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29 de ago de 2011

DIÁLOGO SOBRE A RARÍSSIMA PANTERA NEGRA ANÃ DO ZIMBÁBUE.


Certo dia, o Grande Niestévisky caminhava pela rua chutando coisas, falando sozinho e demostrando uma enorme irritação, e isso é uma coisa rara de se ver já que ele é um homem sempre tranquilo e possuidor de um autocontrole exemplar.

Por coincidência, por ali também passava um dos seus discípulos, que ao encontrar o mestre em tal estado, resolveu ir perguntar o que havia acontecido.



Discípulo: Mestre, percebo que o senhor está um pouco irritado. O que houve?


Niestévisky: Um pouco não, MUITO irritado!!! Estou voltando do veterinário.


Discípulo: E o que aconteceu lá para que o senhor tenha ficado assim?


Niestévisky: Dois anos atrás eu comprei um filhote de pantera negra anã do Zimbábue. Por dois anos eu cuidei dela com carinho e dedicação porque se tratava de um animal raríssimo e praticamente extinto, já que eu nunca havia ouvido falar de tal espécie, e nem mesmo encontrei alguma referência de sua existência em lugar algum. Bem, para encurtar a história, tudo estava indo bem até hoje, quando eu resolvi levar o animal ao veterinário para avaliar como estava a sua saúde.


Discípulo: Oh mentre, o que houve? Não me diga que aconteceu algo errado e o pobre animal morreu!


Niestévisky: Não, ele está vivo. Estou irritado pelo que o veterinário me disse.


Discípulo: E o que ele disse?


Niestévisky: Ele me revelou que a minha raríssima pantera negra anã do Zimbábue, na verdade não passa de um comum gato preto vira-latas! Fui enganado por aquele vendedor inescrupuloso!


Discípulo: É mestre, hoje em dia não se pode mais confiar nas pessoas! Mas pelo menos o senhor pode denunciar esse safado, fazer com que seja preso e quem sabe até recuperar o que foi pago.


Niestévisky: Isso é que me deixa ainda mais irritado! Não posso recuperar nada porque o animal foi pago com ovos de avestruz!!!


Discípulo: Que troca estranha essa... mas enfim, o senhor ao menos pode exigir que ele pague o valor dos ovos.


Niestévisky: Infelizmente eu não posso...


Discípulo: Mas por que não?


Niestévisky: É que ele só aceitou os ovos porque eu disse que eram raríssimos ovos de dinossauros.






(Participação especial de Nenê, o gatinho da foto)

5 de ago de 2011

NIESTÉVISKY SEGURANÇA LTDA.



Estou oferecendo os serviços da minha mais nova empreitada empresarial, a NIESTÉVISKY SEGURANÇA LTDA. No texto abaixo eu descrevo um pouco do meu conhecimento e da minha vasta experiência com a nobre profissão de guarda-costas.


Curriculum: Sou graduado em ninjutsu profissionalizante pelo CEFET. Também cursei o supletivo, quase completo, de técnico em mestre samurai. E por fim, mas não menos importante, sou formado como atirador de elite por correspondência (com especialização em disparo de estilingue em curta distância) no renomado curso Monitor.


Além disso, eu sou desenvolvedor de uma arte marcial própria, o Niestjutisu-fu, cujo principal golpe é o chamado: “Terrível golpe da corrida mortal do dragão desesperado em fuga ensandecida e lacrimejante.” Esse golpe, no qual sou o único especialista em todo o mundo e além, consiste em enfraquecer o oponente fazendo com que ele se canse ao me perseguir, enquanto eu, aparentemente, fujo.


Também sei desviar de balas, mas desde que sejam arremessadas manualmente, e não disparadas por armas de fogo. Além disso, sou muito bom em enfrentar animais selvagens. Já enfrentei, com sucesso, um coelho traficante e uma chinchila esquizofrênica que andavam aterrorizando uma pequena cidade do interior. E ainda consegui um glorioso empate contra um porquinho da índia durante um desafio internacional de vale-tudo.


Sou considerado um homem muitíssimo perigoso, tanto isso é verdade, que para sair de casa, mesmo desarmado, preciso de porte de arma, pois a justiça entende que meu corpo é uma arma natural e que portando estou armado o tempo todo. O ministério público até já tentou apreender meu corpo, mas como eu teria que ir junto com ele, isso acabou sendo considerado inconstitucional.


Possuo uma vasta experiência como guarda costas, inclusive trabalhei com pessoas de renome internacional, homens famosos e importantes como: John Kennedy, Mahatma Gandhi, John Lennon e Martin Luther King. Trabalhando para essas pessoas eu provei que sou um profissional dedicado, já que estive ao lado de todos eles até o último momento de suas vidas.


Caro futuro cliente, com a nossa empresa a sua segurança é totalmente garantida, mas se por acaso algo der errado e você acabar sendo inadvertidamente vitimado por um galopante e irreversível ataque de falecimento causado por alguma tentativa de homicídio bem sucedida, seu dinheiro será devolvido com juros, e acompanhado de um lindo cartão com os nossos mais sinceros pedidos de desculpa. Para isso basta fazer um requerimento de ressarcimento, em 3 vias, assinado por você mesmo, com firma reconhecida em cartório. Isso feito, você será avisado de quando poderá passar, pessoalmente, em nosso escritório para pegar seu dinheiro de volta.


19 de jul de 2011

NIESTÉVISKY, UM HOMEM QUE ORA.


Como todos sabem, Niestévisky é um homem com uma forte ligação com Deus, aliás, com todos eles, já que existem muitos deuses disponíveis no mercado, e como ele mesmo diz: A alma é coisa séria, não convém arriscar o futuro da vida eterna apostando todas as fichas em um só.

Pois bem, sendo um homem religioso, é natural que Niestévisky dirija, eventualmente, não sempre para não parecer um puxa saco, algumas preces ao além. Como ele acredita que uma oração, para ter seu efeito maximizado, deve ser feita em uma igreja, é comum que ele a registre numa folha de papel, para repeti-la nos vários templos erguidos aos vários deuses existentes por aí. Assim ele pode repetira sua oração, palavra por palavra, o que é muito bom, já que agindo desse modo ele estará tratando a todos da mesma forma, o que evita possíveis crises de ciúmes, e sejamos francos, ter um deus, por menor que seja, irritado com uma pessoa não é nada desejável.

Para registro histórico, logo abaixo está a reprodução de uma de suas famosas preces. E sim, suas preces são famosas, ao menos nos meios mais interessados pelo tema. Eu soube, apesar de não existir confirmação sobre isso, que existe uma coletânea das preces niestéviskynianas guardadas na biblioteca do Vaticano. Dizem por aí que o Papa até chorou quando leu a coleção. Não se sabe muito bem qual a razão das lágrimas, já que uns, os possuidores de boas almas, dizem que foi por causa da beleza do texto, enquanto outros, os céticos homens de coração duro e que arderão no fogo do inferno, afirmam que as lágrimas foram causadas pela raiva e pelo choque de ler tamanho absurdo infame e herege.


Bem, depois de todas essa enrolação que fui obrigado a fazer para que esse texto não ficasse muito curto, eis enfim o texto reproduzido na íntegra:


Oh senhor(a), eu juro, pela minha alma imortal, que depois de uma vida cheia de muito dinheiro gasto em futilidades, carros de luxo e coisas caras, depois de muito sexo casual com centenas de lindas mulheres, depois de me embriagar com bebidas caras, depois de viver uma vida repleta de luxúria, lascívia e pecado, depois de passar por tudo isso, eu juro que viverei uma vida regrada, casta e pura, que será dedicada exclusivamente a rezar e espalhar o bem, o amor e a paz entre as pessoas, os seres humanos e entre a humanidade.

Bem, a minha proposta é essa, da sua parte agora só falta me dar uma vida assim como acabei de descrever na primeira parte da oração para que eu possa vivê-la, e assim estarei finalmente habilitado a cumprir o que prometi na segunda parte.

Aguardo resposta, um abraço e amém.



28 de jun de 2011

O DIÁRIO SEMANAL





Niestévisky certa vez, por estar Insatisfeito com a imprensa nacional, resolveu lançar uma publicação como alternativa ao que estava circulando por aí. Apesar de possuir poucos recursos financeiros e uma equipe de funcionários bem reduzida, que se limitava basicamente a ele mesmo, e às vezes nem mesmo isso, já que quase sempre ele faltava ao trabalho, em pouco tempo saiu o primeiro número do “Diário Semanal”, o mundialmente desconhecido periódico, que circulava semana sim, semana não, isso quando o mimeógrafo funcionava.

Pouco tempo depois o jornal acabou falindo, mas mesmo assim, apesar de sua breve existência, o Diário Semanal passou para a história como o criador de um novo estilo de jornalismo, o “jornalismo criativo” Esse novo e revolucionário método de abordar as notícias consiste em basicamente deixar que o jornalista de asas à sua criatividade e com isso torne a notícia mais espetacular e atraente para o leitor, afinal, segundo palavras do próprio Niestévisky:

O público não tem culpa se nada interessante aconteceu ou se a notícia é chata, por isso, por profundo amor ao público, não custa nada dar uma pequena melhoradinha no fato relatado. Não existe notícia desinteressante, o que existe é jornalista sem criatividade.

Para os curiosos, segue abaixo a reprodução de uma matéria do jornal para que todos possam conhecer um pouco de como era o estilo do “Diário Semanal"

Ontem pela manhã, o senhor José da silva, durante uma possível desavença, acabou vitimando com disparos de arma de fogo, o senhor José da silva.

A polícia investiga o crime com extremo cuidado, já que o fato de o assassino e do assassinado serem homônimos dificulta grandemente o bom andamento do inquérito.

O delegado que originalmente investigava o caso foi destituído por se deixar perder na confusão dos nomes. Segundo o que pudemos apurar, o problema já começou com a chegada da polícia no local, que teve dificuldades para saber qual José era a vítima e qual era o homicida. Dizem testemunhas, que o delegado chegou a dar voz de prisão ao falecido.

Logo a discussão começou e se estendeu por vários minutos. O silêncio só voltou ao local quando todos perceberam, perplexos, que no meio da confusão de vozes que reclamavam da ineficiência da polícia, o delegado havia prendido, algemado e trancado no camburão, a si mesmo. É que por um desses acasos do destino, seu nome também era José da Silva.

Assim que notaram o engano, o delegado foi solto e mandado para casa, já que estava visivelmente irritado com o ocorrido. Em entrevista dada ao nosso repórter, o delegado José da Silva nos disse que pretende processar o estado por ter sido submetido a uma prisão arbitrária e aviltante, afinal, ele foi preso mesmo sendo inocente e tendo um excelente álibi. Na hora do crime ele estava na delegacia trabalhando.

Sobre os envolvidos diretamente no crime, nem o assassino nem a vítima quiseram falar com a reportagem e se reservaram ao direito de apenas falarem na frente do Juiz, e mesmo assim, apenas se o Juiz perguntar alguma coisa.

Apesar disso, testemunhas oculares que chegaram no local algumas horas depois do triste ocorrido, afirmam que tudo não passou de um lamentável engado. Segundo o que disseram, o senhor José da Silva, o assassino, queria mesmo era cometer suicídio, mas estava sem coragem para executar tal ato desesperado e por isso bebeu um pouco para criar coragem. O problema é que como a coragem demorava para aparecer, e a bebida estava boa, ele acabou bebendo demais e assim, com o raciocínio comprometido pelo álcool, na hora de se suicidar-se a si mesmo dando cabo da própria vida, acabou se confundindo e suicidando o outro José da Silva, crente que o outro se tratava dele mesmo.

As investigações continuam e assim que obtivermos mais detalhes faremos nova reportagem sobre o crime.

21 de jun de 2011

NIESTÉVISKY, O MÉDIO.


Há males que vêm para bem e, embora seja raro, às vezes algo ruim pode surpreendentemente se converter em algo bom. O que contarei em seguida é um ótimo exemplo disso:

Certa vez uma jovem estava insatisfeita com seu aspecto físico. No conjunto a garota até que não era feia, muito embora também não fosse o contrário. Era de uma beleza média, ou talvez um pouco abaixo da média, mas nada muito comprometedor. Na verdade, o maior problema com ela é que não havia nada em seu corpo que se destacasse, nenhum atributo físico que chamasse a atenção dos rapazes. Foi pensando sobre isso que a garota resolveu se submeter a uma cirurgia plástica.

Não possuindo dinheiro suficiente para fazer uma mudança completa, ela optou por fazer uma plástica nos seios. Aumentar o tamanho, aperfeiçoar o formato etc. No começo ela procurou médicos renomados e experientes, mas estes cobravam muito mais do que a garota poderia pagar, por isso ela foi obrigada a ir baixando cada vez mais o seu padrão de exigência até que finalmente encontrou um cirurgião cujo preço fosse compatível com o que ela poderia gastar.

O escolhido foi um jovem médico, que na época era ainda tão jovem que nem mesmo diploma de medicina possuía. Seu nome, Doutor Niestévisky, "o Médio" (naquela época ainda não era conhecido como o Grande).

Bem, na verdade Niestévisky já era formado, e com louvor, na escolinha primária Reino Encantado Da Vovó Dorotéia, mas isso não era suficiente para que ele pudesse clinicar livremente por aí. Por isso seu consultório ficava, digamos “oculto” nos fundos de um açougue, onde nas horas vagas ele treinava a nobre arte da cirurgia, extraindo picanhas, alcatras e filés, dos corpos inertes de bois e vacas que haviam partido desta vida e que naquela hora já deveriam estar felizes e satisfeitos, pastando no grande e verdejante pasto do além. Apesar de um açougue, com toda a atmosfera de morte que envolve o lugar, não parecer um espaço muito adequado para um homem iluminado como Niestévisky, devo dizer que aquele não era um açougue como os outros. Toda carne vendida lá não era obtida através do abate de animais. Claro que a carne vinha de animais falecidos, mas eram todos vítimas de morte natural, velhice, alguma doença não diagnosticada em tempo, ou no máximo, atropelados quando atravessavam sem olhar, a rodovia que ficava ali por perto. Como essa prática talvez não fosse vista com bons olhos pela secretaria de saúde, o açougue ficava, digamos “oculto” nos fundos de um bar. O bar, como não possuía nenhum tipo de licença, ficava, digamos, “oculto” nos fundos de uma fábrica de fogos de artifício, e assim por diante.

Mas, deixemos o açougue de lado e voltemos à garota. Ela marcou uma consulta, onde foi submetida aos mais rigorosos exames disponíveis para saber se estava apta para ser submetida a uma intervenção cirúrgica daquele porte. Os exames foram dois, no primeiro foi constatado que havia fundos para cobrir o cheque, e no segundo foi lido um laudo rigoroso sobre o prognóstico da cirurgia, escrito na coluna de horóscopo do jornal.

Depois de pronta essa fase, a operação foi finalmente marcada, para aquela mesma tarde. A pressa se justifica porque isso evitaria alguns efeitos indesejáveis, como, por exemplo, o de a paciente ser tomada de um repentino e galopante surto de bom senso e mudar de ideia.

Por fim, a cirurgia foi executada, mais uma das muitas cirurgias já feitas pelo jovem doutor e, desta vez, sem baixas. O resultado, bem... de fato a mudança nos seios da garota foi impressionante. Eles não só aumentaram consideravelmente de tamanho e adquiriram um belíssimo formato arredondado, como também mudaram um pouco de lugar. Por um problema, possivelmente de rejeição, os seios rejeitaram o lugar onde deveriam ficar normalmente e acabaram indo parar nas costas da garota!

Ela, quando descobriu o que havia acontecido, ficou extremamente irritada e ameaçou processar o Doutor Niestévisky. Porém, mesmo sendo ainda um jovem sem muita experiência de vida, Niestévisky já era Niestévisky, e mesmo não sendo ainda “O Grande”, como já foi dito, ao menos já poderia ser conhecido como “O Médio”, portanto já possuía a sua afamada lábia cósmica. Niestévisky é um homem em constante evolução.

Com um pouco de conversa, lágrimas, fotos de crianças que ele alegou serem de seus pobres filhos órfãos de pai e mãe, mensagens subliminares e coisas assim, ele acabou convencendo a garota de que aquilo que aparentemente era um problema lamentável, poderia se transformar em algo positivo se ela soubesse capitalizar aquilo em seu favor.

A garota, sabe-se lá como, acabou sendo convencida a lhe dar uma chance. E de fato a jovem conseguiu o que queria, atrair o desejo dos rapazes, mesmo não sendo exatamente da forma como esperava. Hoje ela é o maior sucesso nos bailes que fraquenta. Todos os homens fazem fila e até brigam para dançar com ela, principalmente as músicas mais lentas, onde os rapazes devem dançar abraçados ao seu corpo, apoiando as mãos nas suas costas.

1 de jun de 2011

SOBRE ERROS, ACERTOS E DÚVIDAS.




Como todos sabem, e quem não sabe deveria saber, eu jamais errei. Nunca consegui cometer um erro qualquer, jamais fui capaz de sentir a sensação de falhar em algo. Por isso um dia eu resolvi errar de propósito, apenas para saber como é. Mas falhei. Não vou entrar em detalhes sobre como foi a tentativa, mas o fato é que tentando errar, sem querer, acabei acertando.

Então o que aconteceu foi o seguinte: Tentei errar, mas ao acertar acabei errando na minha tentativa de errar, sendo assim, falhei.

Porém, acertar quando meu objetivo era errar fez com que eu errasse na tentativa de errar. Assim, a minha tentativa de errar acabou dando certo. Então obtive sucesso.

No entanto, se a minha tentativa de errar deu certo, isso quer dizer que mais uma vez eu consegui acertar. Então a tentativa de errar foi um fracasso.

Por outro lado... bem, para concluir, o fato é que até hoje não sei dizer se errei ou não, e provavelmente jamais saberei, pois sempre que começo a pensar sobre isso acabo me perdendo no meio do raciocínio e tenho que parar por causa da dor de cabeça.

9 de mai de 2011

DIÁLOGO SOBRE UM POUCO DE HISTÓRIA FAMILIAR.


O discípulo se aproxima de Niestévisky e diz:

Discípulo: Ó mestre dos mestres, senhor absoluto de absolutamente tudo, aquele cuja lenda se perpetuará pelo infinito e além, ó grande sábio entre os mais sábios da terra, e de todos os planetas habitados do universo...

Niestévisky: (interrompendo bruscamente) Olha, se você continuar com esse falatório, passará o infinito e o além e a gente ainda vai estar aqui. Diga logo o que você quer, hoje estou com um pouco de pressa, estou fugindo de umas pessoas que querem me dar um diploma de reconhecimento pela minha luta em favor da causa deles.

Discípulo: Mas mestre, isso não é uma coisa boa?

Niestévisky: Sim, claro que é, mas o problema é que são membros do movimento gay.

Discípulo: Mas ó grande, eu sempre soube que o senhor é um defensor dos direitos individuais do ser humano!

Niestévisky: E sou, é justamente por isso que eles querem me fazer uma homenagem! O problema é o que está escrito no diploma.

Discípulo: E o que é?

Niestévisky: Está escrito: Pelos enormes serviços prestado à nossa causa, concedemos ao senhor Niestévisky “O Grande”, o título de gay honorário. Se souberem disso, o pessoal do truco de sexta nunca mais me deixa em paz. Mas, enfim, diga o que você quer?

Discípulo: Bem, preciso de uma ajuda num trabalho que estou fazendo.

Niestévisky: Para a faculdade?

Discípulo: Não, para o supletivo.

Niestévisky: Mas você ainda não terminou? Já faz dez anos que você entrou lá!

Discípulo: Pois é mestre, mas agora falta pouco, mais alguns anos e já estarei bem perto de concluir a primeira metade dos meus estudos.

Niestévisky:
Tudo bem, e qual ajuda você quer?

Discípulo: Preciso fazer uma redação sobre o movimento feminista.

Niestévisky: Certo, pode consultar a minha biblioteca, possuo um vasto material sobre isso. Depois que fizer a consulta, se você tiver alguma dúvida por vir me perguntar. Eu conheço bem o tema, afinal, minha falecida avó foi uma mártir do movimento.

Discípulo: É mesmo? Que incrível. O senhor pode me contar um pouco sobre isso, talvez eu possa colocar na redação.

Niestévisky: Sim claro, com o maior prazer. Minha avó sempre foi uma mulher de brigar pelos seus ideais, e por qualquer coisa também. A velha tinha um direto de direita potentíssimo. Por isso ela foi apelidada de coice de mula, colocou muito marmanjo para dormir em brigas de bar.
Mas voltando ao que interessa, vou contar, resumidamente, como ela se tornou uma mártir do feminismo. Durante os anos sessenta minha avozinha estava participando de uma manifestação feminista, onde ela e as suas companheiras tiravam os sutiãs e depois os queimavam em praça pública. Havia muita gente naquele dia, e por isso a polícia foi chamada. Depois de alguma discussão, minha avó ficou irritada e nocauteou um policial. Então houve um tumulto, seguido de uma confusa correria. Minha avó também correu, mas infelizmente um forte golpe na cabeça acabou tirando a sua vida.

Discípulo: Puxa mestre, que triste isso. Mas e a sua família não processou o estado?

Niestévisky: Processar por que?

Discípulo: Por causa da violência policial. Ela não foi agredida pela polícia?

Niestévisky: Ah, não foi a polícia.

Discípulo: Então foi ferida por algum conservador radical de direita?

Niestévisky: Também não. Na verdade ela recebeu o ferimento quando caiu.

Discípulo: Ah, entendo, no meio do tumulto ela deve ter caído e em seguida foi pisoteada pela multidão em fuga.

Niestévisky:
Também não, ela correu para longe da multidão, fugiu para uma rua lateral que estava quase deserta. Enquanto caminhava por essa rua, ela tropeçou e caiu. Infelizmente ao cair ela bateu a cabeça no meio fio.

Discípulo: Bem, então se ela simplesmente tropeçou, tudo não passou de um acidente que não teve ligação direta com a manifestação. O senhor me desculpe, mas morrer assim não faz da sua avó uma mártir, ela poderia ter tropeçado em qualquer outra circunstância.

Niestévisky: Ora, mas é claro que faz! A queda está totalmente ligada à manifestação de que ela participava.

Discípulo: E como?

Niestévisky: Lembra que eu disse que elas tiravam o sutiã e queimavam?

Discípulo: Sim, lembro.

Niestévisky: Pois então, enquanto ela fugia da confusão, por estar sem sutiã, a pobrezinha tropeçou nos próprios seios e caiu.

O discípulo ainda tentou falar mais alguma coisa, mas no exato momento em que ia falar, ao longe um grupo de rapazes reconheceu o mestre e começou a correr em sua direção. Niestévisky, assim que viu aquele bando de rapazes correndo para o seu lado, vestidos com roupas femininas e sapatos de salto alto, saiu correndo para o lado oposto, numa velocidade inacreditável para um homem da sua idade.

28 de abr de 2011

Epístola cinematográfica




Caro discípulo, diga a todos que estou bem, o hotel é confortável e a viagem foi boa. Passei por alguns contratempos, mas nada muito grave. A empresa aérea fez confusão com as bagagens e me entregou uma mala que não é minha. Pensei em reclamar e exigir a troca imediata das bagagens, mas então me lembrei que eu havia esquecido a minha mala em casa, por isso resolvi não falar nada, e já troquei de hotel para não ser encontrado.

Eu sei, isso pode não parecer muito honesto, se avaliado pela perspectiva de uma pessoa não iniciada nos grandes mistérios do universo, mas esse, evidentemente, não é o meu caso. Minha visão transcendental me fez perceber que o erro da companhia aérea foi causado pela providência divina, afinal, o grande arquiteto do universo não gostaria que eu andasse por ai dando as minhas palestras sempre com a mesma roupa. Não ficaria bem para um homem da minha importância andar com roupas sujas em público. Foi por isso que o universo conspirou para que eu recebesse essa bagagem.

Infelizmente a divindade poderia ter me enviado uma bagagem com roupas um pouco mais apropriadas. Não sei quem é o dono dessa mala, mas posso deduzir que é um sujeito meio estranho. Quando abria a mala, invés de encontrar roupas normais, encontrei um monte de roupas, digamos, exóticas. Como ficarei por aqui mais um mês, e não disponho de fundos suficientes para comprar roupas novas, estou improvisando com o que encontrei na mala. Agora mesmo, enquanto escrevo está carta, estou usando uma roupa de Darth Vader. Bem, não vou reclamar, a roupa é confortável, apenas é um pouco difícil respirar com essa máscara. Eu sei, você deve estar pensando que bastaria eu não usar a máscara. Também pensei nisso, mas o meu lado infantil não resistiu, já estou até imitando aquela voz dele, e hoje de manhã quebrei um vaso enquanto brincava com meu sabre de luz, que improvisei com um cabo de vassoura. Tudo bem, pode parecer esquisito, mas é bem divertido. Para a minha palestra de amanhã já mandei passar a fantasia de Michael Jackson, que estava um pouco amarrotada. Sabe, esse tal de moonwalk é mais difícil do que eu pensava, mas eu sou um homem perseverante, acho que até amanhã eu consigo.

Mas deixando isso pra lá, vou retomar o real motivo desta carta. Hoje de manhã, fui participar de uma palestra feminista e achei ótimo já que só havia mulheres. Nessa palestra não falei nada, sabe como é, mulher quando começa a falar não para mais. Mas não estou reclamando, gostei do que elas disseram e concordo com cada palavra. Inclusive, fiquei tão tocado com o que ouvi que resolvi dar a minha contribuição para o movimento. Depois da palestra voltei para o hotel e comecei a pensar num modo de mostrar o valor das mulheres, um modo de mostrar ao mundo masculino que mulheres não são apenas objetos sexuais que nas horas vagas lavam cuecas e cozinham.

Depois de muito pensar sobre o melhor modo para ajudar a causa feminista, resolvi escrever um roteiro de cinema. Será um filme onde quatro amigas discutirão coisas importantes e profundas, indo totalmente contra os esteriótipos machistas. Já estou escrevendo a primeira cena: as quatro amigas caminham por uma praia deserta e discutem a obra de Martin Heidegger, enquanto ajeitam seus minúsculos bikinis sobre seus corpos esculturais. Bem, por enquanto é isso, ainda preciso desenvolver melhor a ideia, afinal, escrever um bom roteiro não é fácil. Já sei como o filme terminará, mas ainda não encontrei a fórmula certa para que o roteiro se desenvolva satisfatoriamente até o clímax, onde as quatro amigas estarão lutando nuas numa banheira de gel, para salvar a humanidade de uma invasão de demônios nazistas que invadiram a terra com naves espaciais. Continuarei trabalhando nisso.

Mas agora esqueça o roteiro, que disso eu cuido, e comece a se preparar para o trabalho. Deixo para você a missão de captar os recursos necessários para a filmagem e preparar a pré-produção. Sei que você nunca fez isso antes, e que cometerá alguns erros, provavelmente muitos, mas fique tranquilo, eu confio em você, além disso, não encontrei ninguém disposto a fazer esse trabalho, assim terei que me contentar com você mesmo. Então não fique intimidado pelo medo de errar, lembre-se de que todos os seres humanos erram, o importante é não se deixar abater e seguir em frente. Mãos à obra!

Um cordial abraço e até logo. Ass.: Niestévisky

ps: eu disse que todos os seres humanos erram, bem, eu sou um ser humano e não erro. Então esqueça isso que eu disse sobre todos errarem, já que a minha afirmação estava errada.

Ps2: pensando melhor, se eu errei ao dizer que todos erram, exceto eu, então não esqueça a minha afirmação, afinal, ela estava certa.

Ps3; hum... pensando bem... ai, deixe pra lá, paradoxos me dão dor de cabeça...

11 de abr de 2011

DIÁLOGO SOBRE O ÓCIO PRODUTIVO


Enquanto passava pela frente do instituto do grande Niestévisky, o vizinho, antigo desafeto do mestre, observou que este se encontrava tranquilamente sentado numa cadeira de balanço, fumando um cigarro e olhando para o nada.

Nisso não havia nenhuma novidade, já que o vizinho quase sempre se deparava com a mesma cena, mas o fato é que isso, por alguma razão, o incomodava muito. Pois bem, esse incômodo foi se acumulando lentamente durante os anos, e nesse dia o vizinho resolveu partir para o ataque.

Sem pedir licença, ele foi entrando nas dependências do instituto e se aproximou do mestre. Normalmente o lugar é fortemente vigiado, já que ali se encontram as respostas para muitos mistérios da humanidade, do universo, do além, e de qualquer outra coisa que você possa imaginar. Por isso o lugar era fortemente vigiado, afinal, não seria bom que essas respostas caíssem na mão de governos, terroristas, ou pior ainda, da receita federal.

Mas nesse dia o vizinho teve sorte, já que o cão de guarda do instituto, Cérbero, um chihuahua psicótico com graves problemas de personalidade, havia sido enviado ao veterinário para manutenção. Não fosse isso, o pobre homem estaria com sua vida seriamente comprometida.

Aproximando-se do mestre, com cara fechada e sem nem mesmo dizer um cordial “boa tarde”, o homem foi logo falando:


Vizinho: Niestévisky, vejo que mais uma vez o senhor está ai sentado na varanda. Fiquei curioso, afinal de contas, o quê o senhor fica fazendo aí?

Niestévisky: Nada.

Vizinho: Foi o que eu imaginei. Desculpe me intrometer na sua vida, mas a ociosidade não é uma boa coisa.

Niestévisky: É verdade, a ociosidade é terrível. É uma péssima característica para as outras pessoas.

Vizinho: Como assim para as outras pessoas?

Niestévisky: Ora, já imaginou se ninguém trabalhasse? Seria terrível! Se ninguém fizesse nada, quem teria que fazer seria eu.

Vizinho: Ah sim, então todos devem trabalhar e só o senhor é que pode ficar ai ocioso?

Niestévisky: Sim.

Vizinho: E posso saber por quê o senhor pode ter esse privilégio?

Niestévisky: Já ouviu falar em ócio produtivo?

Vizinho: Sim, e imagino que o senhor vai me dizer que esse é o seu caso!

Niestévisky: Não vou dizer porque o senhor mesmo já disse. Mas é exatamente isso.

Vizinho: E posso saber o que esse seu ócio todo produz?

Niestévisky: Muitas coisas. Por exemplo, agora a pouco, antes do senhor me interromper, eu estava planejando uma aventura que me trará muita publicidade.


Vizinho: Que aventura?

Niestévisky: Estou planejando ser o primeiro homem a atravessar o canal da mancha, sem um barco, é claro.

Vizinho: (irritado) Mas já fizeram isso, e faz tempo!


Niestévisky: Já?

Vizinho: Sim!

Niestévisky: De bicicleta?

Vizinho: … bem... de bicicleta acho que não... Mas como o senhor vai fazer isso?

Niestévisky: Bem, isso eu ainda não sei, e se o senhor ficar aqui me atrapalhando, provavelmente nunca saberei!

Vizinho: O senhor é um sujeito muito excêntrico! Isso para não dizer bizarro, ou maluco mesmo! Que coisa, inventar uma desculpa absurda dessas só para justificar a sua preguiça!

Niestévisky: Antigamente a ideia da terra ser redonda também era absurda, não tenho culpa se o senhor não é um homem de visão. E além disso, é claro que não passo o tempo todo pensando apenas nisso. Como eu disse, meu ócio produz muitas coisas.

Vizinho: Pois então o senhor me diga mais uma coisa que ele produz.

Niestévisky: Produz descanso.

Vizinho: (desanimado) Não sei nem por que eu perguntei... Depois dessa vou embora, desisto! Até mais ver.

Niestévisky: Mas vai embora assim, sem nem tomar uma cervejinha?

Vizinho: (pensou um pouco resolveu aceitar o convite, afinal, estava calor e já que ele estava ali mesmo, não custava nada tomar uma) Tudo bem, vou tomar uma cerveja. Onde está?

Niestévisky: Não está. Acabou a cerveja, mas se o senhor for até o mercado buscar, ficarei muito agradecido.


Assim que Niestévisky terminou de falar, o vizinho virou as costas e saiu sem dizer nada. Até chegar em casa, ele foi chutando tudo o que encontrou pela frente.

16 de mar de 2011

NIESTÉVISKY, UM EMPREENDEDOR.



Niestévisky, utilizando seus notórios conhecimentos religiosos, psicológicos, lógicos, comerciais e qualquer outra forma de conhecimento possível para um ser humano, para um ser super-humano e até mesmo para um alienígena, e quem sabe até para um super-alienígena, montou há algum tempo, uma empresa de assessoria.

É um negócio novo, marcado pelo empreendedorismo e pelo ineditismo da assessoria que presta. O que a empresa faz trata-se, segundo alguns, de uma nova ciência, segundo outros, é uma arte, e segundo outros ainda, é... bem, esses outros são inimigos do Niestévisky, então é melhor não reproduzir aqui o que eles dizem, afinal, alguma criança pode estar lendo esse texto. Segundo o seu próprio criador, o que ele faz é uma engenharia adaptativa teológica. Apesar de não ser exatamente engenharia o que ele faz, o Mestre resolveu colocar essa palavra para agradar a sua mãe, que sempre sonhou em ter um filho engenheiro.

Bem, imagino que você deve estar se perguntando: “Mas afinal de contas, o que é essa tal de engenharia adaptativa teológica?”

Essa é uma boa pergunta, para a qual não existe ainda uma resposta definitiva. Nem mesmo Niestévisky é capaz de explicar direito o que isso é... bem, na verdade ele tentou explicar, porém até agora ninguém conseguiu entender muito bem que ele disse. Mas isso é normal, afinal se trata de uma nova ciência ainda em fase de desenvolvimento. O fato é que esse é um negócio muito abrangente, que envolve muitas disciplinas diferente e etc etc etc
O slogan da empresa é “Pagando, topamos qualquer parada!”

Bem, acho melhor parar de ficar enrolando, e partir logo para um exemplo prático, que se não exemplifica a totalidade da ideia, ao menos servirá para que o leitor compreenda, mesmo que apenas uma pequena fração do que faz a E.A.E.A.T (Empresa de Assessora de Engenharia Adaptativa teológica)
Um dos primeiros trabalhos executados pela E.A.E.A.T, foi o de resolver uma discussão teológica que envolvia duas seitas exóticas de um pequeno país igualmente exótico, chamado Nanostão. Esse país é tão pequeno que quase ninguém conhece, inclusive, até mesmo alguns moradores do país desconhecem a sua existência, mas para dar uma referência geográfica, ele fica, mais ou menos, na divisa entre o Uruguai e a Estônia, quase encostado no Japão, porém um pouco mais para a esquerda, a esquerda de quem entra.

Embora seja um país pequeno, a divergência religiosa estava ameaçando se transformar numa grande guerra civil que acabaria gerando dezenas de morte, e poderia até mesmo chegar a centenas, isso se a população do país chegasse aos milhares.

A discussão, para nós que não somos adoradores da Grande Vagina Mater Da Quarta Dimensão, pode até não fazer muito sentido, e na verdade não faz mesmo, mas para o belicoso povo de Nanostão, faz. Não vou entrar em detalhes sobre essa religião para não cansar o leitor. Além disso, não importa muito saber sobre ela, já que A Grande Vagina Mater Da Quarta Dimensão não passa de um culto pagão baseado em mera mitologia e desprovida de crédito, afinal de contas, todos sabemos que religião verdadeira mesmo é a nossa, seja ela qual for.

Todo o conflito começou quando uma facção passou a dizer que o profeta deles havia recebido uma mensagem divina dizendo que o fim do mundo seria causado por uma grande inundação. Segundo eles, um dia a Grande Vagina Mater se cansaria de tudo, daria a descarga e o mundo iria para o limbo, ou esgoto, dependendo da tradução, já que no idioma local a mesma palavre serve para as duas coisas. Só seriam salvas aquelas almas que estivessem tão cheias de méritos e bons sentimentos, que acabaria sendo grandes de mais para passar pelo grande ralo do apocalipse.

O problema é que no mesmo dia, e à mesma hora, o profeta da outra facção também disse que havia recebido uma mensagem divina dizendo, sem a menor sombra de dúvida, que o mundo acabaria com fogo. Segundo eles, um dia A Grande Vagina Mater se cansaria de tudo, enrolaria o planeta num pedaço de papel e fumaria o planeta, e tudo o que houvesse nele. Segundo eles, as boas almas seriam salvas e viveria eternamente felizes habitando eternamente a bituca sagrada.
No princípio um grupo tentou convencer o outro grupo de que estava errado. E, por mais incrível que pareça, deu certo, ou mais ou menos. A facção dos da água passaram a crer na ideia do fogo, mas, desgraçadamente, ao mesmo tempo os que acreditavam no fogo reconheceram que estavam errados e passaram a acreditar no apocalipse causado pela água. Ou seja, mudou tudo, mas tudo continuou na mesma.

Logo o que era uma simples discussão teológica, se transformou em ofensas pessoais, eventuais agressões físicas e coisas assim. Como a briga estava saindo do controle, o presidente decidiu apelar para a E.A.E.A.T. Como ele ficou sabendo da existência da empresa, eu não sei. Mas o fato é que o contrato foi feito entre as partes, ficando estipulado que Niestévisky deveria encontrar um modo de acabar com a divergência religiosa unir novamente o povo de Nanostão. Em troca foi acertado um preço, que por cláusula contratual, não pode ser divulgado. Sabe-se apenas que foi um bom dinheiro, mesmo depois de retirado dez por cento do valor, que foi “doado”, por assim dizer, para a A.P.P.N ( Oficialmente a sigla significa Associação Protetora dos Pobres de Nanostão, porém, o real significado é Associação de Presidentes pobres de Nanostão.)

Depois de estudar bem o caso, ouvir os dois lados, meditar profundamente sobre qual dos dois dogmas seria o melhor, Niestévisky concluiu que a única solução seria juntar tudo numa coisa só. Para fazer isso, Niestévisky chamou os dois profetas para uma reunião. Depois de horas de conversa, argumentações, retórica, e até chantagens emocionais, eles ainda permaneciam irredutíveis. Desse modo, sem haver outro jeito, Niestévisky teve que apelar para um método muito antigo de convencimento, que apesar de antigo, ainda funciona muito bem, o suborno. Assim, com uns poucos dólares, dois pacotes de viagem para a Disney, quatro caixas de cerveja e uma jaqueta de couro de segunda mão, mas ainda em bom estado, tudo se resolveu. Os profetas apareceram em cadeia nacional de rádio e televisão, e deram uma desculpa esfarrapada. Até poderiam dar uma desculpa um pouco melhor, mas o povo de Nanostão é igual a qualquer outro povo do mundo, gosta de respostas simples, que não precisem de muita reflexão e que resolvam tudo facilmente, mesmo que não resolvam nada de fato.

Os profetas alegaram que tinham entendido errado a mensagem divina, que ela havia chegado com muitos cortes, som baixo e muitos chiados, o que era até aceitável, já que a mensagem veio por telefone, e todos sabem que a telefonia de Nanostão tem sério problemas, principalmente quando se trata de ligações feitas entre longas distâncias, e o além é realmente muito distante. Segundo o que os profetas disseram, vendo os problemas que a mensagem defeituosa causou, a Grande Vagina Mater da Quarta Dimensão resolveu mandar uma versão escrita, que só chegou agora, por culpa da greve dos correios do além.

Segundo a versão corrigida da mensagem, o mundo não acabaria com água e nem com fogo. O fim do mundo seria causado pelas duas coisas ao mesmo tempo, ou para ser mais preciso, o mundo acabaria com água fervendo caindo dos céus. Infelizmente ninguém encontrou um modo de unificar o grande ralo e a sagrada bituca do além, assim, as duas ideias foram abandonadas e foi criado um novo modo para a salvação das almas. Agora a nova teologia diz que pouco antes do fim, um portal será aberto no céu, e através dele passarão todas as almas merecedoras da graça divina da Grande Vagina Mater da Quarta Dimensão, sendo assim salvas de serem fervidas. É claro que só atravessarão o dito portal, as almas que forem realmente merecedoras. Por isso haverá um anjo armado próximo da entrada verificando se a alma candidata a entrar está de posse do atestado de bons antecedentes espirituais, um documento que será emitido pelo governo, mediante uma pequena taxa que será toda revertida para a A.P.P.N.

Esse foi apenas um pequeno exemplo dos serviços que Niestévisky presta com sua nova empresa. Creio que nem é preciso dizer o quanto esse novo tipo de serviço é promissor, afinal de contas, divergências religiosas nunca faltarão. No entanto, apesar de haver muita demanda no mercado, Niestévisky já está pensando em ampliar os negócios, talvez trabalhar também com questões politico ideológicas, futebolísticas e coisas do tipo.

2 de mar de 2011

PEQUENO DIÁLOGO SOBRE UM ANÃO... OU NÃO.




Certo dia, pela manhã, na hora costumeira de acordar, Niestévisky abriu a porta do seu quarto e foi fazer sua caminhada matinal pelos jardins do seu instituto. Normalmente o seu despertar não chamava muito a atenção, mas naquele dia havia algo diferente, algo inusitado, que acabou despertando a curiosidade nos seus discípulos. Naquela manhã Niestévisky não caminhava sozinho, estava caminhando na companhia de um anão.

Logo os discípulos começaram a perguntar se alguém sabia quem era aquele homenzinho. Ninguém soube responder. Perguntas surgiam por todos os lados. Quem era aquele anão? O que ele fazia caminhando ao lado do mestre? De onde ele veio? Qual o sentido último de todas as coisas? ( essa última pergunta não tem nenhuma relação com o caso, mas é uma boa pergunta) Muitas perguntas, mas nenhuma resposta. Bem, aquilo era estranho, mas muitas coisas estranhas sempre aconteciam com Niestévisky. Para se ter uma ideia, o dia mais estranho de todos, foi o dia em que nada estranho aconteceu no instituto.

Depois da caminhada, os dois voltaram para o quarto e ficaram lá até o meio-dia. Quando soou o sino chamando todos para o almoço, Niestévisky saiu do seu quarto e foi almoçar, sozinho. Enquanto servia a comida para Niestévisky, um dos discípulos resolveu aproveitar a oportunidade para tentar descobrir alguma coisa sobre o anão. Fez isso perguntando ao mestre, assim como quem não quer nada, se o seu novo amigo não viria almoçar com ele. Niestévisky respondeu que não viria porque a alimentação dele era especial, e além disso não era bom que o homenzinho ficasse exposto por muito tempo. O discípulo até tentou desenvolver a conversa, mas Niestévisky desligou seu aparelho auditivo, dando com isso uma clara indicação de que não queria ser importunado.

Certo, o que aconteceu naquela manhã foi realmente estranho, mas teria sido facilmente esquecido, não fosse por um pequeno detalhe: Na outra manhã tudo se repetiu, exatamente igual, nos mínimos detalhes. E não parou por ai, durante um mês Niestévisky acordou, saiu para caminhar com o anão, depois voltou pra o quarto, ficou lá até a hora do almoço e foi almoçar sozinho.

Passado tanto tempo, a curiosidade cresceu de tal maneira que ninguém conseguia mais suportar. Assim, elegeram um dos discípulos, e mandaram o rapaz ir até o mestre e perguntar de uma vez por todas, o que estava acontecendo. E ele foi, meio contra a vontade, mas foi. É impressionante o poder de convencimento que uma ameaça de linchamento possui.

O discípulo chegou perto do mestre, e então aconteceu o seguinte diálogo:

Discípulo: Mestre, desculpe, sei que não devemos nos intrometer nas suas coisas, mas todos estamos curiosos.


Niestévisky: Sobre o quê?


Discípulo: Sobre esse homenzinho que está vivendo no seu quarto.


Niestévisky: Hum, o que tem ele?


Discípulo: Bem, queremos saber quem é ele, de onde veio, porque ele não almoça com o senhor, essas coisas.


Niestévisky: Ele não almoça comigo porque a sua comida é especial.


Discípulo: Como assim?


Niestévisky: Ora, ele precisa de alimentação adequada, balanceada, etc, para que os procedimentos aos quais ele é submetido tenham melhores resultados. A alimentação, um pouco de sol matinal, uma tesourinha sem ponta, e algumas outras coisinhas secretas, são capazes de fazer verdadeiros milagres. Ah, até me comovo quando penso nos milagres que a ciência é capaz de criar. (nesse momento uma lágrima furtiva rolou pela sua face, mas não se sabe ao certo se foi de emoção, ou se foi por causa da catarata que tem acometido seus olhos cansados nos últimos anos)


Discípulo: Procedimentos? Ele está sob alguma espécie de tratamento, ou algo assim?

Niestévisky: Bem, pode-se dizer que sim.

Discípulo: Ah sei, acho que entendi. Imagino que deve ser algum tratamento para o seu problema.

Niestévisky: Problema? Que problema?!

Discípulo: Ora mestre, o nanismo!

Niestévisky: Onanismo? E por que você acha que ele tem problema com masturbação?!

Discípulo: Não mestre, não disse ONANISMO, eu disse O nanismo, com o primeiro o separado.
Niestévisky: Bem, ainda assim me parece que você está errado, porque nanismo é relativo a anão.

Discípulo: Então, é isso mesmo que eu disse.

Niestévisky: E quem sofre disso?

Discípulo: Ora, como quem? O anão!

Niestévisky: Que anão?

Discípulo: O seu amigo!

Niestévisky: Mas que amigo???

Discípulo: O seu amigo anão, que está morando no seu quarto!

Niestévisky: Ah, esse amigo... Bem, mas ele não é anão.

Discípulo: Como não?

Niestévisky: Não é.

Discípulo: Mas ele deve ter 1,30 cm de altura.

Niestévisky: Na verdade ele tem 1,27 cm. Foi o máximo que consegui até agora.

Discípulo: Que coisa, então ele era ainda menor?

Niestévisky: Não, ele era maior.

Discípulo: Mas o senhor está fazendo ele encolher???

Niestévisky: Sim.

Discípulo: Então é verdade, ele não é anão?!

Niestévisky: Pois foi o que eu te disse. No começo ele tinha 1,83cm.

Discípulo: Mas e por que fazer uma coisa dessas?

Niestévisky: Por vários motivos! Para o avanço do conhecimento humano, para a criação de uma nova ciência, para escrever meu nome na história, por diversão, por pura falta do que fazer, enfim, essas coisas.

Discípulo: Mas encolhendo esse homem o senhor quer provar o quê?

Niestévisky: Não quero provar nada, eu quero é criar!

Discípulo: Criar o quê? Qual a utilidade disso?

Niestévisky: (enquanto responde, o seu tom de voz vai crescendo, o seu discurso se torna grandiloquente, seu olhar se torna resplandecente, seus olhos se voltam para algum ponto perdido no horizonte, e o modo como fala deixa transparecer claramente todo o orgulho que sente do seu feito, e de si mesmo)

Bem, a utilidade ainda não sei qual é, mas imagino que as gerações futuras encontrarão alguma, provavelmente adaptarão essa tecnologia para criar alguma arma, ou um eletrodoméstico, ou algo assim. Quanto ao criar, posso dizer com orgulho que sou o primeiro homem do mundo a criar com sucesso, o primeiro e, por enquanto, único, e exclusivo Bonsai-Humano da história!

11 de fev de 2011

DIÁLOGO SOBRE UM DISCÍPULO DEPRIMIDO.




Percebendo que seu discípulo andava meio cabisbaixo, com ar abatido e olhar tristonho, Niestévisky resolveu perguntar o que havia de errado. O diálogo entre os dois foi o seguinte:


Niestévisky: Caro discípulo, percebo que você está com algum problema. O que está atormentando sua pobre, entristecida, miserável, simplória e ignorante alma?
Discípulo: Mestre, minha vida anda muito difícil, nada dá certo para mim! Tudo o que tento fazer acaba dando errado.
Niestévisky: Isso é assim mesmo, são coisas da vida, não se desespere. É normal que durante a vida nos deparemos como situações ruins e aparentemente intransponíveis. Mas você sabe como é, no final...
Discípulo: Sei, no final tudo da certo.
Niestévisky: Bem, na verdade eu ia dizer que no final, de um jeito ou de outro, tudo termina. Mas essa sua linha de raciocínio também é boa.
Discípulo: Ultimamente eu nem tenho conseguido dormir direito, me viro na cama a noite toda, só pensando no quanto a vida é difícil.
Niestévisky: Bem, isso é realmente um problema, sei disso porque sou um grande especialista em distúrbio do sono.
Discípulo: Que bom saber disso, será que o senhor pode me dar alguma dica para eu conseguir dormir melhor?
Niestévisky: Desculpe, não entendo nada sobre isso.
Discípulo: Mas o senhor não é especialista em distúrbio do sono?
Niestévisky: Sim, mas como agente causador.
Discípulo: Mas como assim?
Niestévisky: Bem, posso dizer que já tirei o sono de muita gente. Mas isso não vem ao caso, voltemos ao seu problema.
Discípulo: Sim mestre, como eu dizia, não sei se conseguirei superar tantas dificuldades. Estou atravessando um inferno!
Niestévisky: Conseguirá sim, e nisso eu posso te ajudar. Eu mesmo já atravessei infernos algumas vezes durante a minha longo existência sobre esse planeta.
Discípulo: E como o senhor fez isso? Talvez a sua experiência possa servir como exemplo para mim. O que o senhor me aconselha?
Niestévisky: Bem, não sei se a minha experiência servirá para você, mas em todo caso, te darei um conselho assim mesmo.
Discípulo: Ah, muito obrigado, mestre. E qual é o conselho?
Niestévisky: Atravesse correndo.
Discípulo: Correndo? Como assim correndo?
Niestévisky: Ora, sabe como é: inferno, fogo, o chão muito quente...

31 de jan de 2011

DIÁLOGO SOBRE O JOVEM NIESTÉVISKY, E SUA FALTA DE JEITO COM AS MULHERES.



Niestévisky nem sempre foi o homem sedutor por quem milhares de mulheres, em todo o planeta, e até mesmo em outros planetas, têm se apaixonado perdidamente nas últimas décadas. Na verdade, no começo ele era um pouco desajeitado com as mulheres, tropeçava nas palavras, ficava nervoso, suava frio etc. Mas com o passar tempo ele foi aprendendo com os próprios erros e desenvolvendo a sua técnica infalível.
O diálogo que será apresentado logo abaixo retrata um pouco das dificuldades que o jovem Niestévisky enfrentou com as mulheres. Apesar de ser um pouco embaraçoso expor o Mestre desse jeito, por outro lado, isso serve para mostrar a sua incrível capacidade de superação.


Numa bela tarde ensolarada, Niestévisky e sua jovem namoradinha estavam sentados num banco de praça, numa pequena cidade do interior. A conversa entre eles não estava se desenvolvendo muito bem, se é que se poderia chamar aquilo de conversa, afinal, já fazia mais de meia hora que os dois estavam lá sentados, no mais completo e incômodo silêncio. Sabendo que era preciso fazer alguma coisa, Niestévisky reuniu toda a coragem que possuía, e depois de ensaiar mentalmente dezenas de vezes o que ia falar, acabou dizendo:

Niestévisky: Eu te amo!

Bem, não foi nada original, ou brilhante, mas foi uma bela frase. O problema é que a mocinha era jogo duro e invés de retribuir com um outro “eu te amo”, ou pelo menos um suspiro, ou qualquer coisa do tipo, ela resolveu dizer:

Namorada: Eu não acredito.

Niestévisky: (com ar pensativo, ele fez uma pequena pausa e disse, como se falasse para si mesmo) Eu não entendo as mulheres, eu digo que amo e nenhuma acredita. Se fosse uma vez só, ainda tudo bem, mas só esta semana você já é a quinta que duvida do meu amor... ops...


(percebendo que havia acabado de falar o que não devia, Niestévisky tenta mudar de assunto)

Niestévisky: Estou pensando em comprar um cavalo...

Claro que a garota não caiu nesse truque)

Namorada: Ah, seu cachorro! Então quer dizer que você anda por ai mentindo o seu amor para qualquer garota bonita que encontra pela frente?

Niestévisky: (com ar sério de quem se sentiu ofendido pelo que ela disse respondeu) Ora, mas é claro que não! Eu só tenho olhos para você.

Namorada: (sarcástica, e com faíscas de ódio saltando dos olhos) Sei, e é claro que eu acredito nisso!

Niestévisky: (aparentando profunda indignação) Não subestime assim os meus sentimentos! Além disso, saiba que eu não quero uma mulher bonita, nem linda, nem inteligente, nem gostosa, nem graciosa, nada disso. Eu quero é você!

(novamente percebendo que havia falado o que não devia, Niestévisky tenta mudar de assunto)

Niestévisky: Estou pensando em comprar um cavalo.

Namorada: Ah, então eu não sou bonita, nem inteligente, nem nada disso... então eu não tenho nenhuma qualidade?

Niestévisky: Claro que tem, meu amor. Aliás, você possui algo que nenhuma outra mulher possui, e que todas gostariam de possuir, mas que só você tem.

Namorada: (toda dengosa, esperando um elogio) Hum, é mesmo? E o que é?

Niestévisky: Eu. (disse isso e riu, achou que era uma boa piadinha para descontrair o clima tenso, mas infelizmente a garota não estava com muito bom humor naquele dia)

Namorada: (retorcendo a cara de tanta raiva) Mas seu filho da...

Niestévisky: (interrompendo bruscamente) Espere, não macule sua linda boca com palavras de baixo nível!

Namorada: Mas é esse tipo de palavra que você merece, seu cachorro!

Niestévisky: Minha amada, esqueça essa raiva e permita que eu me retrate. Você pode me pedir o que quiser, qualquer coisa, até mesmo a lua, e eu te darei.

Namorada: Pode ser.

Niestévisky: Pode ser o quê?

Namorada: Pode me dar a lua.

(Niestévisky não esperava por essa, pensou por alguns segundos e mandou a melhor resposta que encontrou, que não era grande coisa mas que foi a melhor que pôde criar, assim de improviso)

Niestévisky: Pois bem, se é a lua o que você quer, ela é sua, quando quiser é só você ir buscar.

Namorada: Eu buscar?

Niestévisky: Sim amor, sabe, minhas costas estão me incomodando um pouco, não sei direito o que é...

Namorada: (interrompendo) Sabe, você definitivamente não é nada romântico!

Niestévisky: (indignado com o que acabou de ouvir) Como não? Até escrevi esse cartão de amor pra você.

(entregou o cartão, ela abriu e leu o seguinte: Minha amada, não se afaste de mim jamais, pois quando penso em perdê-la, a tristeza se apossa de mim de tal forma, que sinto como se um demônio da quinta dimensão, vestido de nazista, retorcesse com alicates incandescentes, os delicados mamilos róseos da minha alma.

Namorada: Que horror! Niestévisky, você deve ter algum problema mental, e dos graves! Olha, lamento dizer isso, mas infelizmente você vai me perder.

Niestévisky: Perder você? Impossível!

Namorada: Impossível por quê?

Niestévisky: Olhe só o seu tamanho, eu teria que ser o homem mais distraído do mundo para perder algo assim tão grande.

Dessa vez ela nem disse nada, contentou-se em desferir um potente soco de direita no olho do jovem Niestévisky, soco este que o deixou desacordado por algumas horas, e com o olho roxo por duas semanas.

19 de jan de 2011

DIÁLOGO SOBRE ILUMINAÇÃO


Enquanto Niestévisky caminhava pelo jardim, verificando como estava a saúde física e mental das suas petúnias premiadas, o discípulo se aproxima e pergunta:

Discípulo: Mestre, desculpe interromper, mas estou com dificuldades para meditar e preciso de sua ajuda. Como faço para meditar corretamente?

Niestévisky: Simples, basta ficar parado e não pensar em nada.

Discípulo: Isso eu sei, mas é complicado. Eu já tentei várias vezes, mas quando eu começo a não pensar, logo penso, “consegui, não estou pensando em nada!” E ai já estou pensando em algo, e a meditação vai por água abaixo.

Niestévisky: Bem, você tem que ser paciente, a prática leva a perfeição.

Discípulo: Sim mestre, é isso que estou fazendo, mas confesso que às vezes me dá vontade de desistir. Não existe alguma técnica que me facilite atingir o objetivo?

Niestévisky: Sim, existe, mas é um método muito radical e perigoso, que poderá comprometer a sua mente de maneira irreversível.

Discípulo: Tudo bem, estou disposto a me arriscar. O meu desejo de me conectar com o universo é maior do que qualquer outra coisa.

Niestévisky: Então tudo bem, já que você assume os riscos, eu conto. Se, ao meditar, você não conseguir calar a sua mente, silenciar os seus pensamentos e não pensar em nada, crie em sua casa um lugar especial para meditação.

Discípulo: E como deve ser esse lugar?

Niestévisky: Retire tudo o que houver num quarto, então, quando o quarto estiver vazio, coloque no centro dele uma poltrona confortável. Depois disso, coloque uma cortina grossa na janela, de modo que impossibilite qualquer visão exterior que possa distrair a sua atenção. Melhor ainda se você eliminar completamente a janela, fechando-a com tijolos.

Discípulo: Hum, e fazendo isso poderei meditar com mais facilidade?

Niestévisky: Ainda não, falta o principal.

Discípulo: E o que é?

Niestévisky: Bem, como o seu objetivo ao meditar é não pensar em nada, você deverá colocar na sala um objeto que irá auxiliá-lo muito para alcançar o objetivo.

Discípulo: E o que é? Uma estátua de algum deus, uma relíquia, uma mandala, ou algo assim?

Niestévisky: Quase, instale uma televisão na sala.

Discípulo: Uma televisão?!?!

Niestévisky: Isso mesmo. Depois é só sentar na poltrona e assistir. Garanto que ao ser exposto a odses maciças de televisão, logo você não estará pensando em nada. E não se esqueça, dê preferência aos canais abertos, e aos programas mais populares. Mas cuidado, pode ser uma viajem sem volta. Se você sentir que seu cérebro está começando a escorrer pelos seus ouvidos, desligue o aparelho rapidamente.

Discípulo: Que método estranho...E o senhor já tentou esse método?

Niestévisky: Sim, tentei, mas foi traumático. Tive que lutar contra tentações terríveis.

Discípulo: Por exemplo?

Niestévisky: Bem, comecei a sentir desejos estranhos, vontade de comprar jogos de ferramenta, sanduicheiras elétricas, parafernálias eletrônicas de todos os tipos. Além disso, passei dias sendo atormentado pela lembrança de jingles comerciais e refrões de músicas de quinta categoria. No auge me deu vontade de fazer coisas bizarras como ir para a Disney, comprar um chapéu com orelhas do Mickey e tirar fotos ao lado de um cara vestido de Pateta. Mas eu resisti e superei esses pensamentos. Bem, resumindo, foi assim, depois de alguns dias de amortecimento mental, finalmente atingi a iluminação.

Discípulo: Ah, então o senhor atingiu a iluminação?!?!

Niestévisky: Sim.

Discípulo: E como é?

Niestévisky: É muito bom, a sensação é indescritível. Mas, para ser franco, não me lembro muito bem, já faz muito tempo que ela acabou.

Discípulo: Mas eu pensei que a iluminação fosse algo perpétuo.

Niestévisky: Que nada, eu fiquei iluminado por apenas 6 meses.

Discípulo: E depois desse tempo, o que aconteceu.

Niestévisky: Um dia O Universo mandou um anjo até mim, e ele cortou a iluminação por falta de pagamento.

12 de jan de 2011

EPÍSTOLA SOBRE A TRADUÇÃO DE UMA OBRA NIESTÉVISKYNIANA.



Caro discípulo, é com grande alegria que informo a você, e ao mundo, e ao universo todo, que acabei de escrever mais um livro, e que com ele eu adiciono mais 2.800 páginas à minha já vastíssima obra literária. Estou muito feliz com meu novo trabalho, pois esse texto possui uma particularidade interessante que o distingue das minhas outras obras. Ele foi completamente escrito em copta.

Caso você não saiba, e conhecendo você como eu conheço, imagino que não saiba mesmo, o copta é uma variação do antigo idioma egípcio, com o acréscimo de palavras gregas e latinas e que era usado correntemente desde o século III D.C.

Essa língua era escrita com letras gregas e seu alfabeto possuía, além das 24 letras gregas, mais outras 7, provenientes do memótico, que se destinavam a traduzir sons particulares da língua egípcia. Com o passar do tempo, o copta acabou sendo substituído pelo árabe no uso popular, mas ainda hoje ele é usado como língua litúrgica.

Eu adoraria falar mais sobre minha obra, e sobre o copta, mas estou com um pouco de pressa, por isso não posso me deter em pormenores. Bem, a verdadeira razão do envio desta carta é que preciso de um pequeno favor seu. Como deve ter percebido, se o correio cumpriu corretamente o seu trabalho, você está recebendo um pacote com os originais do meu livro. Preciso que você procure alguém para traduzi-lo, preferencialmente por preços módicos, pois editá-lo no original, em copta, reduziria drasticamente o possível número de leitores e prejudicaria a sua comercialização.

Espero que a tradução não demore muito, portante seja ágil! Eu mesmo gostaria de traduzir meu texto mas, infelizmente, estou impedido de fazê-lo, já que não falo absolutamente nada desse idioma esquisito. Por isso preciso esperar até que seja terminada a tradução, pois só assim poderei finalmente descobrir o que foi que eu escrevi. Então seja rápido, a curiosidade está me matando!

Ps: Pague o tradutor do seu próprio bolso, estou meio desprevenido financeiramente. Devolvorei seu dinheiro assim que sair a minha aposentadoria.

Grande abraço, saudações cordiais, benção e etc etc etc
Ass. Niestévisky.

3 de jan de 2011

Niestévisky, e a sua tardia paixão juvenil.



É natural que os meninos se apaixonem pelas suas professoras, bem, ao menos pelas professoras bonitas, é claro. Com Niestévisky não foi diferente, ele também se apaixonou por uma jovem e encantadora professorinha do primário. Mas essa não foi exatamente uma paixão infantil, já que Niestévisky estava, naquela época, com mais de quarenta anos.

Niestévisky conheceu a jovem porque ele morava na frente da escola onde ela lecionava. Foi uma paixão arrebatadora. Ferido pela flecha do cupido, todos os dias, na hora da entrada e na hora da saída dos alunos, Niestévisky ficava parado na frente do portão da sua casa, com a cara idiota de apaixonado, vestindo o seu terno de domingo e com cabelos penteados e dentes escovados. Assim, toda vez que a jovem passava por ele, o pobre apaixonado estufava o peito, encolhia a barriga e dava um sorriso radiante, usando a sua melhor dentadura, enquanto tentava fazer uma cara sexy. Mas ela passava por ele completamente indiferente e sem nem mesmo notar a sua presença.

Assim o tempo foi passando e Niestévisky ficava cada vez mais apaixonado, porém nada acontecia. Por isso um dia ele tomou coragem, e meia garrafa de vodca com limão, e resolveu escrever uma carta declarando seus sentimentos para a garota. Depois de pensar muito, escrever centenas de rascunhos, pesquisar frases bonitas em poesias de amor, finalmente terminou a sua carta, colocou-a num envelope e postou no correio.

Depois disso, Niestévisky ia todos os dias até a caixa de correio, ansioso por encontrar uma carta da sua linda professorinha. Essa angústia durou uma semana, mas finalmente um dia o carteiro parou na frente da sua casa e depositou um envelope na sua caixa. Assim que o carteiro desapareceu, Niestévisky saiu correndo para buscar a tão esperada resposta.

Com as mãos trêmulas, ele colocou os óculos, sentou-se no sofá e leu no envelope o nome do remetente. Sim, era uma carta enviada pela sua amada professorinha. Mal podendo conter o nervosismo, ele rasgou o envelope, retirou a carta e começou a ler, mas, para sua terrível decepção, o conteúdo não era exatamente o esperado.

Dentro do envelope o pobre e desiludido Niestévisky encontrou a carta que ele mesmo havia enviado para a jovem. Sim, ela devolveu a sua carta, mas com alguns acréscimos. Agora o papel estava cheio de rabiscos feitos com tinta vermelha. A professorinha havia corrigido o seu texto e apontado todos os erros gramaticais. No canto esquerdo superior, estava a sua nota: 3,5.

Bem, depois disso, Niestévisky mudou-se para outra casa... e comprou um dicionário e alguns livros de gramática.