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26 de jun de 2010

EPÍSTOLA DO CÁRCERE.



Caro discípulo, estou escrevendo para pedir um pequeno favor. Lembra daquela prisão de ventre que me acometia desde quinta-feira passada? Pois é, a coisa piorou e agora estou com prisão de corpo inteiro. Por isso eu preciso que você contate os nossos advogados e peça que venham imediatamente para o 38ª DP.

Eu mesmo poderia ligar para eles, mas eu só tenho direito a uma ligação e já usei para pedir uma pizza. Peço também que seja rápido, pois tem um sujeito aqui na minha cela, um tal de Tonhão Coice de Mula, que toda a vez em que olho para ele, me dá uma piscada de olho e passa a língua pelos lábios. Não sei o que ele quer, mas minha intuição me diz que não deve ser boa coisa.

Bem, imagino que você queira saber a razão do meu aprisionamento. Lembra-se de que te falei sobre o meu desejo de possuir um pequena casinha branca no alto de uma colina verdejante, onde eu pudesse relaxar e meditar sobre os grandes temas do universo? Pois bem, finalmente adquiri uma, exatamente como era do meu gosto. O problema é que para melhor aproveitar o meu empreendimento, e obter algum lucro, afinal, os tempos estão difíceis e até mesmo um sábio precisa fazer seu pé-de-meia, transformei a minha pequena casinha branca no alto de uma colina verdejante, numa pequena casinha da moeda no alto de uma colina verdejante.

Segundo o delegado, essa foi a razão do meu encarceramento. Ao que tudo indica, o governo não gosta de concorrência e nem está disposto a apoiar a livre iniciativa de homens empreendedores feito eu. É uma pena, pois agindo assim creio que estão atravancando o desenvolvimento da pátria. Além disso eu nem era realmente um concorrente direto da Casa da Moeda oficial, pois eu resolvi diversificar e produzir cédulas alternativas às que já circulam no mercado. Minha ideia era explorar um nicho de mercado específico e ainda não explorado, as notas de 3 e 4 reais. Se você tiver a oportunidade de ver uma dessas notas tenho certeza que ficara espantado com o belo trabalho que eu fiz, principalmente a de 4 reais, que foi lindamente estampada com um retrato meu.

Bem, isso é tudo o que você precisa saber por enquanto. Peço que seja rápido, pois Tonhão Coice de Mula me preocupa. Ele acabou de me enviar um beijinho soprando na palma da sua mão. Ah sim, uma última coisa, quando eu for solto avise a imprensa e prepare uma manifestação na porta da delegacia. Essa injustiça não ficará sem uma resposta adequada de minha parte. Como protesto atearei fogo às próprias vestes! Sem que eu esteja dentro, é claro.
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Ps: Entre em contato com um produtor musical, estou pensando em aproveitar a minha experiência por trás das grades para lançar um disco de Rap.

11 de jun de 2010

A PÁTRIA DE CHUTEIRAS




Finalmente começou a copa do mundo, e agora todo o povo brasileiro deve torcer para a nossa seleção. Sim, pois se a seleção brasileira for bem, poderemos mostrar aos países do primeiro mundo que se eles têm tecnologia, se eles têm saúde, se eles comem três refeições por dia, se eles têm boas escolas, se eles têm saúde, bons hospitais, remédio e etc, nós temos o futebol e... hã... bem... sabem de uma coisa, esqueçam o que eu estava dizendo...

6 de jun de 2010

O DESPERTAR DE NIESTÉVISKY



Pela manhã, Niestévisky despertou, amaldiçoou o despertador, levantou-se do seu leito e dirigiu-se à cozinha para tomar café. Chegando lá, ele foi recebido com um sorridente “bom dia” dado pelo seu discípulo. O mestre retribuiu o cumprimento com um resmungo, seu humor é sempre péssimo pela manhã, e sentou-se.
O discípulo, gentil como sempre e querendo puxar conversa, disse:
Discípulo: Mestre, como o senhor acordou hoje?
Niestévisky: Deitado.
Não se deixando abater por essa resposta, digamos, um pouco indelicada, o discílpulo continuou tentando manter um diálogo.

Discípulo: Sim Mestre, eu sei, perguntei se o senhor dormiu bem. como foi a sua noite de sono?

Niestévisky: Ruim. (bocejo)

Discípulo: Mas por quê Mestre?

Niestévisky: Tive um sonho estranho.

Discípulo: E como foi esse sonho?

Niestévisky: Sonhei com uma cobra que mordia a si mesma, fazendo assim um círculo perfeito. Depois ela começou a girar vertiginosamente até que seu corpo incendiou. Mesmo pegando fogo, ela ainda girava, e do meio daquele círculo flamejante saiu um anjo azul com asas amarelas. Esse anjo retirou do seu bolso esquerdo um pequeno objeto que ao ser exposto à luz, cresceu e se transformou num foguete. Então o anjo entrou no foguete e desapareceu por entra as estrelas.

Discípulo: Mestre, que sonho incrível! Imagino que ele possua algum significado.

Niestévisky: Ah, mas é claro que sim.

Discípulo: Mestre, e o que significa esse sonho?

Niestévisky: Significa que eu estava dormindo.
Discípulo: ... ovos?
Niestévisky: Três.