos fundos de uma fábrica de fogos de artifício, e assim por diante.

Mas, deixemos o açougue de lado e voltemos à garota. Ela marcou uma consulta, onde foi submetida aos mais rigorosos exames disponíveis para saber se estava apta para ser submetida a uma intervenção cirúrgica daquele porte. Os exames foram dois, no primeiro foi constatado que havia fundos para cobrir o cheque, e no segundo foi lido um laudo rigoroso sobre o prognóstico da cirurgia, escrito na coluna de horóscopo do jornal.

Depois de pronta essa fase, a operação foi finalmente marcada, para aquela mesma tarde. A pressa se justifica porque isso evitaria alguns efeitos indesejáveis, como, por exemplo, o de a paciente ser tomada de um repentino e galopante surto de bom senso e mudar de ideia.

Por fim, a cirurgia foi executada, mais uma das muitas cirurgias já feitas pelo jovem doutor e, desta vez, sem baixas. O resultado, bem... de fato a mudança nos seios da garota foi impressionante. Eles não só aumentaram consideravelmente de tamanho e adquiriram um belíssimo formato arredondado, como também mudaram um pouco de lugar. Por um problema, possivelmente de rejeição, os seios rejeitaram o lugar onde deveriam ficar normalmente e acabaram indo parar nas costas da garota!

Ela, quando descobriu o que havia acontecido, ficou extremamente irritada e ameaçou processar o Doutor Niestévisky. Porém, mesmo sendo ainda um jovem sem muita experiência de vida, Niestévisky já era Niestévisky, e mesmo não sendo ainda “O Grande”, como já foi dito, ao menos já poderia ser conhecido como “O Médio”, portanto já possuía a sua afamada lábia cósmica. Niestévisky é um homem em constante evolução.

Com um pouco de conversa, lágrimas, fotos de crianças que ele alegou serem de seus pobres filhos órfãos de pai e mãe, mensagens subliminares e coisas assim, ele acabou convencendo a garota de que aquilo que aparentemente era um problema lamentável, poderia se transformar em algo positivo se ela soubesse capitalizar aquilo em seu favor.

A garota, sabe-se lá como, acabou sendo convencida a lhe dar uma chance. E de fato a jovem conseguiu o que queria, atrair o desejo dos rapazes, mesmo não sendo exatamente da forma como esperava. Hoje ela é o maior sucesso nos bailes que fraquenta. Todos os homens fazem fila e até brigam para dançar com ela, principalmente as músicas mais lentas, onde os rapazes devem dançar abraçados ao seu corpo, apoiando as mãos nas suas costas.

1 de jun de 2011

SOBRE ERROS, ACERTOS E DÚVIDAS.




Como todos sabem, e quem não sabe deveria saber, eu jamais errei. Nunca consegui cometer um erro qualquer, jamais fui capaz de sentir a sensação de falhar em algo. Por isso um dia eu resolvi errar de propósito, apenas para saber como é. Mas falhei. Não vou entrar em detalhes sobre como foi a tentativa, mas o fato é que tentando errar, sem querer, acabei acertando.

Então o que aconteceu foi o seguinte: Tentei errar, mas ao acertar acabei errando na minha tentativa de errar, sendo assim, falhei.

Porém, acertar quando meu objetivo era errar fez com que eu errasse na tentativa de errar. Assim, a minha tentativa de errar acabou dando certo. Então obtive sucesso.

No entanto, se a minha tentativa de errar deu certo, isso quer dizer que mais uma vez eu consegui acertar. Então a tentativa de errar foi um fracasso.

Por outro lado... bem, para concluir, o fato é que até hoje não sei dizer se errei ou não, e provavelmente jamais saberei, pois sempre que começo a pensar sobre isso acabo me perdendo no meio do raciocínio e tenho que parar por causa da dor de cabeça.