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16 de mar de 2011

NIESTÉVISKY, UM EMPREENDEDOR.



Niestévisky, utilizando seus notórios conhecimentos religiosos, psicológicos, lógicos, comerciais e qualquer outra forma de conhecimento possível para um ser humano, para um ser super-humano e até mesmo para um alienígena, e quem sabe até para um super-alienígena, montou há algum tempo, uma empresa de assessoria.

É um negócio novo, marcado pelo empreendedorismo e pelo ineditismo da assessoria que presta. O que a empresa faz trata-se, segundo alguns, de uma nova ciência, segundo outros, é uma arte, e segundo outros ainda, é... bem, esses outros são inimigos do Niestévisky, então é melhor não reproduzir aqui o que eles dizem, afinal, alguma criança pode estar lendo esse texto. Segundo o seu próprio criador, o que ele faz é uma engenharia adaptativa teológica. Apesar de não ser exatamente engenharia o que ele faz, o Mestre resolveu colocar essa palavra para agradar a sua mãe, que sempre sonhou em ter um filho engenheiro.

Bem, imagino que você deve estar se perguntando: “Mas afinal de contas, o que é essa tal de engenharia adaptativa teológica?”

Essa é uma boa pergunta, para a qual não existe ainda uma resposta definitiva. Nem mesmo Niestévisky é capaz de explicar direito o que isso é... bem, na verdade ele tentou explicar, porém até agora ninguém conseguiu entender muito bem que ele disse. Mas isso é normal, afinal se trata de uma nova ciência ainda em fase de desenvolvimento. O fato é que esse é um negócio muito abrangente, que envolve muitas disciplinas diferente e etc etc etc
O slogan da empresa é “Pagando, topamos qualquer parada!”

Bem, acho melhor parar de ficar enrolando, e partir logo para um exemplo prático, que se não exemplifica a totalidade da ideia, ao menos servirá para que o leitor compreenda, mesmo que apenas uma pequena fração do que faz a E.A.E.A.T (Empresa de Assessora de Engenharia Adaptativa teológica)
Um dos primeiros trabalhos executados pela E.A.E.A.T, foi o de resolver uma discussão teológica que envolvia duas seitas exóticas de um pequeno país igualmente exótico, chamado Nanostão. Esse país é tão pequeno que quase ninguém conhece, inclusive, até mesmo alguns moradores do país desconhecem a sua existência, mas para dar uma referência geográfica, ele fica, mais ou menos, na divisa entre o Uruguai e a Estônia, quase encostado no Japão, porém um pouco mais para a esquerda, a esquerda de quem entra.

Embora seja um país pequeno, a divergência religiosa estava ameaçando se transformar numa grande guerra civil que acabaria gerando dezenas de morte, e poderia até mesmo chegar a centenas, isso se a população do país chegasse aos milhares.

A discussão, para nós que não somos adoradores da Grande Vagina Mater Da Quarta Dimensão, pode até não fazer muito sentido, e na verdade não faz mesmo, mas para o belicoso povo de Nanostão, faz. Não vou entrar em detalhes sobre essa religião para não cansar o leitor. Além disso, não importa muito saber sobre ela, já que A Grande Vagina Mater Da Quarta Dimensão não passa de um culto pagão baseado em mera mitologia e desprovida de crédito, afinal de contas, todos sabemos que religião verdadeira mesmo é a nossa, seja ela qual for.

Todo o conflito começou quando uma facção passou a dizer que o profeta deles havia recebido uma mensagem divina dizendo que o fim do mundo seria causado por uma grande inundação. Segundo eles, um dia a Grande Vagina Mater se cansaria de tudo, daria a descarga e o mundo iria para o limbo, ou esgoto, dependendo da tradução, já que no idioma local a mesma palavre serve para as duas coisas. Só seriam salvas aquelas almas que estivessem tão cheias de méritos e bons sentimentos, que acabaria sendo grandes de mais para passar pelo grande ralo do apocalipse.

O problema é que no mesmo dia, e à mesma hora, o profeta da outra facção também disse que havia recebido uma mensagem divina dizendo, sem a menor sombra de dúvida, que o mundo acabaria com fogo. Segundo eles, um dia A Grande Vagina Mater se cansaria de tudo, enrolaria o planeta num pedaço de papel e fumaria o planeta, e tudo o que houvesse nele. Segundo eles, as boas almas seriam salvas e viveria eternamente felizes habitando eternamente a bituca sagrada.
No princípio um grupo tentou convencer o outro grupo de que estava errado. E, por mais incrível que pareça, deu certo, ou mais ou menos. A facção dos da água passaram a crer na ideia do fogo, mas, desgraçadamente, ao mesmo tempo os que acreditavam no fogo reconheceram que estavam errados e passaram a acreditar no apocalipse causado pela água. Ou seja, mudou tudo, mas tudo continuou na mesma.

Logo o que era uma simples discussão teológica, se transformou em ofensas pessoais, eventuais agressões físicas e coisas assim. Como a briga estava saindo do controle, o presidente decidiu apelar para a E.A.E.A.T. Como ele ficou sabendo da existência da empresa, eu não sei. Mas o fato é que o contrato foi feito entre as partes, ficando estipulado que Niestévisky deveria encontrar um modo de acabar com a divergência religiosa unir novamente o povo de Nanostão. Em troca foi acertado um preço, que por cláusula contratual, não pode ser divulgado. Sabe-se apenas que foi um bom dinheiro, mesmo depois de retirado dez por cento do valor, que foi “doado”, por assim dizer, para a A.P.P.N ( Oficialmente a sigla significa Associação Protetora dos Pobres de Nanostão, porém, o real significado é Associação de Presidentes pobres de Nanostão.)

Depois de estudar bem o caso, ouvir os dois lados, meditar profundamente sobre qual dos dois dogmas seria o melhor, Niestévisky concluiu que a única solução seria juntar tudo numa coisa só. Para fazer isso, Niestévisky chamou os dois profetas para uma reunião. Depois de horas de conversa, argumentações, retórica, e até chantagens emocionais, eles ainda permaneciam irredutíveis. Desse modo, sem haver outro jeito, Niestévisky teve que apelar para um método muito antigo de convencimento, que apesar de antigo, ainda funciona muito bem, o suborno. Assim, com uns poucos dólares, dois pacotes de viagem para a Disney, quatro caixas de cerveja e uma jaqueta de couro de segunda mão, mas ainda em bom estado, tudo se resolveu. Os profetas apareceram em cadeia nacional de rádio e televisão, e deram uma desculpa esfarrapada. Até poderiam dar uma desculpa um pouco melhor, mas o povo de Nanostão é igual a qualquer outro povo do mundo, gosta de respostas simples, que não precisem de muita reflexão e que resolvam tudo facilmente, mesmo que não resolvam nada de fato.

Os profetas alegaram que tinham entendido errado a mensagem divina, que ela havia chegado com muitos cortes, som baixo e muitos chiados, o que era até aceitável, já que a mensagem veio por telefone, e todos sabem que a telefonia de Nanostão tem sério problemas, principalmente quando se trata de ligações feitas entre longas distâncias, e o além é realmente muito distante. Segundo o que os profetas disseram, vendo os problemas que a mensagem defeituosa causou, a Grande Vagina Mater da Quarta Dimensão resolveu mandar uma versão escrita, que só chegou agora, por culpa da greve dos correios do além.

Segundo a versão corrigida da mensagem, o mundo não acabaria com água e nem com fogo. O fim do mundo seria causado pelas duas coisas ao mesmo tempo, ou para ser mais preciso, o mundo acabaria com água fervendo caindo dos céus. Infelizmente ninguém encontrou um modo de unificar o grande ralo e a sagrada bituca do além, assim, as duas ideias foram abandonadas e foi criado um novo modo para a salvação das almas. Agora a nova teologia diz que pouco antes do fim, um portal será aberto no céu, e através dele passarão todas as almas merecedoras da graça divina da Grande Vagina Mater da Quarta Dimensão, sendo assim salvas de serem fervidas. É claro que só atravessarão o dito portal, as almas que forem realmente merecedoras. Por isso haverá um anjo armado próximo da entrada verificando se a alma candidata a entrar está de posse do atestado de bons antecedentes espirituais, um documento que será emitido pelo governo, mediante uma pequena taxa que será toda revertida para a A.P.P.N.

Esse foi apenas um pequeno exemplo dos serviços que Niestévisky presta com sua nova empresa. Creio que nem é preciso dizer o quanto esse novo tipo de serviço é promissor, afinal de contas, divergências religiosas nunca faltarão. No entanto, apesar de haver muita demanda no mercado, Niestévisky já está pensando em ampliar os negócios, talvez trabalhar também com questões politico ideológicas, futebolísticas e coisas do tipo.

2 de mar de 2011

PEQUENO DIÁLOGO SOBRE UM ANÃO... OU NÃO.




Certo dia, pela manhã, na hora costumeira de acordar, Niestévisky abriu a porta do seu quarto e foi fazer sua caminhada matinal pelos jardins do seu instituto. Normalmente o seu despertar não chamava muito a atenção, mas naquele dia havia algo diferente, algo inusitado, que acabou despertando a curiosidade nos seus discípulos. Naquela manhã Niestévisky não caminhava sozinho, estava caminhando na companhia de um anão.

Logo os discípulos começaram a perguntar se alguém sabia quem era aquele homenzinho. Ninguém soube responder. Perguntas surgiam por todos os lados. Quem era aquele anão? O que ele fazia caminhando ao lado do mestre? De onde ele veio? Qual o sentido último de todas as coisas? ( essa última pergunta não tem nenhuma relação com o caso, mas é uma boa pergunta) Muitas perguntas, mas nenhuma resposta. Bem, aquilo era estranho, mas muitas coisas estranhas sempre aconteciam com Niestévisky. Para se ter uma ideia, o dia mais estranho de todos, foi o dia em que nada estranho aconteceu no instituto.

Depois da caminhada, os dois voltaram para o quarto e ficaram lá até o meio-dia. Quando soou o sino chamando todos para o almoço, Niestévisky saiu do seu quarto e foi almoçar, sozinho. Enquanto servia a comida para Niestévisky, um dos discípulos resolveu aproveitar a oportunidade para tentar descobrir alguma coisa sobre o anão. Fez isso perguntando ao mestre, assim como quem não quer nada, se o seu novo amigo não viria almoçar com ele. Niestévisky respondeu que não viria porque a alimentação dele era especial, e além disso não era bom que o homenzinho ficasse exposto por muito tempo. O discípulo até tentou desenvolver a conversa, mas Niestévisky desligou seu aparelho auditivo, dando com isso uma clara indicação de que não queria ser importunado.

Certo, o que aconteceu naquela manhã foi realmente estranho, mas teria sido facilmente esquecido, não fosse por um pequeno detalhe: Na outra manhã tudo se repetiu, exatamente igual, nos mínimos detalhes. E não parou por ai, durante um mês Niestévisky acordou, saiu para caminhar com o anão, depois voltou pra o quarto, ficou lá até a hora do almoço e foi almoçar sozinho.

Passado tanto tempo, a curiosidade cresceu de tal maneira que ninguém conseguia mais suportar. Assim, elegeram um dos discípulos, e mandaram o rapaz ir até o mestre e perguntar de uma vez por todas, o que estava acontecendo. E ele foi, meio contra a vontade, mas foi. É impressionante o poder de convencimento que uma ameaça de linchamento possui.

O discípulo chegou perto do mestre, e então aconteceu o seguinte diálogo:

Discípulo: Mestre, desculpe, sei que não devemos nos intrometer nas suas coisas, mas todos estamos curiosos.


Niestévisky: Sobre o quê?


Discípulo: Sobre esse homenzinho que está vivendo no seu quarto.


Niestévisky: Hum, o que tem ele?


Discípulo: Bem, queremos saber quem é ele, de onde veio, porque ele não almoça com o senhor, essas coisas.


Niestévisky: Ele não almoça comigo porque a sua comida é especial.


Discípulo: Como assim?


Niestévisky: Ora, ele precisa de alimentação adequada, balanceada, etc, para que os procedimentos aos quais ele é submetido tenham melhores resultados. A alimentação, um pouco de sol matinal, uma tesourinha sem ponta, e algumas outras coisinhas secretas, são capazes de fazer verdadeiros milagres. Ah, até me comovo quando penso nos milagres que a ciência é capaz de criar. (nesse momento uma lágrima furtiva rolou pela sua face, mas não se sabe ao certo se foi de emoção, ou se foi por causa da catarata que tem acometido seus olhos cansados nos últimos anos)


Discípulo: Procedimentos? Ele está sob alguma espécie de tratamento, ou algo assim?

Niestévisky: Bem, pode-se dizer que sim.

Discípulo: Ah sei, acho que entendi. Imagino que deve ser algum tratamento para o seu problema.

Niestévisky: Problema? Que problema?!

Discípulo: Ora mestre, o nanismo!

Niestévisky: Onanismo? E por que você acha que ele tem problema com masturbação?!

Discípulo: Não mestre, não disse ONANISMO, eu disse O nanismo, com o primeiro o separado.
Niestévisky: Bem, ainda assim me parece que você está errado, porque nanismo é relativo a anão.

Discípulo: Então, é isso mesmo que eu disse.

Niestévisky: E quem sofre disso?

Discípulo: Ora, como quem? O anão!

Niestévisky: Que anão?

Discípulo: O seu amigo!

Niestévisky: Mas que amigo???

Discípulo: O seu amigo anão, que está morando no seu quarto!

Niestévisky: Ah, esse amigo... Bem, mas ele não é anão.

Discípulo: Como não?

Niestévisky: Não é.

Discípulo: Mas ele deve ter 1,30 cm de altura.

Niestévisky: Na verdade ele tem 1,27 cm. Foi o máximo que consegui até agora.

Discípulo: Que coisa, então ele era ainda menor?

Niestévisky: Não, ele era maior.

Discípulo: Mas o senhor está fazendo ele encolher???

Niestévisky: Sim.

Discípulo: Então é verdade, ele não é anão?!

Niestévisky: Pois foi o que eu te disse. No começo ele tinha 1,83cm.

Discípulo: Mas e por que fazer uma coisa dessas?

Niestévisky: Por vários motivos! Para o avanço do conhecimento humano, para a criação de uma nova ciência, para escrever meu nome na história, por diversão, por pura falta do que fazer, enfim, essas coisas.

Discípulo: Mas encolhendo esse homem o senhor quer provar o quê?

Niestévisky: Não quero provar nada, eu quero é criar!

Discípulo: Criar o quê? Qual a utilidade disso?

Niestévisky: (enquanto responde, o seu tom de voz vai crescendo, o seu discurso se torna grandiloquente, seu olhar se torna resplandecente, seus olhos se voltam para algum ponto perdido no horizonte, e o modo como fala deixa transparecer claramente todo o orgulho que sente do seu feito, e de si mesmo)

Bem, a utilidade ainda não sei qual é, mas imagino que as gerações futuras encontrarão alguma, provavelmente adaptarão essa tecnologia para criar alguma arma, ou um eletrodoméstico, ou algo assim. Quanto ao criar, posso dizer com orgulho que sou o primeiro homem do mundo a criar com sucesso, o primeiro e, por enquanto, único, e exclusivo Bonsai-Humano da história!