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27 de fev de 2010

LEMBRANÇAS




Hoje estou um pouco melancólico. Passei a manhã toda recordando minha infância, minha família e de como eram as coisas naquela época.

Lembro-me que morávamos numa pequena fazenda, distante do centro da cidade. Uma vez por mês o meu pai, meus irmãos e eu, íamos até a cidade para vender o que produzíamos e comprar algumas coisas que precisávamos.

Naquela época ainda não havia automóveis, por isso íamos de carroça. Hoje seria bem mais fácil, graças aos modernos meios de transporte, mas naquela época uma simples ida até a cidade era praticamente uma viagem, um evento planejado com dias de antecedência.

Lembro-me do meu pai. Ele aparentava ser alto e imponente, sentado sobre a carroça, com as rédeas e o chicote nas mãos.

Ir à cidade era um pouco desagradável e muito cansativo. 8 horas para ir e mais 8 horas para voltar. Sim, aqueles eram tempos difíceis, éramos pobres, nem cavalo tínhamos... e como pesava aquela carroça!

19 de fev de 2010

EPÍSTOLA SOBRE ARTE E MOVIMENTO


Caro discípulo, é com enorme pesar que lhe peço através desta carta, para que cancele as passagens de avião e as reservas de hotel, pois não poderei participar de bienal de artes modernas do Niestévistão, a grande pátria de onde meus antepassados imigram, ou foram “imigrados”, bem, mas isso não ao caso agora. É realmente uma pena, pois já fui convidado para esta mesma bienal, a do ano passado, mas como não pude ir, eu havia prometido que participaria da deste ano.


Bem, antes que você me pergunte, e eu sei que você fará isso, vou te contar o motivo do cancelamento da minha exposição. Você sabe que eu sou um grande artista, com um talento incomparável. Meu talento é tão maravilhoso que muitos críticos afirmaram que nenhum dos grandes gênios da pintura jamais pintaria como eu pinto. Na minha juventude pintei muitos picassos, van goghs, monets etc. Mas parei de pintar depois que eu acabei sendo aprisionado... pelo irresistível desejo de salvar a humanidade.


Apesar de eu haver abandonado as artes já há muito tempo, fiquei entusiasmado pelo convite, pois se tratava de expor na terra dos meus antepassados. Inclusive era minha intenção pesquisar a árvore genealógica da minha família nos arquivos da polícia do Niestévistão, mas isso ficará para quando eu for participar da bienal do ano que vem.


O meu sentimento de frustração é enorme, pois como fiquei muito feliz com a oportunidade de visitar a terra dos meus antepassados, resolvi criar uma obra grandiosa, algo que fosse digno de alguém como eu. Passei algum tempo pesquisando e estudei todas as tendências artísticas. Depois de muita pesquisa, resolvi optar pelo cinetismo. Caso você não saiba, e imagino que não saiba, a palavra cinético está ligado a ideia de movimento. É uma corrente artística que visa romper com a condição estática das artes convencionais como a pintura e a escultura, criando com isso uma obra que não só represente o movimento, mas que esteja em movimento realmente.


Bem, depois de um projeto meticuloso e horas de trabalho árduo, dei por terminada a minha obra. Porém, foi só então é que eu me dei conta de um problema, exagerei no cinetismo. A minha obra se movimentava, mas se movimentava demais. Tanto isso é verdade que assim que eu a concluí, ela saiu correndo. Fui atrás dela, mas as minha pernas cansadas não foram capazes de alcançá-la. Assim, resignado, eu me sentei no chão e fiquei vendo a minha arte desaparecendo na linha do horizonte.


Agora que já te contei tudo o que se passou, faça o que pedi, cancele as passagens e as reservas de hotel.

Um cordial abraço. Assinado, Niestévisky.


PS: Se você se deparar com uma... uma... bem, não sei exatamente como descrevê-la, mas enfim, se você se deparar com alguma coisa que você não saiba como descrever, e se essa coisa estiver correndo feito uma louca, deve ser a minha obra. Tente segurá-la, e pode usar de força bruta. Provavelmente ela só ira parar de correr se for abatida a tiros.

6 de fev de 2010

DESOBEDIÊNCIA E SOBREVIVÊNCIA





Em determinadas circunstâncias, desobedecer os pais pode salvar a vida de um filho, e eu sou a prova viva disso. Durante a minha infância, minha mãe, como toda boa mãe, me mandava escovar os dentes. Mas eu, como criança prodígio que era, estava sempre muito atarefado com coisas mais importantes. Eu tinha que estudar textos sagrados, levitar, meditar, conversar com gnomos, dominar todas as ciências do universo, e coisas desse tipo.


Por isso, unicamente por falta de tempo, eu não escovava meu dentes com muita regularidade. Sim, às vezes é preciso fazer alguns sacrifícios para atingir um objetivo maior e mais nobre. Afinal, não é fácil ser um gênio! Salvar a humanidade sempre foi o meu objetivo, e até mais que isso, posso dizer que salvar a humanidade é o meu destino! Ora, com o destino de bilhões de almas em minhas mãos, o meu hálito, definitivamente, não era uma prioridade.


Pois bem, um dia, quando eu tinha 10 anos, resolvi fazer um avião. Para isso eu usei uma geladeira velha, um despertador estragado e mais algumas coisas que encontrei na garagem da minha casa. Deu algum trabalho, demorei quase um dia inteiro, mas consegui. Com meu avião concluído, agora era preciso testá-lo para me certificar de que ele estava realmente funcionando. Por isso eu o levei até um campo de futebol perto de casa, e dei a partida no motor. Funcionou, e eu sai voando através da imensidão do céu azul.


Claro que sendo eu apenas uma criança, portanto sem as habilidades intelectuais plenamente desenvolvidas ainda, cometi alguns erros no meu projeto e por isso o meu aeroplano acabou tendo alguns problemas e eu acabei caindo no meio da floresta amazônica, depois de 17 horas de voo.


Bem, imagino que agora você esteja se perguntando, cheio de preocupação e angústia: “Meu Deus, será que Niestévisky sobreviveu ao desastre?!” Sim, eu sobrevivi. Apesar da gravidade do acidente, eu sai ileso. Meu corpo estava intacto, sem nenhum arranhão sequer, apenas o incômodo sentimento de frustração por ter falhado me causou algum desconforto mental.

E lá estava eu, completamente perdido no meio da floresta, sem nenhum equipamento de sobrevivência e sem comida. Fique vagando perdido no meio da mata por 2 meses, sem avistar nenhum ser humano, e só não morri de fome antes de ser resgatado, porque durante esse tempo eu me alimentei dos restos de comida que havia entre meus dentes.

3 de fev de 2010

ASSIM COMO SÃO AS PESSOAS...



Pessoas são estranhas! Uma vez conheci um rapaz que era muito exigente em relação a mulheres. Ele queria desposar uma garota que fosse perfeita, porém, ao mesmo tempo ele reconhecia que era um homem muito feio, pobre e além disso era um grande mau caráter.

Por causa desse paradoxo ele morreu solteiro. É que ele jamais aceitaria se relacionar com uma mulher que se rebaixasse tanto a ponto de aceitar se relacionar com alguém como ele. Sim, definitivamente, pessoas são estranhas!