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25 de nov de 2010

EPÍSTOLA DA ITÁLIA.



Caro discípulo, creio que já terminei a minha missão aqui na Itália, portanto estou de malas prontas para retornar ao nosso querido Brazil, ou melhor dizendo, Brasil. Mas antes do meu retorno ao lar, deverei fazer uma breve visita ao Paraguai, pois esse nosso país irmão, carente dos meus elevados ensinamentos, contratou uma série de palestras minhas sobre temas diversos.

Infelizmente descobri que estão vendendo as minhas palestras com o nome do palestrante alterado. Até isso se falsifica hoje em dia... Pensei em reclamar, mas como o pagamento é bom, e o que importa é espalhar meus conhecimentos polo mundo, farei assim mesmo. Para não frustrar a plateia, assumirei a identidade do nome posto no cartaz, será difícil mas pelo menos também será um bom exercício de interpretação teatral. Portanto, se você ouvir dizer que Bill Gates, Nelson Mandela, Al Gore e Gandhi, estão palestrando no Paraguai, saiba que sou eu, mas por favor, não espalhe isso por ai. Tenho medo que se o povo souber que na realidade estas pessoas todas são Niestéveisky, haja tumulto e as ruas sejam tomadas por milhares de fãs ávidos por me ouvirem, tocarem minhas vestes sagradas, tirarem fotos comigo e cobrarem algumas pequenas dívidas que possuo na praça.

Aproveitando minha ida ao Paraguai, comprarei aquele MP3 que eu tanto queria, assim, enquanto viajo pelo mundo poderei ouvir minha coleção de cantos gregorianos, mantras tibetanos e moda de viola. Veja aí com o pessoal, se alguém quiser alguma encomenda me avise, faço um precinho camarada, coisa de mestre para discípulo.

Bem, voltando a falar sobre a Itália, tenho muitas coisas para contar, muitas experiências agradáveis, e outras nem tanto. Fui levado para conhecer Veneza, mas infelizmente levei azar, a cidade é muito bonita, mas quando estive lá as ruas estavam todas alagadas. Pelo jeito isso deve acontecer com frequência, pois a população se portava com naturalidade, mesmo diante dessa tragédia natural. Apesar disso é uma bela cidade, pretendo voltar lá quando as águas abaixarem.

Depois fui levado para conhecer a torre inclinada de Pisa, e adivinhe só o que descobri, ela está torta! E além de torta, é velha! Não entendo, a Italia é um pais rico, já poderia ter feito uma outra, mais nova, com desenho mais moderno e com fundações mais sólidas. Aliás, é incrível a quantidade de construções velhas que há por aqui! Imagino que talvez a mão de obra daqui seja muito cara, ou algo assim. Tentei pesquisar sobre isso mas, infelizmente, os italianos são muito ignorantes, ninguém, absolutamente ninguém, foi capaz de compreender o meu italiano, portanto, as perguntas que fiz foram em vão.
Também fui ao Coliseu. Os que reclamam do estado dos campos de futebol brasileiros, deveriam ver o Coliseu. Está em péssimo estado de conservação, praticamente em ruínas. Fiquei decepcionado com o governo italiano, um lugar tão famoso, e os caras não fazem nada. Poderiam pelo menos passar uma tinta, quem sabe mudar a cor das paredes, usar uma cor mais alegre.

Bem, devo dizer que os italianos são muito estranhos, por mais que eu me esforce, não consigo entender o modo como eles pensam. Para você ter uma ideia, fui presenteado com um exemplar de um livro chamado "Divina Comédia". Passei horas lendo, depois li novamente, e ainda mais uma vez, e juro, não achei a menor graça. Não entendi nenhuma piada, sei lá, italianos têm um senso de humor bem estranho.

A boa notícia é que eu consegui falar com o Papa. Como a minha viagem foi patrocinada pela ala gay dos nossos discípulos, eu estava imbuído da difícil missão de tentar mudar o pensamento do Vaticano sobre o casamento gay. Devo dizer que o Papa é muito duro de convencer, foram horas de conversa, na qual usei todo o meu poder de retórica. Não consegui tudo o que eu queria, mas ao menos consegui obter algum avanço. Graças a mim, agora o Vaticano está liberando o casamento gay. Não é uma liberação completa, existe ainda uma pequena ressalva, o Vaticano permitirá o casamento gay, desde que não seja entre gays do mesmo sexo e que o gay não se revele publicamente com tal. Bem, já é um avanço.

Encerro por aqui está breve carta, saudações cordiais.
Ass: Niestévisky.

18 de nov de 2010

A SEITA DO BANCO SAGRADO.



O discípulo foi até o gabinete de Niestévisky para conversar e, quem sabe, adquirir um pouco da infinita sabedoria niestéviskyniana. Entrou, fez os cumprimentos habituais e foi se sentar num banco que havia ali por perto. Ao ver que o discípulo estava prestes a repousar o seu herege traseiro no referido banco, Niestévisky deu um grito desesperado e ordenou que ele não esse aproximasse daquele banco. O pobre discípulo, aturdido e confuso, quase teve um ataque cardíaco causado pelo susto que levou da reação exagerada do mestre.
Num primeiro momento o discípulo pensou que a reação do mestre fosse porque se tratasse de um banco muito caro, mas depois de olhar melhor para o banco concluiu que não seria esse o caso. Era um banco bonito, entalhado em madeira, porém com aspecto rústico e desgastado, provavelmente era muito velho.

Curioso, o discípulo, ainda tremendo um pouco, perguntou:

Discípulo: Mestre, perdão! Não imaginei que eu não pudesse me sentar ai. Mas afinal, o que tem de especial esse banco velho? É alguma relíquia de família?
Niestévisky: É uma relíquia sim, mas não é de família. Esse banco me foi dado há muito tempo, para que eu fosse o seu guardião.
Discípulo: Guardião? Mas o que tem esse banco de tão especial, que precise de um guardião?
Nistévisky: Ele foi feito com a madeira da árvore Bodhi.
Discípulo: Aquela sob a qual Buda atingiu a iluminação?!?!
Niestévisky: Sim, essa mesma.
Discípulo: Mas então esse banco é realmente uma relíquia preciosa!
Niestévisky: Sim, apenas por esse fato ele já seria realmente uma relíquia prodigiosa, porém, ainda tem mais. Depois de conseguir a madeira da árvore, o fundador da mundialmente desconhecida Seita Secreta do Banco Sagrado...
Discípulo: Seita secreta do banco sagrado?! Nunca ouvi falara.
Niestévisky: Claro que não ouviu, como eu disse, somos secretos e somos bons no que fazemos. Mas continuando, o nosso fundador, sem saber direito o que fazer com aquela madeira sagrada, subiu em um monte e orou a Deus. Segundo a tradição, algumas horas depois ele desceu de lá com uma tábua onde estava registrado o desenho detalhado de um banco que deveria ser feito com aquela madeira. Inclusive, se você olhar em baixo do banco, verá a inscrição design by God.
Discípulo: Ah não mestre, design by God foi demais! Desculpe, mas nessa história está difícil de acreditar!
Niestévisky: Bem, então já que você é um homem de pouca fé, nem vou perder meu tempo contando o resto.
Discípulo: Ainda tem mais?
Niestévisky: Sim, mas não vou te contar.
Discípulo: Por que não mestre?
Niestévisky: Porque não quero perder meu tempo. Se você não acreditou no que eu disse até agora, quando eu te contar quem foi o carpinteiro que confeccionou o banco, ai é que você não acredita mesmo!

7 de nov de 2010

DIÁLOGO SOBRE CRIANÇAS E PALMADAS



Niestévisky caminhava calmamente pela calçada quando se deparou com uma cena que chamou a sua atenção. Ele viu um pai que repreendia seu filho e lhe dava algumas palmadas leves como castigo. Não suportando ver aquilo, Niestévisky aproximou-se do homem e lhe disse:

Niestévisky: Senhor, ordeno que pare já com essa brutalidade!
Pai: E posso saber quem é você para se achar no direito de me dar ordens?
Niestévisky: Ora, eu sou Niestévisky!
Pai: Senhor Niestévisky, desculpe, não o reconheci. O senhor está diferente... não sei... seus cabelos estão diferentes...
Niestévisky: Estão sim, fiz alisamento japonês.
Pai: Hum, ficou bom. Custou caro?
Niestévisky: Até que não muito, na verdade eu achei barato levando em consideração o ótimo resultado que obtive e... Ora, pare de tentar desviar o assunto, seu bruto! Onde já se viu, um homem do seu tamanho batendo em uma frágil criança!
Pai: Mas é para o próprio bem dele, o senhor deve saber que às vezes são necessárias uma palmadas para se educar um filho.
Niestévisky: Não senhor! A violência não leva a lugar nenhum, além disso, o máximo que o senhor conseguirá com isso será traumatizar o pobre menino.
Pai: Não seja tão dramático. Um pouco de castigo físico leve, aplicado na hora certa não vai traumatizar ninguém.
Niestévisky: Ora meu amigo, pois saiba que uma vez, quando eu era menino, meu pai retirou a própria cinta que estava usando e me bateu com ela, e mesmo não tendo doído quase nada, carreguei o trauma por muitos anos.
Pai: Ah não, o senhor me desculpe, mas está exagerando novamente! Uma surra de cinta, que como o senhor mesmo disse, nem doeu, não causa trauma em ninguém. Eu mesmo, apanhei muitas vezes com a cinta do meu pai e não tive trauma nenhum. E afinal, por que o senhor ficou traumatizado?
Niestévisky: Era uma cinta-liga.
Pai: … bem... nesse caso eu retiro o que disse... Mas mesmo assim, o moleque mereceu umas palmadas!
Niestévisky: Mas o que essa pobre e inocente criança fez?
Pai: Pegou uma pedra e riscou um carro.
Niestévisky: Bem, isso é errado, mas não se resolve um erro cometendo um outro. O senhor fale com o dono do carro, explique o que aconteceu, com diálogo tudo se resolve. Se quiser eu mesmo falo com ele. Qual é o carro?
Pai: (apontando) Aquele ali.
Niestévisky: Qual? Aquele fusca?
Pai: Não, o outro. A brasília.
Niestévisky: Aquela brasília verde?
Pai: Isso mesmo.
Niestévisky: A minha brasília verde?!?!

Nesse momento encerra-se o diálogo. Como informação complementar, deixo registrado que foi necessário 5 homens para segurar Niestévisky, que num acesso de fúria, enquanto proferia algumas palavras que não podem ser reproduzidas aqui, tentava acertar o moleque com a sua bengala.