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UM BREVE CONTO DE TERROR POLÍTICO.

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Essa noite tive um pesadelo horrível. O mundo havia sido invadido por zumbis candidatos a vereador, seguidos por uma horda de eleitores sem cabeça. Eles me perseguiam pedindo o meu voto e me obrigavam a ouvir os seus planos mirabolantes. Fugi, mas era quase impossível! Eles me perseguiam em carros funerários, e para aumentar ainda mais o meu desespero, sobre os carros estavam instaladas potentíssimas cornetas de som que tocavam sem parar uma cacofonia monstruosa de jingles políticos, quase todos paródias ridículas de músicas popularescas de quinta categoria. Então, no auge do meu desespero, ergui as mãos para os céus e pedi socorro. Nessa hora o céu se abriu e apareceu uma figura enorme pairando entre as núvens. Parecia o Zé do Caixão, mas falava com a língua presa e tinha numa das mãos apenas quatro dedos, adornados por unhas enormes. Ele me disse: Fique calmo companheiro . E começou a fazer estranhas metáforas entre o que eu estava passando e uma partida de futebol. Lá fui eu novamen...

O VENDEDOR

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Voltando da cidade, para onde Niestévisky o havia mandado numa missão, o discípulo vai ao encontro do Mestre, lhe entrega um pequeno pacote e diz: Discípulo: Oh Grande Niestévisky, comprei o relógio que o senhor me pediu. ( era um relógio daqueles de bolso, com uma corrente presa nele ) É exatamente igual ao outro que o senhor tem, comprei no mesmo camelô. Mas sabe Mestre, não entendi uma coisa, por que o senhor mandou comprar esse relógio se já possui um exatamente igual? Niestévisky: É que eu vendi o outro, e como você sabe, preciso de um relógio assim para as sessões terapêuticas. Eu não estava muito interessado em vender, mas o preço que o homem pagou por ele foi irresistível. Discípulo: Desculpe a curiosidade, mas foi vendido por quanto? Niestévisky: 100 mil reais. Discípulo: 100 mil!!! 100 mil reais por um relógio que nem funcionava direito?!?! Mas esse relógio não vale nem 100 reais. Para ser mais preciso, um novo vale 17, 50. Niestévisky: Eu sei. Mas ele me disse que acho...

O DIRETOR

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O Grande Niestévisky já foi diretor de um hospício. Começou de baixo, ainda como um simples interno, mas foi sendo gradativamente promovido até que atingiu o ponto mais alto da instituição, a diretoria. No entanto, o Mestre não aguentou o cargo por muito tempo. Era um trabalho muito cansativo e complicado. A toda hora aparecia algum novo problema, ou reaparecia algum problema velho. Niestévisky tentou, bravamente, continuar no emprego, precisava do dinheiro, mas certa vez aconteceu algo que o fez desistir definitivamente de tudo aquilo e ele acabou pedindo demissão, ou, para ser mais preciso, simplesmente abandonou o cargo e nunca mais apareceu na cidade. Um dia, ao chegar em casa, vindo do hospício, Niestévisky percebeu que havia esquecido alguns papeis importantes no seu escritório. Como precisava deles com urgência, resolveu ligar para lá e pedir que alguém trouxesse os documentos até a sua casa. O resultado daquele fatídico telefonema foi o seguinte: Hospício: Alô, aqui é do hospíc...

O HOMEM, A OBRA.

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Niestévisky possui uma vasta obra que trata de temas diversos, mas que possuem em comum o fato de que todos os seus trabalhos são de fundamental importância para a humanidade e para o bom andamento do universo. Como é tipico de todas as grandes obras revolucionárias, os livros do mestre ainda não foram compreendidos pelo vulgo. Mas quanto a isso Niestévisky está tranquilo, pois ele sabe que chegará o dia em que a humanidade atingirá um nível evolutivo que possibilitará o entendimento, ao menos em parte, do seu vasto conhecimento. Todos os seus livros se encontram esgotados atualmente, e como foram lançadas em edições pequenas, é quase impossível encontrá-las no mercado. Felizmente os originais, todos escritos em frágeis guardanapos de bar, encontram-se muito bem guardados na biblioteca do Vaticano, no setor de achados e perdidos. O mestre esqueceu a sua pasta quando fez uma visita ao Papa. Dizem as más línguas que foi culpa do vinho, mas não é verdade. O fato é que todos os grandes gên...

NI e STÉVISKY

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Durante a sua juventude, O Grande Niestévisky foi acometido de um problema psiquiátrico. A doença apareceu repentinamente, sem nenhum sinal prévio que indicasse algo de errado com o maravilhoso cérebro do Mestre. Ele desenvolveu dupla personalidade. Mas como Niestévisky não é homem de se deixar abater pelas agruras da vida, ou, no caso, não era homens de se deixarem abater pelas agruras da vida, ele resolveu utilizar a doença em seu favor. Aproveitando-se da dupla personalidade, montou uma dupla sertaneja. Parece que a dupla chegou a atingir algum sucesso, e em alguns lugares do interior ainda é possível encontrar pessoas que se lembram da dupla Ni e Stévisky. Mas, por mais promissora que fosse a carreira deles, ela acabou por causa de divergências artísticas. Ni e Stévisky viviam brigando para decidir quem faria a primeira e a segunda voz, e além disso também brigavam para saber quem seria o Ni e quem seria o Stévisky. Os dois queriam ser Ni porque ficava em primeiro lugar no cartaz....

VISITA SURPRESA

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De repente um discípulo entrou correndo na sala de meditação do Grande Mestre Niestévisky e avisou, bastante assustado e ofegante, que um enorme helicóptero do exército americano estava pousando nos famosos “Jardins Despencados” do instituto. (Na verdade os jardins deveriam ser suspensos, mas por um erro de execução, eles acabaram caindo) Com a sua habitual calma, o Mestre, que estava sentado em posição de lótus, levantou-se, deu pausa no seu Playstation 3 e foi até os jardins para verificar pessoalmente o que estava acontecendo. Chegando lá, Niestévisky viu que o helicóptero já havia pousado e algumas pessoas estavam saindo do seu interior. Eram todas pessoas conhecidas: O presidente dos Estados Unidos, o Presidente da Rússia, Representantes do parlamento europeu, o Papa, o presidente da ONU, O Bispo Edir Macedo, e mais alguns outros importantes líderes mundiais. Porém, no meio de todas aquelas pessoas famosas, uma se destacava. Era um homem baixinho, mais ou menos um metro e quarenta...

MATANDO O TEMPO NUM VELÓRIO.

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Niestévisky, durante a grande depressão econômica de 29, sem muitas opções de trabalho, arranjou um emprego como zelador de cemitério. O trabalho era difícil, pesado e desagradável, mas aqueles eram tempos difíceis, por isso ele aceitou o emprego. Na entrada do cemitério havia uma capela mortuária onde eram velados os defuntos. Um dia, quando não havia nada para fazer, Niestévisky notou que estava acontecendo um velório na capela. Resolveu ir até lá, só para passar tempo. Chegando ao local, Niestévisky viu dois caixões pequenos no centro da sala. Ver aquela cena o deixou comovido. Percebendo que havia um homem em pé ao seu lado, Niestévisky resolveu puxar conversa e disse: _Sabe amigo, isso é muito triste, uma tragédia realmente! A morte de uma criança já é terrível, duas então, imagino que deve ser uma dor insuportável para a família. Ao ouvir isso, o homem olhou para Niestévisky e disse: _Ah não senhor, não são crianças não. O mestre, surpreso, disse: _Oh, mas que coisa! Mas então es...