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24 de dez de 2010

MEMÓRIA NATALINA



Durante a ceia de natal Niestévisky estava reunido com seus discípulos. antes que fosse servida a comida algumas pessoas pediram que ele dissesse algumas palavras sobre o natal. Como ele havia bebido um pouco, a sua capacidade criativa estava um pouco comprometida e nenhuma ideia lhe passou pela cabeça, assim, em vez de proferir um discurso edificante, com a voz levemente enrolada e pastosa, ele resolveu apenas contar uma passagem natalina da sua infância:

Estou me lembrando agora, de um natal em particular, que se passou quando eu era criança. Eu estava no meu quarto, deitado sobre a cama e pensando sobre os grandes temas do universo, e visualizando mentalmente imágens belas e profundas. Meus pais não estavam em casa naquela noite. Lá estava eu, sozinho, absorto em profundos pensamentos místicos, quando de repente ouvi um ruído. Levantei e fui ver o que era. O barulho parecia vir do lado de fora da casa. Espiei pela janela e vi, por mais inacreditável que possa parecer, o trenó do papai noel estacionado lá fora. Ele estava lá, igual ao que a gente sempre vê nos filmes, com as renas, as luzes, o saco enorme de presentes e tudo mais.

Corri para fora na tentativa de interceptar o bom velhinho. Fiz isso porque lá em casa não tínhamos chaminé, então tive medo que ele fosse embora antes de me dar os presentes, aliás, coisa que ele não vinha fazendo há muitos anos.


Assim que abri a porta, fui surpreendido pelo Papai Noel, que estava parado na frente da porta esperando que fosse aberta para que ele pudesse entrar. Maravilhado, perguntei se ele havia me trazido algum presente, e ele me respondeu que sim, que me trouxera o maior presente de todos. Ao dizer isso ele abriu seu saco de presentes e de lá saíram Jesus, Buda, Krishna, Tupã e mais uma porção de outras divindades.


Todos eles entraram na minha casa, sentaram-se no chão e se puseram a me instruir sobre o segredo último do universo. Conversamos durante muito tempo, mas a conversa fluía tão bem e agradavelmente, que nem senti o tempo passar. Depois de me serem revelados todos os segredos impenetráveis do além, e de me revelarem o grande destino que me havia sido delegado, todos eles entraram novamente no saco de presentes e foram carregado até o trenó pelo Papai Noel, que em seguida se despediu gentilmente de mim, e partiu voando em seu trenó mágico.


Depois que partiram, fiquei sozinho novamente, sentado na sala, meditando sobre o que havia acontecido. Eu estava completamente imerso em meus pensamentos e assim permaneci até que meus pais retornaram. Quando eles chegaram em casa, corri contar o que havia acontecido. Eles me ouviram atentamente, e então meu pai se levantou, tirou o cinto e me bateu.


Bateu?! - Perguntou um dos seus discípulos, assustado com tal atitude.


_Sim.


_Mas por que ele fez isso???


Para que eu nunca mais mexesse naquele saquinho de comprimidos de LSD que ele escondia na gaveta de meias.

20 de dez de 2010

MINHA INFÂNCIA

Eu fui uma criança precoce.



Ainda pequeno, eu já demonstrava
os meus enormes poderes.



Infelizmente cometi alguns pequenos erros



Mas graças a modernas técnicas pedagógicas
eu retornei ao bom caminho

E finalmente atingi a iluminação.
Já faz muito tempo que passei pela infância,
mas confesso que ainda sinto saudade de
algumas coisas...






16 de dez de 2010

Reflexões sobre mais um sonho estranho de Niestévisky.



Niestévisky estava sentado na cadeira de balanço, na varanda de sua residência de campo, fumando um cigarro apagado, já que o médico o proibiu de fumar cigarros acesos, enquanto olhava para o nada com um profundo olhar vazio e meditativo. Seu discípulo, ao passar por ali e ver o mestre em tal posição, não resistiu e foi perguntar o que estava se passando no interior daquele magnífica cabeça.

Discípulo: Mestre, desculpe a minha curiosidade, mas eu, enquanto simples mortal que sou, apenas um pobre homem submerso nas trevas da ignorância, não posso deixar de perguntar quais maravilhosos pensamentos passam agora pela sua cabeça. Vejo o quanto o senhor está pensativo, com certeza deve se tratar de algum assunto elevado.

Niestévisky: Sim, de fato estou aqui meditando sobre algo que aconteceu comigo hoje.

Discípulo: Quando, hoje pela manhã?

Niestévisky: Não, foi durante a madrugada, enquanto eu dormia.

Discípulo: E o que aconteceu durante o seu sono sagrado, oh Grande sábio maravilhoso, oh gênio entre os gênios, oh senhor absoluto da humanidade, oh detentor supremo de todos os segredos herméticos do universo, oh...
Niestévisky: (interrompendo com uma certa rispidez) Tá bom, eu sou tudo isso, mas se você não ficar quieto, não vou poder contar o que aconteceu!

Discípulo: Ah sim, desculpe mestre, prossiga.

Niestévisky: Então, foi um sonho muito estranho. Eu estava num lugar desconhecido e chovia muito. Perdido, eu caminhava pelas ruas desertas daquele lugar, e assim segui vagando por algum tempo até que cheguei à borda de um precipício. Olhei para baixo, mas nada podia ser visto lá no fundo.


De repente o chão desmoronou e eu cai para dentro do precipício. Pensei que eu morreria ao bater contra o chão duro, mas para minha surpresa, em vez de me chocar contra o chão, eu caí num oceano. Perdido no meio de um mar gigantesco, comecei a nadar. Nadei durante dias e dias, sem que houvesse sinal algum de terra firme. Então, sem que eu me desse conta da sua presença, bati a minha cabeça contra um cano. Era um cano largo, com espaço suficiente para que eu pudesse entrar nele. Bem, foi exatamente isso o que eu fiz.


Entrei pelo cano e comecei a rastejar no seu interior, com um pouco de dificuldade. Foram dias e dias me arrastando dentro daquele ambiente claustrofóbico. Depois de muito tempo, encontrei uma curvatura no cano, que até ali era sempre reto. A curvatura era para baixo. Mesmo com medo, segui em frente. Descobri que o fim daquele cano dava numa enorme torneira. Escorreguei por ela e cai numa pia igualmente enorme, e cheia de água. Então, uma gigantesca mão surgiu do nada e puxou a tampa do ralo, e lá fui eu pelo cano do ralo junto com a água.


Depois de algum tempo rolando pelo esgoto, acabei desembocando num rio. Era um rio com uma forte correnteza, contra a qual eu não podia lutar. Sem ter o que fazer, deixei que a água me levasse. Depois de algum tempo, ouvi um ruido baixo, que foi crescendo de intensidade conforme eu ia me aproximando da cachoeira. Com muito medo, despenquei cachoeira abaixo. Foram dias e dias de queda, até que finalmente o meu voo teve um fim. Cai sobre a minha cama. Nesse momento eu acordei.


Discípulo: Que coisa mestre, foi um sonho realmente incrível! Imagino que um sonho tão extraordinário como esse deve possuir algum significado oculto.


Niestévisky: Sim, foi exatamente isso o que eu pensei. Por isso, sem nem mesmo me levantar da cama, comecei a meditar sobre o que eu havia sonhado.

Discípulo: E qual foi a sua conclusão?


Niestévisky: Bem, concluí várias coisas. Primeiro pensei que o fato de eu ser levado o tempo todo pela água se referia ao meu destino, e que por mais que eu lute contra ele, não posso, e nem devo lutar contra a minha missão sagrada de iluminar a humanidade com a verdade absoluta e iluminada da minha sabedoria.


Sobre o mar, onde eu estava boiando sozinho, imaginei que retratava a solidão que nós, os grandes homens, enfrentamos por sermos pessoas tão raras neste mundo, e que justamente por isso, jamais poderei contar com a companhia de seres iguais a mim. Por tando, a minha caminhada sobre a terra será solitária.


Sobre o cano que dava numa torneira e desembocava numa pia, bem, o significado me pareceu bem óbvio. Deveria ser a lembrança de que eu nasci para “lavar” a humanidade de todas as suas impurezas.


Sobre a cachoeira, acreditei que era um aviso de que eu, por mais medo que eu tenha, não devo tentar resistir ao meu destino. Que devo é me deixar levar por ele, pois no final de tudo, encontrarei o descanso dos juntos, simbolizado pela minha cama que me esperava no final da queda.


Discípulo: Sim mestre, me parece que esse deve ser realmente o significado correto do seu sonho.


Niestévisky: Sim, foi isso que eu também pensei enquanto estava deitado meditando sobre o sonho. Mas mudei de ideia assim que me levantei da cama.


Discípulo: Mas por quê?


Niestévisky: Bem, ao me levantar da cama descobri que a razão de eu haver sonhado com tanta água assim se deveu ao fato de que eu fiz xixi na cama enquanto dormia. E por falar nisso, venha comigo!


Discípulo: Onde mestre?


Niestévisky: Preciso de ajuda para colocar o colchão ao sol.

25 de nov de 2010

EPÍSTOLA DA ITÁLIA.



Caro discípulo, creio que já terminei a minha missão aqui na Itália, portanto estou de malas prontas para retornar ao nosso querido Brazil, ou melhor dizendo, Brasil. Mas antes do meu retorno ao lar, deverei fazer uma breve visita ao Paraguai, pois esse nosso país irmão, carente dos meus elevados ensinamentos, contratou uma série de palestras minhas sobre temas diversos.

Infelizmente descobri que estão vendendo as minhas palestras com o nome do palestrante alterado. Até isso se falsifica hoje em dia... Pensei em reclamar, mas como o pagamento é bom, e o que importa é espalhar meus conhecimentos polo mundo, farei assim mesmo. Para não frustrar a plateia, assumirei a identidade do nome posto no cartaz, será difícil mas pelo menos também será um bom exercício de interpretação teatral. Portanto, se você ouvir dizer que Bill Gates, Nelson Mandela, Al Gore e Gandhi, estão palestrando no Paraguai, saiba que sou eu, mas por favor, não espalhe isso por ai. Tenho medo que se o povo souber que na realidade estas pessoas todas são Niestéveisky, haja tumulto e as ruas sejam tomadas por milhares de fãs ávidos por me ouvirem, tocarem minhas vestes sagradas, tirarem fotos comigo e cobrarem algumas pequenas dívidas que possuo na praça.

Aproveitando minha ida ao Paraguai, comprarei aquele MP3 que eu tanto queria, assim, enquanto viajo pelo mundo poderei ouvir minha coleção de cantos gregorianos, mantras tibetanos e moda de viola. Veja aí com o pessoal, se alguém quiser alguma encomenda me avise, faço um precinho camarada, coisa de mestre para discípulo.

Bem, voltando a falar sobre a Itália, tenho muitas coisas para contar, muitas experiências agradáveis, e outras nem tanto. Fui levado para conhecer Veneza, mas infelizmente levei azar, a cidade é muito bonita, mas quando estive lá as ruas estavam todas alagadas. Pelo jeito isso deve acontecer com frequência, pois a população se portava com naturalidade, mesmo diante dessa tragédia natural. Apesar disso é uma bela cidade, pretendo voltar lá quando as águas abaixarem.

Depois fui levado para conhecer a torre inclinada de Pisa, e adivinhe só o que descobri, ela está torta! E além de torta, é velha! Não entendo, a Italia é um pais rico, já poderia ter feito uma outra, mais nova, com desenho mais moderno e com fundações mais sólidas. Aliás, é incrível a quantidade de construções velhas que há por aqui! Imagino que talvez a mão de obra daqui seja muito cara, ou algo assim. Tentei pesquisar sobre isso mas, infelizmente, os italianos são muito ignorantes, ninguém, absolutamente ninguém, foi capaz de compreender o meu italiano, portanto, as perguntas que fiz foram em vão.
Também fui ao Coliseu. Os que reclamam do estado dos campos de futebol brasileiros, deveriam ver o Coliseu. Está em péssimo estado de conservação, praticamente em ruínas. Fiquei decepcionado com o governo italiano, um lugar tão famoso, e os caras não fazem nada. Poderiam pelo menos passar uma tinta, quem sabe mudar a cor das paredes, usar uma cor mais alegre.

Bem, devo dizer que os italianos são muito estranhos, por mais que eu me esforce, não consigo entender o modo como eles pensam. Para você ter uma ideia, fui presenteado com um exemplar de um livro chamado "Divina Comédia". Passei horas lendo, depois li novamente, e ainda mais uma vez, e juro, não achei a menor graça. Não entendi nenhuma piada, sei lá, italianos têm um senso de humor bem estranho.

A boa notícia é que eu consegui falar com o Papa. Como a minha viagem foi patrocinada pela ala gay dos nossos discípulos, eu estava imbuído da difícil missão de tentar mudar o pensamento do Vaticano sobre o casamento gay. Devo dizer que o Papa é muito duro de convencer, foram horas de conversa, na qual usei todo o meu poder de retórica. Não consegui tudo o que eu queria, mas ao menos consegui obter algum avanço. Graças a mim, agora o Vaticano está liberando o casamento gay. Não é uma liberação completa, existe ainda uma pequena ressalva, o Vaticano permitirá o casamento gay, desde que não seja entre gays do mesmo sexo e que o gay não se revele publicamente com tal. Bem, já é um avanço.

Encerro por aqui está breve carta, saudações cordiais.
Ass: Niestévisky.

18 de nov de 2010

A SEITA DO BANCO SAGRADO.



O discípulo foi até o gabinete de Niestévisky para conversar e, quem sabe, adquirir um pouco da infinita sabedoria niestéviskyniana. Entrou, fez os cumprimentos habituais e foi se sentar num banco que havia ali por perto. Ao ver que o discípulo estava prestes a repousar o seu herege traseiro no referido banco, Niestévisky deu um grito desesperado e ordenou que ele não esse aproximasse daquele banco. O pobre discípulo, aturdido e confuso, quase teve um ataque cardíaco causado pelo susto que levou da reação exagerada do mestre.
Num primeiro momento o discípulo pensou que a reação do mestre fosse porque se tratasse de um banco muito caro, mas depois de olhar melhor para o banco concluiu que não seria esse o caso. Era um banco bonito, entalhado em madeira, porém com aspecto rústico e desgastado, provavelmente era muito velho.

Curioso, o discípulo, ainda tremendo um pouco, perguntou:

Discípulo: Mestre, perdão! Não imaginei que eu não pudesse me sentar ai. Mas afinal, o que tem de especial esse banco velho? É alguma relíquia de família?
Niestévisky: É uma relíquia sim, mas não é de família. Esse banco me foi dado há muito tempo, para que eu fosse o seu guardião.
Discípulo: Guardião? Mas o que tem esse banco de tão especial, que precise de um guardião?
Nistévisky: Ele foi feito com a madeira da árvore Bodhi.
Discípulo: Aquela sob a qual Buda atingiu a iluminação?!?!
Niestévisky: Sim, essa mesma.
Discípulo: Mas então esse banco é realmente uma relíquia preciosa!
Niestévisky: Sim, apenas por esse fato ele já seria realmente uma relíquia prodigiosa, porém, ainda tem mais. Depois de conseguir a madeira da árvore, o fundador da mundialmente desconhecida Seita Secreta do Banco Sagrado...
Discípulo: Seita secreta do banco sagrado?! Nunca ouvi falara.
Niestévisky: Claro que não ouviu, como eu disse, somos secretos e somos bons no que fazemos. Mas continuando, o nosso fundador, sem saber direito o que fazer com aquela madeira sagrada, subiu em um monte e orou a Deus. Segundo a tradição, algumas horas depois ele desceu de lá com uma tábua onde estava registrado o desenho detalhado de um banco que deveria ser feito com aquela madeira. Inclusive, se você olhar em baixo do banco, verá a inscrição design by God.
Discípulo: Ah não mestre, design by God foi demais! Desculpe, mas nessa história está difícil de acreditar!
Niestévisky: Bem, então já que você é um homem de pouca fé, nem vou perder meu tempo contando o resto.
Discípulo: Ainda tem mais?
Niestévisky: Sim, mas não vou te contar.
Discípulo: Por que não mestre?
Niestévisky: Porque não quero perder meu tempo. Se você não acreditou no que eu disse até agora, quando eu te contar quem foi o carpinteiro que confeccionou o banco, ai é que você não acredita mesmo!

7 de nov de 2010

DIÁLOGO SOBRE CRIANÇAS E PALMADAS



Niestévisky caminhava calmamente pela calçada quando se deparou com uma cena que chamou a sua atenção. Ele viu um pai que repreendia seu filho e lhe dava algumas palmadas leves como castigo. Não suportando ver aquilo, Niestévisky aproximou-se do homem e lhe disse:

Niestévisky: Senhor, ordeno que pare já com essa brutalidade!
Pai: E posso saber quem é você para se achar no direito de me dar ordens?
Niestévisky: Ora, eu sou Niestévisky!
Pai: Senhor Niestévisky, desculpe, não o reconheci. O senhor está diferente... não sei... seus cabelos estão diferentes...
Niestévisky: Estão sim, fiz alisamento japonês.
Pai: Hum, ficou bom. Custou caro?
Niestévisky: Até que não muito, na verdade eu achei barato levando em consideração o ótimo resultado que obtive e... Ora, pare de tentar desviar o assunto, seu bruto! Onde já se viu, um homem do seu tamanho batendo em uma frágil criança!
Pai: Mas é para o próprio bem dele, o senhor deve saber que às vezes são necessárias uma palmadas para se educar um filho.
Niestévisky: Não senhor! A violência não leva a lugar nenhum, além disso, o máximo que o senhor conseguirá com isso será traumatizar o pobre menino.
Pai: Não seja tão dramático. Um pouco de castigo físico leve, aplicado na hora certa não vai traumatizar ninguém.
Niestévisky: Ora meu amigo, pois saiba que uma vez, quando eu era menino, meu pai retirou a própria cinta que estava usando e me bateu com ela, e mesmo não tendo doído quase nada, carreguei o trauma por muitos anos.
Pai: Ah não, o senhor me desculpe, mas está exagerando novamente! Uma surra de cinta, que como o senhor mesmo disse, nem doeu, não causa trauma em ninguém. Eu mesmo, apanhei muitas vezes com a cinta do meu pai e não tive trauma nenhum. E afinal, por que o senhor ficou traumatizado?
Niestévisky: Era uma cinta-liga.
Pai: … bem... nesse caso eu retiro o que disse... Mas mesmo assim, o moleque mereceu umas palmadas!
Niestévisky: Mas o que essa pobre e inocente criança fez?
Pai: Pegou uma pedra e riscou um carro.
Niestévisky: Bem, isso é errado, mas não se resolve um erro cometendo um outro. O senhor fale com o dono do carro, explique o que aconteceu, com diálogo tudo se resolve. Se quiser eu mesmo falo com ele. Qual é o carro?
Pai: (apontando) Aquele ali.
Niestévisky: Qual? Aquele fusca?
Pai: Não, o outro. A brasília.
Niestévisky: Aquela brasília verde?
Pai: Isso mesmo.
Niestévisky: A minha brasília verde?!?!

Nesse momento encerra-se o diálogo. Como informação complementar, deixo registrado que foi necessário 5 homens para segurar Niestévisky, que num acesso de fúria, enquanto proferia algumas palavras que não podem ser reproduzidas aqui, tentava acertar o moleque com a sua bengala.

26 de out de 2010

Neve.


Niestévisky possui um vizinho muito desagradável, um homem chato, mau-humorado, ranzinza, grosseiro, enfim, um homem cheio de defeitos. Porém, de todos os defeitos que ele possui, o maior de todos, com certeza, é a implicância que ele tem com Niestévisky. Inacreditavelmente, o homem não acredita na superioridade intelectual, mística, física e etc, do nosso grande mestre.
O sujeito mora só, o que é plenamente compreensível, já que ninguém suportaria conviver com alguém como ele. Pois bem, como não tem nada para fazer com a sua vida, ele passa o tempo todo pensando em alguma maneira de prejudicar a mundialmente famosa e renomada fama do grande Niestévisky.
Certa vez, sem aguentar mais o ódio iconoclasta que domina a sua alma nefasta, o homem chegou a praticar um terrível atentado contra o mestre... bem, na verdade não foi um atentado tão terrível assim, e também não foi exatamente um atentado. O ataque consistiu em pichar uma frase denegrindo a honra de Niestévisky. Armado com uma lata de tinta e um pincel, ele se arrastou sorrateiramente, ocultando-se sob o manto negro da escuridão da madrugada, e covardemente escreveu no muro do instituto onde Niestévisky mora, a seguinte frase: Niestévisky é um bobão! Esse ato absurdo revela duas coisas, a primeira é o ódio que ele sente pelo mestre, e a segunda é que o sujeito não é exatamente um prodígio na arte de ofender pessoas.
Uma outra vez, pela manhã, Niestévisky saiu de casa vestindo o seu pijama sagrado e foi buscar o jornal, que o entregador insistia em jogar em qualquer lugar que não fosse perto da porta. Por coincidência, no mesmo instante passava o seu vizinho pela calçada. Niestévisky, cordial como sempre, disse um amistoso bom dia, que foi respondido pelo vizinho com um indecifrável grunhido e continuou caminhando. Porém, sem conseguir conter o seu ódio irracional, o homem deu meia-volta e disse:
Vizinho: Andei ouvindo por ai que o senhor disse que pode controlar a natureza.
Niestévisky: Tu o dizes.
Vizinho: Sim, eu sei que eu digo... mas eu quero é saber se é verdade!
Niestévisky: É verdade sim.
Vizinho: Ah, isso já é demais! Como o senhor é muito mentiroso!
O mestre, ao ser ofendido, utilizou-se de toda a sua perspicácia, e lhe deu uma resposta à altura:
Niestévisky: Não sou não.
Com o sorriso de quem está prestes a dar um xeque-mate no adversário, o vizinho diz:
Vizinho: Pois então prove!
Sem se deixar intimidar, Niestévisky aceita o desafio.
Niestévisky: Pois então peça algo,qualquer coisa, que terei o maior prazer em executar.
Vizinho: Quero algo raríssimo, algo que jamais aconteceu antes.
Niestévisky: Sei, quer que eu arrume uma mulher para sair com você?
Vizinho: Ora, claro que não! O senhor deixe de ser engraçadinho... Eu quero que você faça nevar!
Niestévisky: Pois bem, é um pedido difícil de ser atendido, mas tudo bem. Dentro de alguns dias nevará.
Vizinho: Dentro de quantos dias? O senhor não pense que vai me enganar...
Niestévisky: Ora, meu amigo, eu não sou homem de enganar ninguém, não assim, de graça! Não posso dizer ao certo quando será, mas será logo, isso é certo.
Vizinho: Pois bem, esperarei então.

Assim os dois foram para as suas respectivas casas, sem despedidas nem gentilezas.
Os dias foram passando e nada de nevar, para contentamento do vizinho. Porém, 15 dias depois daquela conversa, o vizinho ouve seu telefone tocar, era Niestévisky.

Vizinho: Alô.
Niestévisky: Sou eu, Niestévisky. Estou ligando para saber se agora você está satisfeito.
Vizinho: Satisfeito com o que?
Niestévisky: Com a neve, oras. Ainda não viu? Vá até a janela.
O vizinho foi, abriu as cortinas e olhou parar fora por alguns instantes e voltando ao telefone diz:
Vizinho: Sim, acabei de olhar e não vi neve nenhuma. Está chovendo, mas nada de neve!
Niestévisky: Está nevando!
Vizinho: Não senhor, está chovendo!
Niestévisky: Nevando!
Vizinho: Chovendo!
Niestévisky: Nevando!
Vizinho: É chuva, gotas de chuva, gotas de água!
Niestévisky: É isso mesmo, gotas de água...
Vizinho: (rindo de satisfação) Ah, então admite a derrota!
Niestévisky: Claro que não, são gotas de água porque é neve líquida!
Vizinho: Neve líquida??? Ora seu... alô? Alô?...

O vizinho tentou contra-argumentar, mas reconhecendo a si mesmo como vencedor, Niestévisky desligou o telefone.

5 de out de 2010

SE EU FALASSE A LINGUA DOS ANJOS...

O discípulo vem até Niestévisky e diz:

Discípulo: Mestre, fui a uma igreja evangélica ontem, dessas pentecostais.

Niestévisky: Foi fazer o que lá?

Discípulo: Fui buscar a esperança.
Niestévisky: Mas por que você está desesperançado?!

Discípulo: Não, mestre, esperança é o nome da minha namorada!

Niestévisky: Ah, tá bom, mas quando é nome próprio você deve falar com letra maiúscula! Mas enfim, continue.

Discípulo: Desculpe mestre, eu sempre fui ruim de gramática. Mas então, como eu estava dizendo, fui lá buscar a ESPERANÇA...

Niestévisky: (voltando os olhos para o alto, e com uma expressão de desânimo) …é só a primeira letra que é maiúscula!...

Discípulo: Ops, foi mal, mas continuando, cheguei cedo demais e o culto ainda estava no meio. Como a porta estava aberta, resolvi entra para ver como era aquilo, já que eu não conhecia.

Niestévisky: Fez muito bem, devemos sempre conhecer outras formas de pensar.

Discípulo: Eu sei mestre, conhecendo outras formas de pensar nós podemos descobrir, e corrigir, possíveis erros em nossa próprias ideias.

Niestévisky: Bem, eu ia dizer que conhecer ideias alheias é muito útil para confirmar a superioridade da minha forma de pensar, mas isso que você disse até que ficou bonito. Mas me diga, o que você achou?

Discípulo: Sei lá, eu estava sentado no banco, de repente o pastor começou a fazer uma oração e as pessoas começaram a se contorcer. Foi estranho, mas o mais esquisito foi que elas começaram a falar numa língua estranha.
Depois eu perguntei para a Esperança o que era aquilo e ela me disse que era a manifestação do batismo de fogo do Espírito Santo, e que aquelas pessoas estavam sendo agraciadas com o dom de línguas, que aquila era a lingua dos anjos...

Niestévisky: Isso me faz lembrar da Doroteia... (suspiro)

Discípulo:Era evangélica?

Niestévisky: Sei lá, mas que dom de língua ela... hã... (pigarro) falava dez idiomas... bem, esqueça isso e continue.

Discípulo: Pois então mestre, ela me explicou mas eu fiquei na dúvida. O que era aquilo afinal de contas?! Verdade, mentira, auto-sugestão, hipnose, maluquice? O senhor pode esclarecer a minha dúvida?

Niestévisky: Posso sim. De fato aquilo é exatamente o que a sua namorada lhe disse. Mas devo dizer que essa igreja é adepta de uma tradição muito antiga e já quase que completamente fora de moda.

Discípulo: Por que mestre?

Niestévisky: É que com essa coisa de globalização, marketing, etc, o espírito santo adotou, já há algum tempo, o inglês como língua oficial.

Discípulo: Nossa, até a divindade anda preocupada com isso?

Niestévisky: Mas é claro, são os tempos modernos.

Discípulo: Que coisa... Bem, obrigado pelo esclarecimento.

Niestévisky: De nada, estou aqui neste planeta para isso mesmo, trazer a luz para as pobres almas que vivem obscurecidas pela sombra da ignorância.

Discípulo: Mestre, se o senhor me permite, eu gostaria de falar só mais uma coisa...

Niestévisky: O que?

Discípulo: É que no texto aí em cima o senhor falou Espírito Santo com letra minúscula...

Niestévisky: (irritado) Ah, não encha o saco!

20 de set de 2010

Esboço de um possível candidatura...




Segue abaixo um breve esboço do que seria o texto de lançamento da candidatura de Niestévisky à presidência da república. Infelizmente nosso candidato acabou desistindo por causa da enorme pressão que sofreu por parte das forças ocultas, e também por causa da sua mundialmente conhecida preguiça (que Niestévisky prefere chamar de imobilidade búdica) :




PNA (Partido Niestéviskyniano Absolutista)

É com enorme alegria, e senso de dever cívico cumprido, que anunciamos o lançamento de Niestévisky para a presidência da república!

NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES NÓS SOMOS A MELHOR ALTERNATIVA.

Definição política do PNA: Cansados das velhas ideologias fracassadas, resolvemos adotar uma nova ideologia fracassada. A nossa orientação política é adaptável à situação do momento, às vezes somos de esquerda, noutras de direita, e vice-e-versa.

PNA: O primeiro partido ambidestro do mundo.

Mas você deve estar se perguntando: Por quê votar em Niestévisky para presidente? Bem, são várias as razões, mas a principal é: E por que não?
Além disso, Niestévisky é um candidato humano e tem um bom coração, segundo resultado de exames cardiológicos feitos recentemente. Niestévisky também é bípede e possui todas as características antropomórficas básicas, ou seja, Niestévisky é uma pessoa igual a você, apenas infinitamente melhor, é claro.

Agora saiba um pouco mais sobre como o nosso candidato pensa:

Niestévisky ama o planeta, e por isso promete reinstaurar o geocentrismo.


Niestévisky jamais descumpriu as leis... ao menos não as da gravidade e da termodinâmica.


Niestévisky é a favor da teoria da evolução e da teoria do criacionismo. Apenas acha que o criacionismo ainda precisa evoluir um pouco mais e aceitar como verdadeira a teoria da evolução.
Niestévisky é um ecologista, e por isso é contra a prisão de animais em jaulas e gaiolas, excessão feita para freezeres e geladeiras, ou se eles cometerem algum crime.
Niestévisky é um democrata e respeitas as pessoas que têm opinião diferente das dele, afinal, não se pode exigir que todos sejam perfeitos.
Niestévisky preserva as tradições, por isso, quando eleito, pretende deixar tudo exatamente como está.

SOBRE O PROBLEMA DOS APOSENTADOS:

Niestévisky entende muito bem o drama dos aposentados do país, afinal, se Niestévisky, um homem que possui 17 aposentadorias, não entende do assunto, quem mais entenderia?

Niestévisky sempre foi um homem esforçado e que nunca se deixou levar pelas dificuldades da vida. Niestévisky desconhece o significado da palavra ócio, e de muitas outras também.

Niestévisky entende a importância da classe trabalhadora, afinal, o trabalho é necessário para a vida, e se não existissem os trabalhadores, quem teria que trabalhar seria ele mesmo.

SOBRE O PROBLEMA DA SAÚDE PÚBLICA:

Niestévisky ama os doentes e conhece os seus dramas, pois trabalhou como médico por muitos anos em pequenas cidades do interior, e apenas deixou de exercer essa belíssima profissão porque as autoridades exigiam que ele apresentasse um diploma. Infelizmente as mesmas autoridades se negavam a lhe fornecer um diploma, sobre a alegação que para isso Niestévisky deveria ter frequentado a universidade de medicina.

Niestévisky garantirá médicos para todos! E tenha certeza, se eleito, Niestévisky promete que você não será atendido por um médico mal humorado e sem vontade de trabalhar. Com Niestévisky na presidência os pobres do Brasil serão atendidos por um médico legal.

SOBRE O PROBLEMA DO CAMPO:

E, finalmente, com Niestévisky na presidência os trabalhadores rurais não serão esquecidos, pois nosso candidato foi criado numa pequena fazenda, muito pobre, onde conheceu muitas dificuldades. Mas graças a essa infância sofrida, ele aprendeu o valor do trabalho duro, e o valor ainda maior de evitar o trabalho.

Pobre, e não dispondo de muita terra para cultivar, nosso candidato plantava produtos básicos para garantir a subsistência. Ele e sua família cultivavam produtos como arroz, feijão, macarrão etc

Sim, aqueles foram tempos difíceis, mas nosso candidato não se deixou abater pelas dificuldades da vida. Quando perguntado sobre as lembranças da sua infância, ele, ao invés de lamentar, sempre conta alguma lembrança agradável, como por exemplo, a beleza do instinto maternal de uma galinha amamentando os seus pintinhos.


Bem, assim termina o esboço, mas ele está bem guardado, afinal, não se sabe o dia de amanhã...

15 de set de 2010

DIÁLOGO SOBRE A MARCHA INEXORÁVEL DO DESTINO










O discípulo, sempre querendo aprender com o mestre, aproxima-se de Niestévisky e pergunta:


Discípulo: Oh mestre, estive refletindo sobre o destino e não cheguei a nenhuma conclusão. Por isso resolvi perguntar, o senhor acredita em livre arbítrio?

Niestévisky: Claro que não! Essa coisa de livre arbítrio é bobagem!

Discípulo: Mas então em quê o senhor acredita.
Niestévisky: Creio na marcha inexorável do destino.

Discípulo: Então o senhor crê que todos nascem com um destino pré-determinado do qual não podemos escapar jamais?

Niestévisky: Isso mesmo, mas não somente isso. Creio que o homem está preso não apenas a um destino, mas a vários. E são tantos os destinos, que ele pode até escolher aquele que achar melhor.

Discípulo: Ah, o senhor me desculpe, mas agora eu não entendi!!! Isso não dá na mesma que o senhor dizer que acredita em livre arbítrio?!?!

Niestévisky: Bem, de modo geral sim, mas há uma grande diferença.
Discípulo: Que diferença?

Niestévisky: A diferença é que se eu tivesse respondido que eu acredito em livre arbítrio logo de cara, esse texto teria ficado muito curto, e sem nenhuma graça.

7 de set de 2010

TERAPIA




Um rapaz chega até Niestévisky e diz:


Rapaz: Mestre, preciso da sua ajuda.


Niestévisky: Sim, claro. Qual é o seu problema?

Rapaz: Bem, o problema não é comigo, é com o meu irmão. Acho que ele não está muito bem da cabeça, fala coisas sem muito sentido, às vezes tem crises de agressividade ou profunda melancolia.

Niestévisky: Sei, Deve ser algum transtorno psicológico. Traga aqui o seu irmão que farei umas sessões de psicoterapia com ele.

Rapaz: Obrigado, mas acho que ele não vai aceitar. Meu irmão é muito incrédulo e não acredita nessas coisas.

Niestévisky: Mas diga a ele que funciona, eu garanto. Eu mesmo já tive um problema e ele foi resolvido graças à psicanálise.

Rapaz: Verdade?

Niestévisky: Sim, foram longos anos de sessões, mas no final eu acabei completamente curado.

Rapaz: E, se me permite a pergunta, como foi a sua cura?

Niestévisky: Bem, um dia eu cheguei ao consultório e de repente tudo ficou claro na minha cabeça, os meus pensamentos se ordenaram e assim eu soube que eu estava finalmente livre do mal que me afligia. Sabe, meu jovem, eu descobri algo muito importante naquele meu último dia de análise, algo que teve uma grande influência na minha vida.

Rapaz: Interessante. E o que o senhor descobriu?

Niestévisky: Graças aos muitos anos de análise, eu finalmente descobri, para o meu espanto, e principalmente para o espanto do meu psicoterapeuta, que ele era uma alucinação.

31 de ago de 2010

INCRÍVEIS COISAS DESCOBERTAS AO ACASO.



O meu grande amigo, o químico alemão August Kekulé, certa vez, entediado pela demora do ônibus, adormeceu no ponto e sonhou com uma cobra que mordia o próprio rabo enquanto rodopiava vertiginosamente. Essa cobra, cujo nome é Ouroborus, é um símbolo muito conhecido, que representa, entre outras coisas, a eternidade, o eterno retorno, a roda da existência, etc.


Pois bem, graças esse fenômeno, chamado de Serendipidade, que significa uma descoberta afortunada feita, aparentemente, por acaso, Kekulé obteve a inspiração para o entendimento de como os átomos do anel benzênico se ligavam entre si, princípio básico da química orgânica.


Por uma dessas estranhas coincidências do destino, eu tive exatamente o mesmo sonho, e no mesmo momento que meu Amigo. Ora, é claro que um homem como eu não poderia deixar por menos, e assim como Kekulé, inspirado pela imagem de uma serpente rodopiando vertiginosamente também criei algo incrível, o bambolê.

18 de ago de 2010

Em algum lugar do passado...


O discípulo tinha um encontro marcado com Niestévisky no seu gabinete, era uma reunião importante para discutir uma nova abordagem de estudo sobre energia nuclear que o mestre estava desenvolvente. Parece que Niestévisky já estudou tudo o que havia para estudar a respeito de fusão e fissão nuclear, e agora ele começaria a tentar uma nova técnica, a infusão nuclear. Não sei ao certo sobre o que se trata, mas me parece que é algo relativo a mergulhar urânio em água quente, acondicionado em saquinhos de chá. Bem, eu acho isso meio esquisito, mas afinal, é bem provável que eu, com o meu limitado entendimento, não esteja alcançando a real complexidade e importância de tal estudo.

Na hora marcada o discípulo chegou para a reunião, mas para a sua surpresa, não encontrou ninguém. Niestévisky não costumava faltar aos seus compromissos, principalmente nos marcados em seu gabinete, já que ele passa a maior parte do seu tempo lá, dormind... meditando. Mas havia uma boa razão para a sua falta naquele dia. Colado à porta havia um bilhete que explicava tudo, cujo conteúdo é o seguinte:


Caro discípulo, sinto muito por não comparecer ao nosso compromisso, mas eu precisei sair para caminhar um pouco e refletir sobre as coisas que estão se passando agora na minha cabeça. É que hoje eu fui tomado de assalto pela felicidade, pois recebi uma carta de uma antiga namorada, de quem há muito tempo eu não tinha notícias. Li a carta com uma certa dificuldade por causa das lágrimas, ela chegou bem na hora em que eu fazia uma salada de cebolas. O texto era muito bonito e sentimental, cheio de reminiscências do nosso passado em comum, e com algumas passagens mais picantes, que não mencionarei aqui pois sou um cavalheiro, e um cavalheiro não comenta essas coisas. Ela me disse que estava com saudades e que gostaria de me ver novamente e, quem sabe, reatar o nosso antigo, porém, profundo, verdadeiro e inesquecível relacionamento.

Junto com a carta veio uma fotografia, e confesso que fiquei estremecido ao ver aquela imagem. Na foto, que segundo ela, foi tirada especialmente para mim, a minha amada mostrava-se toda sexy, com um dos seios levemente à mostra, atirando um beijinho em minha direção, enquanto estava sentada aos pés de uma árvore centenária que, novamente segundo ela, foi plantada com as suas próprias mãos. Bem, como eu disse, fazia muito tempo que não tinha notícias dela...

É claro que já preparei uma resposta à altura, na forma de um bilhete curto, porém apaixonado, que aliás, estou indo postar no correio agora mesmo. No bilhete eu escrevi o seguinte:

“Minha amada imortal, guarda contigo, no lugar mais bonito da tua alma, o meu melhor sorriso, guarda-o bem, para que me possa devolvê-lo no dia em que se der o nosso reencontro.”

Juntamente com o bilhete, enviei, numa caixinha, a minha dentadura preferida, como prova da sinceridade do que eu lhe dizia. Bem, é isso, volto logo. Se alguém ligar, favor anotar os recados.

19 de jul de 2010

ESMOLA



O discípulo chega até Niestévisky e diz:

Discípulo: Mestre, o senhor pode me emprestar uma moeda?
Niestévisky: Sim, talvez. Mas para quê você precisa de dinheiro?
Discípulo: É que tem um homem pedindo esmola na nossa porta.
Niestévisky: Ah, não dê nada! Toda hora tem alguém batendo aqui e é sempre a mesma coisa, eles chegam contando uma história triste para comover e ganhar alguma coisa, mas na verdade não passam de uns safados preguiçosos que vivem às custas da bondade alheia.
Discípulo: Mas mestre, ele está numa cadeira de rodas...
Niestévisky: Sim, isso não me surpreende. Com certeza ele deve ter arrumado uma cadeira em algum lugar e está aí se fingindo de deficiente. Acredite, eu sei muito bem como são essas pessoas.
Discípulo: Mas mestre, ele não tem as duas pernas e um dos braços!
Niestévisky: Sério?!
Discípulo: Sim, é sério.
Niestévisky: … que coisa... sabe... fique até sem palavras...
Discípulo: E então mestre, o que o senhor me diz agora? Vai me dar a moeda?
Niestévisky: Clao que não, e o que tenho a dizer é que é impressionante ver a que ponto chegam esses vigaristas!

26 de jun de 2010

EPÍSTOLA DO CÁRCERE.



Caro discípulo, estou escrevendo para pedir um pequeno favor. Lembra daquela prisão de ventre que me acometia desde quinta-feira passada? Pois é, a coisa piorou e agora estou com prisão de corpo inteiro. Por isso eu preciso que você contate os nossos advogados e peça que venham imediatamente para o 38ª DP.

Eu mesmo poderia ligar para eles, mas eu só tenho direito a uma ligação e já usei para pedir uma pizza. Peço também que seja rápido, pois tem um sujeito aqui na minha cela, um tal de Tonhão Coice de Mula, que toda a vez em que olho para ele, me dá uma piscada de olho e passa a língua pelos lábios. Não sei o que ele quer, mas minha intuição me diz que não deve ser boa coisa.

Bem, imagino que você queira saber a razão do meu aprisionamento. Lembra-se de que te falei sobre o meu desejo de possuir um pequena casinha branca no alto de uma colina verdejante, onde eu pudesse relaxar e meditar sobre os grandes temas do universo? Pois bem, finalmente adquiri uma, exatamente como era do meu gosto. O problema é que para melhor aproveitar o meu empreendimento, e obter algum lucro, afinal, os tempos estão difíceis e até mesmo um sábio precisa fazer seu pé-de-meia, transformei a minha pequena casinha branca no alto de uma colina verdejante, numa pequena casinha da moeda no alto de uma colina verdejante.

Segundo o delegado, essa foi a razão do meu encarceramento. Ao que tudo indica, o governo não gosta de concorrência e nem está disposto a apoiar a livre iniciativa de homens empreendedores feito eu. É uma pena, pois agindo assim creio que estão atravancando o desenvolvimento da pátria. Além disso eu nem era realmente um concorrente direto da Casa da Moeda oficial, pois eu resolvi diversificar e produzir cédulas alternativas às que já circulam no mercado. Minha ideia era explorar um nicho de mercado específico e ainda não explorado, as notas de 3 e 4 reais. Se você tiver a oportunidade de ver uma dessas notas tenho certeza que ficara espantado com o belo trabalho que eu fiz, principalmente a de 4 reais, que foi lindamente estampada com um retrato meu.

Bem, isso é tudo o que você precisa saber por enquanto. Peço que seja rápido, pois Tonhão Coice de Mula me preocupa. Ele acabou de me enviar um beijinho soprando na palma da sua mão. Ah sim, uma última coisa, quando eu for solto avise a imprensa e prepare uma manifestação na porta da delegacia. Essa injustiça não ficará sem uma resposta adequada de minha parte. Como protesto atearei fogo às próprias vestes! Sem que eu esteja dentro, é claro.
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Ps: Entre em contato com um produtor musical, estou pensando em aproveitar a minha experiência por trás das grades para lançar um disco de Rap.

11 de jun de 2010

A PÁTRIA DE CHUTEIRAS




Finalmente começou a copa do mundo, e agora todo o povo brasileiro deve torcer para a nossa seleção. Sim, pois se a seleção brasileira for bem, poderemos mostrar aos países do primeiro mundo que se eles têm tecnologia, se eles têm saúde, se eles comem três refeições por dia, se eles têm boas escolas, se eles têm saúde, bons hospitais, remédio e etc, nós temos o futebol e... hã... bem... sabem de uma coisa, esqueçam o que eu estava dizendo...

6 de jun de 2010

O DESPERTAR DE NIESTÉVISKY



Pela manhã, Niestévisky despertou, amaldiçoou o despertador, levantou-se do seu leito e dirigiu-se à cozinha para tomar café. Chegando lá, ele foi recebido com um sorridente “bom dia” dado pelo seu discípulo. O mestre retribuiu o cumprimento com um resmungo, seu humor é sempre péssimo pela manhã, e sentou-se.
O discípulo, gentil como sempre e querendo puxar conversa, disse:
Discípulo: Mestre, como o senhor acordou hoje?
Niestévisky: Deitado.
Não se deixando abater por essa resposta, digamos, um pouco indelicada, o discílpulo continuou tentando manter um diálogo.

Discípulo: Sim Mestre, eu sei, perguntei se o senhor dormiu bem. como foi a sua noite de sono?

Niestévisky: Ruim. (bocejo)

Discípulo: Mas por quê Mestre?

Niestévisky: Tive um sonho estranho.

Discípulo: E como foi esse sonho?

Niestévisky: Sonhei com uma cobra que mordia a si mesma, fazendo assim um círculo perfeito. Depois ela começou a girar vertiginosamente até que seu corpo incendiou. Mesmo pegando fogo, ela ainda girava, e do meio daquele círculo flamejante saiu um anjo azul com asas amarelas. Esse anjo retirou do seu bolso esquerdo um pequeno objeto que ao ser exposto à luz, cresceu e se transformou num foguete. Então o anjo entrou no foguete e desapareceu por entra as estrelas.

Discípulo: Mestre, que sonho incrível! Imagino que ele possua algum significado.

Niestévisky: Ah, mas é claro que sim.

Discípulo: Mestre, e o que significa esse sonho?

Niestévisky: Significa que eu estava dormindo.
Discípulo: ... ovos?
Niestévisky: Três.

18 de mai de 2010

UM BREVE CONTO DE TERROR POLÍTICO.




Essa noite tive um pesadelo horrível. O mundo havia sido invadido por zumbis candidatos a vereador, seguidos por uma horda de eleitores sem cabeça. Eles me perseguiam pedindo o meu voto e me obrigavam a ouvir os seus planos mirabolantes.


Fugi, mas era quase impossível! Eles me perseguiam em carros funerários, e para aumentar ainda mais o meu desespero, sobre os carros estavam instaladas potentíssimas cornetas de som que tocavam sem parar uma cacofonia monstruosa de jingles políticos, quase todos paródias ridículas de músicas popularescas de quinta categoria.


Então, no auge do meu desespero, ergui as mãos para os céus e pedi socorro. Nessa hora o céu se abriu e apareceu uma figura enorme pairando entre as núvens. Parecia o Zé do Caixão, mas falava com a língua presa e tinha numa das mãos apenas quatro dedos, adornados por unhas enormes. Ele me disse: Fique calmo companheiro. E começou a fazer estranhas metáforas entre o que eu estava passando e uma partida de futebol. Lá fui eu novamente, fugindo em desabalada carreira.


Ao dobrar uma esquina levei mais um susto! Dei de cara com um ser estranho, com olheiras profundas, uma cara desanimada e uma serra elétrica nas mãos. Esse, além de pedir meu voto, queria arrancar meu maço de cigarros!!! com um resto de coragem que eu ainda tinha, respondi que não daria. Ao ouvir a minha negativa, ele me disse, com um tom ameaçador: Já que você quer fumar, então eu te levarei para a área de fumantes, o vácuo frio do espaço sideral! Dito isso, ele se transformou num enorme tucano negro que voava em minha direção gritando: Quer fumar? Nunca mais, nunca mais...


Nova correria! Depois de algum tempo consegui finalmente encontrar um lugar seguro, ou pelo menos me parecia seguro. Com a minha fé abalada, eu gritei: Pai, por que você me abandonou! Nessa hora apareceu um raio de luz de onde saiu um homem com longas barbas brancas. Pensei que agora eu seria salvo, mas assim que ele se aproximou de mim, pude ler nas suas vestes brancas a seguinte frase: Para Deus, vote Jeová.


Nova correria! Dessa vez parei sobre uma ponte. Eu estava ofegante e cansado, tanto física quanto moral e espiritualmente. Não aguentando mais, resolvi partir para um ato extremo, o suicídio. Pulei da ponte, mas a minha queda foi amortecida por um mar de panfletos políticos. Eram bilhões de papeis com rostos estampados e frases de efeito. Apanhei um daqueles papeis o olhei para ele, inacreditavelmente, a foto crio vida e me disse: Vote em mim!

Acordei gritando!

25 de abr de 2010

O VENDEDOR


Voltando da cidade, para onde Niestévisky o havia mandado numa missão, o discípulo vai ao encontro do Mestre, lhe entrega um pequeno pacote e diz:


Discípulo: Oh Grande Niestévisky, comprei o relógio que o senhor me pediu. (era um relógio daqueles de bolso, com uma corrente presa nele) É exatamente igual ao outro que o senhor tem, comprei no mesmo camelô. Mas sabe Mestre, não entendi uma coisa, por que o senhor mandou comprar esse relógio se já possui um exatamente igual?

Niestévisky: É que eu vendi o outro, e como você sabe, preciso de um relógio assim para as sessões terapêuticas. Eu não estava muito interessado em vender, mas o preço que o homem pagou por ele foi irresistível.

Discípulo: Desculpe a curiosidade, mas foi vendido por quanto?

Niestévisky: 100 mil reais.

Discípulo: 100 mil!!! 100 mil reais por um relógio que nem funcionava direito?!?! Mas esse relógio não vale nem 100 reais. Para ser mais preciso, um novo vale 17, 50.

Niestévisky: Eu sei. Mas ele me disse que achou o relógio muito bonito e perguntou onde poderia comprar um igual. Então eu disse que se ele quisesse, eu poderia vender aquele mesmo.
Discípulo: E ele aceitou esse preço absurdo?

Niestévisky: Bem, no começo ele teve uma atitude parecia com a sua, de espanto. Em seguida ele riu e disse que eu deveria estar louco. Mas eu lhe falei das qualidade do relógio, da sua beleza etc

Discípulo: Ah, o senhor me desculpe, mas ele caiu nessa?

Niestévisky: Bem, eu usei bons argumentos, mas confesso que talvez o fato de eu ficar balançando o relógio na sua frente enquanto eu falava, possa ter influenciado um pouquinho.


18 de abr de 2010

O DIRETOR


O Grande Niestévisky já foi diretor de um hospício. Começou de baixo, ainda como um simples interno, mas foi sendo gradativamente promovido até que atingiu o ponto mais alto da instituição, a diretoria. No entanto, o Mestre não aguentou o cargo por muito tempo. Era um trabalho muito cansativo e complicado. A toda hora aparecia algum novo problema, ou reaparecia algum problema velho.
Niestévisky tentou, bravamente, continuar no emprego, precisava do dinheiro, mas certa vez aconteceu algo que o fez desistir definitivamente de tudo aquilo e ele acabou pedindo demissão, ou, para ser mais preciso, simplesmente abandonou o cargo e nunca mais apareceu na cidade.


Um dia, ao chegar em casa, vindo do hospício, Niestévisky percebeu que havia esquecido alguns papeis importantes no seu escritório. Como precisava deles com urgência, resolveu ligar para lá e pedir que alguém trouxesse os documentos até a sua casa. O resultado daquele fatídico telefonema foi o seguinte:


Hospício: Alô, aqui é do hospício.
Niestévisky: Sou eu, Niestévisky. João, é você? (João era o secretário do hospício)
Hospício: Não, sou o Antenor.
Niestévisky: Antenor?... O interno?!!!
Antenor: Sim seu Niestévisky, sou eu mesmo.
Niestévisky: Mas o que você está fazendo aí? Cadê o João?!
Antenor: João saiu.
Niestévisky: Saiu? E foi para onde?
Antenor: Sei lá, não falou. Apenas abriu a janela é saiu voando. Acho que era urgente.
Niestévisky: Puta que pariu! Antenor, você não estava confinado na sala acolchoada?
Antenor: Tava sim, seu Niestévisky. Mas lá dentro tava muito calor, tão calor, que eu acabei derretendo e vazando pela fresta da porta.
Niestévisky: (tentando manter a calma) Me chama algum dos funcionários, alguém que esteja responsável pelo hospício, rápido!
Antenor: Pois não, só um momento. Alô, pode falar.
Niestévisky: Alô, quem fala?
Antenor: Antenor, seu criado.
Niestévisky: Antenor, sai do telefone e me chame alguém, sei lá, um enfermeiro, um médico, o porteiro, qualquer um!
Antenor: Não dá, o pessoal tá meio ocupado aqui.
Niestévisky: Fazendo o quê?!
Antenor: Tentando se livrar da camisa de força. O senhor nem imagino o trabalho que dá para escapar daquilo, quem inventou era um gênio. A imobilização é feita de um modo tão perfeito que...
Niestévisky: (interrompendo as divagações do Antenor) Não acredito, você fugiu e prendeu todo mundo?!?!
Antenor: Ora, claro que não seu Niestévisky! Os internos é que fizeram isso, quando eu cheguei já estava todo mundo preso. Quer dizer, todo mundo que estava solto estava preso e todo mundo que estava preso estava solto. Seu Niestévisky, posso perguntar uma coisa?
Niestévisky: … pergunte...
Antenor: como se desliga o aparelho de choque?
Niestévisky: (gritando) O quê?!?!
Antenor: Nada, deixa pra lá, acho que agora é tarde mesmo...
Niestévisky: Jesus Cristo!!!
Antenor: Ele saiu, disse que ia dar uma caminhada sobre o lago para esticar as pernas. Mas espera um pouco aí, que vou chamar alguém.
Hospício: Alô.
Niestévisky: Alô, quem fala?
Deus: Sou eu Deus. O senhor queria falar com o meu filho? Espero que ele não tenha feito algo errado, sabe, ele já tem 33 anos mas ainda continua sendo um menino.
Niestévisky: Ai meu Deus!
Deus: Isso, eu mesmo, o que deseja?
Niestévisky: Nada! Chame o Antenor de novo.
Deus: Desculpe, mas não dá.
Niestévisky: Por que não dá?!
Deus: Aqui não tem telefone.
Niestévisky: (lamentando para si mesmo) Ai, que vida desgraçada... o que eu fiz de errado para merecer isso?... mas que inferno!!!
Deus: Desculpe, esse é outro departamento. Só um minutinho que vou passar para lá.
Hospício: Alô.
Niestévisky: Alô! Quem fala?
Diabo: Eu sou o Diabo, ao seu dispor. Ofereço 100 reais e uma bicicleta.
Niestévisky: Oferece 100 reais no quê?!
Diabo: Ora, na sua alma. E já vou logo dizendo que não adianta pedir mais porque a oferta de almas anda muito grande e fez cair os preços. É a lei da oferta e da procura!
Niestévisky: Eu não quero vender nada!
Diabo: Então por que ligou?
Niestévisky: Por nada, esquece! Coloca o Antenor ao telefone.
Diabo: Não dá, aqui não tem telefone.
Niestévisky: Merda!!!...
Diabo: Sinto muito, acabou de sair. Entrou no vaso e deu a descarga.
Niestévisky: (tentando manter-se calmo diante do absurdo daquela situação, fala calmamente) Tá, tudo bem... Então me diga uma coisa, se não tem telefone como nós dois estamos conversando?!
Diabo: Sei lá, provavelmente você deve ser fruto da minha imaginação. Isso acontece às vezes, sabe, é que eu sou meio louco e ouço vozes com frequência.
Niestévisky: Olhe para a sua mão, não tem um telefone nela?
Diabo: Desculpe mas não estou encontrando.
Niestévisky: Não encontrou o telefone?
Diabo: A minha mão.
Niestévisky: (bem desanimado e beirando ao desespero) Mas que filho da... olha aí, na ponta do seu braço...
Diabo: Nossa, é verdade, está aqui mesmo. Como ela veio parar aqui? Foi você que fez isso? Ah já sei! Você deve ser Jesus, só pode ser, com essa mania de fazer milagres... Está me passando trote de novo moleque? Vou contar para o teu pai!
Niestévisky: Ai meu Deus...
Diabo: Só um momento, vou chamar.
Niestévisky: Não! Espera...
Deus: Alô.
(barulho de telefone desligando ao ser atirado contra a parede)
Deus: Ô Diabo, desligaram. Quem era?
Diabo: Sei lá, acho que era só alguma alucinação desocupada enchendo o saco.

11 de abr de 2010

O HOMEM, A OBRA.




Niestévisky possui uma vasta obra que trata de temas diversos, mas que possuem em comum o fato de que todos os seus trabalhos são de fundamental importância para a humanidade e para o bom andamento do universo.
Como é tipico de todas as grandes obras revolucionárias, os livros do mestre ainda não foram compreendidos pelo vulgo. Mas quanto a isso Niestévisky está tranquilo, pois ele sabe que chegará o dia em que a humanidade atingirá um nível evolutivo que possibilitará o entendimento, ao menos em parte, do seu vasto conhecimento.
Todos os seus livros se encontram esgotados atualmente, e como foram lançadas em edições pequenas, é quase impossível encontrá-las no mercado. Felizmente os originais, todos escritos em frágeis guardanapos de bar, encontram-se muito bem guardados na biblioteca do Vaticano, no setor de achados e perdidos. O mestre esqueceu a sua pasta quando fez uma visita ao Papa. Dizem as más línguas que foi culpa do vinho, mas não é verdade. O fato é que todos os grandes gênios são desatentos. Por estarem sempre preocupados com grandes temas, os gênios acabam por se descuidar das coisas menos importantes.





Segue abaixo uma pequena lista de alguns títulos da sua obra:



O incrível Hulk e a fotossíntese.
Friedrich Nietzsche, um estudo crítico sobre o maior bigode da filosofia ocidental.
Tratado geral das generalidades.
A globalização em contraponto à sbtelização.
Aprenda a ler sem professores.
A inclusão digital no exame de próstata.
A importância da lanterna de Diógenes para o mito da caverna de Platão.
Sócrates: Da Grécia antiga até a copa de 86.
Um breve resumo sobre o infinito.
A morte e os seus riscos para a saúde.
Criacionismo X evolucionismo (a partir da ótica do macaco).
Coletânea de textos auto-psicografados.
Uma nova ótica sobre a oftalmologia.

3 de abr de 2010

NI e STÉVISKY


Durante a sua juventude, O Grande Niestévisky foi acometido de um problema psiquiátrico. A doença apareceu repentinamente, sem nenhum sinal prévio que indicasse algo de errado com o maravilhoso cérebro do Mestre. Ele desenvolveu dupla personalidade.


Mas como Niestévisky não é homem de se deixar abater pelas agruras da vida, ou, no caso, não era homens de se deixarem abater pelas agruras da vida, ele resolveu utilizar a doença em seu favor. Aproveitando-se da dupla personalidade, montou uma dupla sertaneja.


Parece que a dupla chegou a atingir algum sucesso, e em alguns lugares do interior ainda é possível encontrar pessoas que se lembram da dupla Ni e Stévisky.
Mas, por mais promissora que fosse a carreira deles, ela acabou por causa de divergências artísticas. Ni e Stévisky viviam brigando para decidir quem faria a primeira e a segunda voz, e além disso também brigavam para saber quem seria o Ni e quem seria o Stévisky. Os dois queriam ser Ni porque ficava em primeiro lugar no cartaz. Artistas são assim mesmo, têm egos enormes.

Separados, os dois não queriam mais se ver, por isso partiram para extremos opostos do país. Eles ainda tentaram carreiras solo, mas nenhuma das duas decolou. Depois do fracasso musical, Ni foi caçar leões na Amazônia e Stévisky foi ser seringueiro no Rio Grande do Sul, ou vice e versa, mas por alguma razão também fracassaram nisso. Segundo o que eu pude apurar, Ni e Stévisky viveram separados durante dois anos, sem que um tivesse notícia do outro.


Passado esse tempo, os dois acabaram se encontrando no casamento de um primo comum aos dois. No começo houve uma certa animosidade entre eles, mas como eram carne da mesma carne, acabaram se reconciliando.


Parece que depois do reencontro, passadas algumas semanas, assim como surgiu, a doença desapareceu e Ni e Stévisky se tornaram novamente uma pessoa só. Pelo que se sabe, a doença nunca mais se manisfestou, embora eu tenha encontrado pessoas que afirmam terem presenciado Niestévisky tendo discussões acaloradas consigo mesmo, que às vezes chegam até a descambar para a violência física.

28 de mar de 2010

VISITA SURPRESA




De repente um discípulo entrou correndo na sala de meditação do Grande Mestre Niestévisky e avisou, bastante assustado e ofegante, que um enorme helicóptero do exército americano estava pousando nos famosos “Jardins Despencados” do instituto. (Na verdade os jardins deveriam ser suspensos, mas por um erro de execução, eles acabaram caindo)


Com a sua habitual calma, o Mestre, que estava sentado em posição de lótus, levantou-se, deu pausa no seu Playstation 3 e foi até os jardins para verificar pessoalmente o que estava acontecendo.


Chegando lá, Niestévisky viu que o helicóptero já havia pousado e algumas pessoas estavam saindo do seu interior. Eram todas pessoas conhecidas: O presidente dos Estados Unidos, o Presidente da Rússia, Representantes do parlamento europeu, o Papa, o presidente da ONU, O Bispo Edir Macedo, e mais alguns outros importantes líderes mundiais.


Porém, no meio de todas aquelas pessoas famosas, uma se destacava. Era um homem baixinho, mais ou menos um metro e quarenta, com dois olhos grandes e negros, duas antenas saindo do topo da sua testa, e a pele verde.


Niestévisky caminhou até o grupo, cumprimentou cordialmente a todos e depois perguntou qual era a razão daquela visita surpresa. O presidente americano deu um passo para a frente e disse:

_Senhor Niestévisky, nós estávamos reunidos na ONU, discutindo os rumos da civilização, quando de repente um disco voador começou a flutuar sobre o prédio onde nos encontrávamos. Corremos todos para olhar aquilo. Depois de alguns minutos de angustiante espera, uma porta se abriu na parte de baixo do disco e um raio luminoso saiu de lá. Por esse raio deslizou esse sujeito verde.


Quando chegou ao chão ele puxou um aparelho, que num primeiro momento pensei se tratar de alguma incrível arma destruidora de planetas, mas depois descobri que era apenas um tradutor instantâneo. O homenzinho apertou um botão no aparelho para ligá-lo, mas o aparelho não funcionou. O ET começo a gesticular, e só com muito esforço é que conseguimos entender o que ele queria nos dizer. Ele havia esquecido de colocar as pilhas.


Isso causou um certo transtorno, pois é domingo e todas as lojas estão fechadas. Mas, graças a Deus, o Papa lembrou-se de que ele tinha um mp3 player, com pilhas novas, dentro do porta-luvas do seu papamóvel. Mandamos um dos seguranças buscar as pilhas e as colocamos no tradutor. Agora poderíamos finalmente descobrir o que o extraterrestre queria de nós. Ele colocou a boca perto do aparelho e disse alguma coisa na sua língua nativa, algo mais ou menos parecido com “cdkeoid dfpe, kfsju” Demorou um pouco até que o aparelho processasse a frase, mas finalmente saiu a tradução, que era a seguinte: “Levem-me ao seu líder!” E... bem... achamos melhor obedecer, e é por isso que estamos aqui agora.

Infelizmente, ninguém soube o que Niestévisky e o ET conversaram, já que a conversa toda se deu no gabinete do Mestre e não houve testemunhas. Uma pessoa, que me pediu para não ser identificada, me disse que o homenzinho do espaço não queria nada importante, desejava apenas tirar uma foto com Niestévisky e conhecê-lo pessoalmente. Mas como a fonte não me deu nenhuma prova da sua afirmação, o mistério sobre a conversa ainda permanece.

18 de mar de 2010

MATANDO O TEMPO NUM VELÓRIO.





Niestévisky, durante a grande depressão econômica de 29, sem muitas opções de trabalho, arranjou um emprego como zelador de cemitério. O trabalho era difícil, pesado e desagradável, mas aqueles eram tempos difíceis, por isso ele aceitou o emprego.


Na entrada do cemitério havia uma capela mortuária onde eram velados os defuntos. Um dia, quando não havia nada para fazer, Niestévisky notou que estava acontecendo um velório na capela. Resolveu ir até lá, só para passar tempo. Chegando ao local, Niestévisky viu dois caixões pequenos no centro da sala.


Ver aquela cena o deixou comovido. Percebendo que havia um homem em pé ao seu lado, Niestévisky resolveu puxar conversa e disse:


_Sabe amigo, isso é muito triste, uma tragédia realmente! A morte de uma criança já é terrível, duas então, imagino que deve ser uma dor insuportável para a família.


Ao ouvir isso, o homem olhou para Niestévisky e disse:


_Ah não senhor, não são crianças não.

O mestre, surpreso, disse:


_Oh, mas que coisa! Mas então estou presenciando um evento raríssimo!


O homem, olhando de um modo meio estranho para Niestévisky, respondeu:


_Raríssimo? Bem, de fato é mesmo.


_Claro que sim, afinal,ver um enterro de anão já é difícil, de dois anões deve ser mais difícil que acertar na loteria.


_Bem, de fato seria, se fossem dois anões.


_Não são?! Ora, mas e esses caixões assim tão pequenos?


_Bem, sabe aquele número de mágica de serrar um homem ao meio? Pois é, nem sempre dá certo.

9 de mar de 2010

ALGUNS DADOS SOBRE O SER HUMANO...




Sabia que uma pessoa elimina 3 litros de água por dia, por meio da urina, suor e respiração?

Sabia que em média uma pessoa normal tem aproximadamente de 1.460 sonhos por ano?

Sabia que o cabelo cresce mais ou menos de 0,6 cm por mês?

Sabia que durante a vida, um ser humano passa, em média, 8 anos esperando em filas?

Sabia que durante uma vida a pele de uma pessoa se renova aproximadamente 1.000 vezes?

Sabia que Cada sílaba que uma pessoa pronuncia movimenta 72 músculos do corpo?

Sabia que uma pessoa sentada respira em média, entre 14 e 18 vezes por minuto?
E sabia que um ser humano inspira seis litros de ar por minuto?

Sabia que o coração de uma pessoa bate mais de 100 mil vezes por dia?
E etc etc etc...



Ora, e a minha mulher ainda tem coragem de dizer que eu não faço nada!!!

8 de mar de 2010

FRASES

"Eu sou eu e você é você. E para meu próprio bem, espero que continuemos assim."

"Meu cantor preferido é Nelson Ned, mas reconheço que Roberto Carlos é muito maior."

" A vida é um presente, mas a manutenção custa uma fortuna. "

"Conselho para os homens: Cuidado, as mulheres odeiam ganhar roupas. Dei uma para a minha esposa e ela brigou comigo, me bateu e jogou a roupa fora. Foi uma pena, deu muito trabalho encontrar aquela burca. "

"Eu disse para a minha namorada que eu tinha vergonha de ficar nu na sua frente. Ela me disse: “Ah, não se envergonhe por tão pouca coisa.” Ainda não sei direito o que ela quis dizer com isso..."

"O que eu não entendo nos egoístas é como alguém pode gostar mais de si mesmo do que de mim! "

"Não gosto de carnaval desde quando era para eu ser homenageado por uma grande escola do Rio de Janeiro, mas eles desistiram porque não conseguiam encaixar o meu nome no samba-enredo."

"Odeio horário de verão. Eu durmo bem cedo, por isso é um sacrifício para mim, ter que ficar acordado até a meia noite para atrasar o relógio."

"Mundo, ajoelhe-se aos meus pés!... e faça o favor de amarrar os meus sapatos. É que se eu me abaixar, acho que não me levanto mais. "

"Não se leve tão a sério. Faça como todo mundo, ria de você. "

"Para os que ficam vasculhando a minha vida, quero que saibam que eu não tenho nada a esconder. O que havia eu já escondi."

"Lembro-me de quando eu era criança e minha mãe me dava banho. Eu odiava! Na verdade o banho não era tão ruim, o chato mesmo era na hora de centrifugar."

27 de fev de 2010

LEMBRANÇAS




Hoje estou um pouco melancólico. Passei a manhã toda recordando minha infância, minha família e de como eram as coisas naquela época.

Lembro-me que morávamos numa pequena fazenda, distante do centro da cidade. Uma vez por mês o meu pai, meus irmãos e eu, íamos até a cidade para vender o que produzíamos e comprar algumas coisas que precisávamos.

Naquela época ainda não havia automóveis, por isso íamos de carroça. Hoje seria bem mais fácil, graças aos modernos meios de transporte, mas naquela época uma simples ida até a cidade era praticamente uma viagem, um evento planejado com dias de antecedência.

Lembro-me do meu pai. Ele aparentava ser alto e imponente, sentado sobre a carroça, com as rédeas e o chicote nas mãos.

Ir à cidade era um pouco desagradável e muito cansativo. 8 horas para ir e mais 8 horas para voltar. Sim, aqueles eram tempos difíceis, éramos pobres, nem cavalo tínhamos... e como pesava aquela carroça!

19 de fev de 2010

EPÍSTOLA SOBRE ARTE E MOVIMENTO


Caro discípulo, é com enorme pesar que lhe peço através desta carta, para que cancele as passagens de avião e as reservas de hotel, pois não poderei participar de bienal de artes modernas do Niestévistão, a grande pátria de onde meus antepassados imigram, ou foram “imigrados”, bem, mas isso não ao caso agora. É realmente uma pena, pois já fui convidado para esta mesma bienal, a do ano passado, mas como não pude ir, eu havia prometido que participaria da deste ano.


Bem, antes que você me pergunte, e eu sei que você fará isso, vou te contar o motivo do cancelamento da minha exposição. Você sabe que eu sou um grande artista, com um talento incomparável. Meu talento é tão maravilhoso que muitos críticos afirmaram que nenhum dos grandes gênios da pintura jamais pintaria como eu pinto. Na minha juventude pintei muitos picassos, van goghs, monets etc. Mas parei de pintar depois que eu acabei sendo aprisionado... pelo irresistível desejo de salvar a humanidade.


Apesar de eu haver abandonado as artes já há muito tempo, fiquei entusiasmado pelo convite, pois se tratava de expor na terra dos meus antepassados. Inclusive era minha intenção pesquisar a árvore genealógica da minha família nos arquivos da polícia do Niestévistão, mas isso ficará para quando eu for participar da bienal do ano que vem.


O meu sentimento de frustração é enorme, pois como fiquei muito feliz com a oportunidade de visitar a terra dos meus antepassados, resolvi criar uma obra grandiosa, algo que fosse digno de alguém como eu. Passei algum tempo pesquisando e estudei todas as tendências artísticas. Depois de muita pesquisa, resolvi optar pelo cinetismo. Caso você não saiba, e imagino que não saiba, a palavra cinético está ligado a ideia de movimento. É uma corrente artística que visa romper com a condição estática das artes convencionais como a pintura e a escultura, criando com isso uma obra que não só represente o movimento, mas que esteja em movimento realmente.


Bem, depois de um projeto meticuloso e horas de trabalho árduo, dei por terminada a minha obra. Porém, foi só então é que eu me dei conta de um problema, exagerei no cinetismo. A minha obra se movimentava, mas se movimentava demais. Tanto isso é verdade que assim que eu a concluí, ela saiu correndo. Fui atrás dela, mas as minha pernas cansadas não foram capazes de alcançá-la. Assim, resignado, eu me sentei no chão e fiquei vendo a minha arte desaparecendo na linha do horizonte.


Agora que já te contei tudo o que se passou, faça o que pedi, cancele as passagens e as reservas de hotel.

Um cordial abraço. Assinado, Niestévisky.


PS: Se você se deparar com uma... uma... bem, não sei exatamente como descrevê-la, mas enfim, se você se deparar com alguma coisa que você não saiba como descrever, e se essa coisa estiver correndo feito uma louca, deve ser a minha obra. Tente segurá-la, e pode usar de força bruta. Provavelmente ela só ira parar de correr se for abatida a tiros.

6 de fev de 2010

DESOBEDIÊNCIA E SOBREVIVÊNCIA





Em determinadas circunstâncias, desobedecer os pais pode salvar a vida de um filho, e eu sou a prova viva disso. Durante a minha infância, minha mãe, como toda boa mãe, me mandava escovar os dentes. Mas eu, como criança prodígio que era, estava sempre muito atarefado com coisas mais importantes. Eu tinha que estudar textos sagrados, levitar, meditar, conversar com gnomos, dominar todas as ciências do universo, e coisas desse tipo.


Por isso, unicamente por falta de tempo, eu não escovava meu dentes com muita regularidade. Sim, às vezes é preciso fazer alguns sacrifícios para atingir um objetivo maior e mais nobre. Afinal, não é fácil ser um gênio! Salvar a humanidade sempre foi o meu objetivo, e até mais que isso, posso dizer que salvar a humanidade é o meu destino! Ora, com o destino de bilhões de almas em minhas mãos, o meu hálito, definitivamente, não era uma prioridade.


Pois bem, um dia, quando eu tinha 10 anos, resolvi fazer um avião. Para isso eu usei uma geladeira velha, um despertador estragado e mais algumas coisas que encontrei na garagem da minha casa. Deu algum trabalho, demorei quase um dia inteiro, mas consegui. Com meu avião concluído, agora era preciso testá-lo para me certificar de que ele estava realmente funcionando. Por isso eu o levei até um campo de futebol perto de casa, e dei a partida no motor. Funcionou, e eu sai voando através da imensidão do céu azul.


Claro que sendo eu apenas uma criança, portanto sem as habilidades intelectuais plenamente desenvolvidas ainda, cometi alguns erros no meu projeto e por isso o meu aeroplano acabou tendo alguns problemas e eu acabei caindo no meio da floresta amazônica, depois de 17 horas de voo.


Bem, imagino que agora você esteja se perguntando, cheio de preocupação e angústia: “Meu Deus, será que Niestévisky sobreviveu ao desastre?!” Sim, eu sobrevivi. Apesar da gravidade do acidente, eu sai ileso. Meu corpo estava intacto, sem nenhum arranhão sequer, apenas o incômodo sentimento de frustração por ter falhado me causou algum desconforto mental.

E lá estava eu, completamente perdido no meio da floresta, sem nenhum equipamento de sobrevivência e sem comida. Fique vagando perdido no meio da mata por 2 meses, sem avistar nenhum ser humano, e só não morri de fome antes de ser resgatado, porque durante esse tempo eu me alimentei dos restos de comida que havia entre meus dentes.

3 de fev de 2010

ASSIM COMO SÃO AS PESSOAS...



Pessoas são estranhas! Uma vez conheci um rapaz que era muito exigente em relação a mulheres. Ele queria desposar uma garota que fosse perfeita, porém, ao mesmo tempo ele reconhecia que era um homem muito feio, pobre e além disso era um grande mau caráter.

Por causa desse paradoxo ele morreu solteiro. É que ele jamais aceitaria se relacionar com uma mulher que se rebaixasse tanto a ponto de aceitar se relacionar com alguém como ele. Sim, definitivamente, pessoas são estranhas!

26 de jan de 2010

MAIS FRASES

Acabo de encontrar um fio branco na minha barba!!! Meus Deus, acho que estou ficando albino!!!

Milhares de mulheres lindas já passaram pela minha vida... Ah, se pelo menos uma parasse para bater um papinho...

Eu tenho a mania de viver mudando de ideia... Não, pensando bem acho que não tenho... É, tenho sim...

Eu sempre esqueço o mal que me fazem, eu sou assim mesmo, péssima memória.

Fui recusado por uma garota que não quis o meu amor. Mas tudo bem, todos os dias eu lhe mando flores, descobri que ela tem alergia.

FRASES

Espero que um dia a humanidade seja tão unida quanto o arroz da minha empregada.

Apesar desse meu jeito austero e de jamais deixar transparecer minhas angústias e sofrimentos, lá no fundo, bem no fundo, essas hemorroidas me deixam louco.

Deus quer me levar para o céu. O diabo tenta me levar para o inferno. Por que não param com essa disputa e não me levam para a Disney?

Graças a mim, até o final deste século a humanidade evoluirá uns 100 anos.

O médico me mandou dormir cedo. Bem, 8h da manhã me parece suficientemente cedo.

As pessoas andam tão violentas e perigosas que um dia encontrei um fantasma e quem saiu correndo foi ele.

Eu tenho fé no dinheiro, creio que ele existe, apesar de eu não poder vê-lo.

Gay? Hétero? Chega de dúvidas sobre sexualidade! Em breve no mercado meu mais novo produto: Bússola erótica para orientação sexual.

Prudência é bom, desde que utilizada com cuidado.

23 de jan de 2010

UM CHATO E UMA BRUSCA INTERRUPÇÃO DE UMA PALESTRA.


Durante uma palestra intitulada “A influência da religião na cosmogonia psicotrópica aplicada à
arte abstrato-figurativa” Niestévisky citou Jesus:

“Os bois pastam tranquilos porque um novo capim sempre há de crescer no eterno pasto da
fé.”

Mal terminou a citação, um homem, se levanta no meio da plateia e grita:

_Mentira, Jesus nunca disse isso!

Niestévisky, calmo como quase sempre, olha para o homem e diz:

_Como você sabe?

O homem responde:

_Porque eu conheço a bíblia de cor e sei que essa frase não está registrada em nenhum lugar
dela!

Niestévisky dá um leve sorriso e respondeu: Bem, não está lá porque ele disse em off.

E continuo a palestra, sem mais interrupções.